A sustentabilidade ambiental é hoje uma prioridade estratégica para a esmagadora maioria das organizações em Portugal, mas apenas uma minoria conseguiu transformá-la num verdadeiro motor de inovação e resiliência.
Esta é uma das principais conclusões do “Kyndryl Global Sustainability Barometer“, cujos resultados para o mercado português foram agora divulgados pela Kyndryl, em parceria com a Microsoft e a Ecosystm, e que apontam a inteligência artificial (IA) como um fator decisivo para acelerar o progresso sustentável.
De acordo com o estudo, 92% das organizações em Portugal colocam a sustentabilidade no centro das suas prioridades estratégicas e 67% mantiveram ou reforçaram os seus objetivos ambientais no último ano. No entanto, apenas 18% integraram efetivamente a sustentabilidade na estratégia de longo prazo, utilizando-a como alavanca de inovação, competitividade e resiliência. Este desfasamento entre intenção e impacto continua a marcar o percurso das empresas nacionais.
A tecnologia surge, neste contexto, como elemento diferenciador. O relatório indica que 75% das equipas de tecnologias de informação (TI) estão a liderar ou a impulsionar iniciativas de sustentabilidade de forma transversal, sinalizando uma crescente convergência entre digitalização e objetivos ambientais. A sustentabilidade deixou, assim, de ser vista apenas como uma exigência regulatória, passando a assumir um papel relevante no desempenho empresarial.
Os dados mostram que a adoção de soluções baseadas em dados e IA permite antecipar riscos, otimizar recursos e alinhar a infraestrutura tecnológica com metas ambientais. Em termos concretos, 83% das organizações portuguesas já obtêm ganhos financeiros através da redução de custos operacionais associados às suas estratégias de sustentabilidade, enquanto 55% utilizam o posicionamento ambiental como fator de atração e retenção de clientes.
A IA preditiva destaca-se como uma das ferramentas mais relevantes neste processo. Segundo o barómetro, 57% das empresas recorrem a este tipo de tecnologia para antecipar riscos climáticos nas operações e avaliar a exposição ao risco ao longo da cadeia de fornecedores. Paralelamente, começam a surgir aplicações de Agentic AI, com 30% das organizações em Portugal a testar ou a implementar casos de uso orientados para resultados concretos de sustentabilidade.
A importância da maturidade digital
“Estamos a ver cada vez mais líderes a conectar políticas, pessoas e propósito, adotando perceções tecnológicas e Agentic AI para gerar impacto e não apenas reportar sobre sustentabilidade”, afirma Faith Taylor, senior vice president Global Citizenship and Sustainability da Kyndryl. Para a responsável, esta mudança de paradigma – “da conformidade para a ação” – permite decisões mais inteligentes e orientadas por dados, reforçando a inovação e a resiliência organizacional.
Apesar da evolução, o relatório identifica desafios estruturais. A governação continua a ser um ponto frágil: embora 83% das organizações reportem um forte alinhamento entre as equipas de TI e de sustentabilidade, apenas 40% dos líderes desta área têm um papel formal na governação tecnológica. A gestão de dados surge igualmente como um entrave significativo, com a recolha de informação proveniente de múltiplos sistemas (48%) e a integração com plataformas de análise de negócio (47%) a dificultarem a medição de impacto.
O estudo conclui que a maturidade digital é hoje determinante para transformar intenção em impacto. Em Portugal, 72% das organizações continuam classificadas como “centradas no legado”, encarando a sustentabilidade sobretudo como uma obrigação de conformidade. Em contraste, apenas 10% operam num modelo “focado na integração”, no qual os objetivos ambientais estão plenamente incorporados na estratégia e nos processos de decisão.
Com base nas respostas de líderes de 60 organizações, o “Kyndryl Global Sustainability Barometer” aponta, ainda assim, para um momento de viragem. Portugal reúne as condições para entrar numa nova fase, em que tecnologia, inteligência artificial e sustentabilidade avançam de forma cada vez mais integrada, criando valor económico e impacto ambiental mensurável.







