Imagem conceptual associada ao mercado imobiliário e ao sector empresarial, com arranha-céus modernos e uma estética urbana e tecnológica

Instabilidade geopolítica não travou investimento imobiliário em Portugal, revela JLL

Relatório “Market Dynamics” assinala forte dinamismo da atividade, impulsionado pelo retalho e hotelaria

O mercado imobiliário comercial em Portugal registou um arranque de ano robusto, com o volume de investimento a atingir 930 milhões de euros no primeiro trimestre, segundo o relatório “Market Dynamics” da JLL.

Este resultado representa um crescimento de 37% face ao período homólogo e posiciona o primeiro trimestre de 2026 entre os mais fortes dos últimos anos.

Segundo a JLL, o investimento nacional representou 42% do total transacionado (391 milhões de euros), enquanto o capital internacional manteve-se predominante, com 58% do volume (539 milhões de euros), com Portugal a posicionar-se como um dos 10 destinos europeus a investir este ano.

Entre as operações de maior dimensão destacam-se a aquisição do resort Ritz-Carlton Penha Longa e a compra do campus de data centers da Covilhã, cada uma avaliada em cerca de 120 milhões de euros.

Retalho e hotelaria concentram investimento

O investimento no primeiro trimestre deste ano foi liderado pelos sectores de retalho e hotelaria, que, em conjunto, concentraram mais de 70% do capital alocado ao imobiliário neste período.

O retalho captou 340 milhões de euros, correspondentes a 37% da atividade, impulsionado pela transação de um portefólio de centros comerciais e retail parks por 280 milhões de euros e que incluiu ativos como o GaiaShopping, o ArrábidaShopping e o Matosinhos Retail Park.

Já a hotelaria registou 330 milhões de euros de investimento (36% do total), beneficiando do desempenho consistente da procura turística e da valorização continuada dos ativos hoteleiros de gama alta.

Escritórios em recuperação

Nos mercados ocupacionais, destaca-se a retoma do dinamismo nos segmentos de escritórios de Lisboa e do Porto. Lisboa registou uma absorção de 28.910 metros quadrados no primeiro trimestre de 2026, um crescimento homólogo de 80%, ainda que condicionado por uma base de comparação fraca em 2025. As rendas prime voltaram a subir, atingindo os 32 euros por metro quadrado/mês na zona central de negócios, enquanto a taxa de disponibilidade se reduziu para 7,8%.

No Porto, a ocupação totalizou 6.140 metros quadrados, traduzindo um crescimento de 43% face ao primeiro trimestre de 2025, embora os níveis de atividade permaneçam abaixo da média recente. As rendas prime situaram-se nos 21 euros por metro quadrado ao mês.

Já no segmento industrial e logístico, a procura registou uma desaceleração, com 65.100 metros quadrados ocupados no primeiro trimestre. Trata-se de uma quebra de 16% face ao trimestre homólogo. A escassez estrutural de produto logístico moderno continuou a sustentar as rendas prime.

No segmento residencial, os preços continuaram a acelerar, com uma subida homóloga de 22,4% nos preços, impulsionada por um desequilíbrio persistente entre uma procura elevada e uma oferta estruturalmente insuficiente.

Perspetivas para 2026

De acordo com a JLL, o desempenho do primeiro trimestre reforça a expectativa de um ano globalmente forte para o imobiliário em Portugal, tanto ao nível do investimento como da ocupação.

“O investimento deverá manter um ritmo sólido, suportado por fundamentos robustos, procura internacional diversificada e um interesse crescente em segmentos alternativos, como data centres e ativos especializados. Nos mercados ocupacionais, a procura continua claramente orientada para qualidade, localização e eficiência, sustentando a valorização dos ativos prime em praticamente todos os segmentos”, nota Carlos Cardoso, CEO da JLL Portugal.

Cartaz da conferência Grande Consumo: “Consumo na Era da Imprevisibilidade”, 4 de novembro de 2026, Taguspark, Oeiras
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