Mudar a forma como se utiliza um smartphone pode traduzir-se numa redução de custos até 76% ao longo de seis anos. Esta é uma das principais conclusões de um novo estudo da Fraunhofer Austria.
A investigação comparou três cenários distintos: o modelo de economia circular, que inclui reutilização e recondicionamento, o padrão médio europeu e o modelo linear de “usar e deitar fora”. Os resultados mostram que o fator mais determinante não é apenas a compra inicial do equipamento. Trata-se sobretudo do que acontece depois: quanto tempo é utilizado, se é reparado, revendido ou reciclado corretamente.

De acordo com o estudo, um smartphone mantido em circulação pode custar até quatro vezes menos do que um dispositivo substituído frequentemente. Em média, a adoção de práticas mais circulares permite poupar cerca de 25% no custo total de propriedade, podendo atingir valores ainda mais expressivos quando comparados com comportamentos mais extremos de substituição anual.
Os dados revelam diferenças claras. Ao longo de seis anos, um utilizador em modelo circular poderá gastar cerca de 959 euros, enquanto o uso médio europeu ascende a 1.294 euros. Já no cenário de “usar e deitar fora”, os custos disparam para mais de 3.800 euros. Em paralelo, o impacto ambiental acompanha esta tendência, com emissões de dióxido de carbono e consumo de recursos críticos a multiplicarem-se significativamente nos modelos menos sustentáveis.

Segundo Paul Rudorf, autor do estudo, o objetivo foi analisar o ciclo de vida do produto sem responsabilizar diretamente o consumidor. “Qualquer telemóvel tem um impacto na produção. A grande diferença está no que fazemos depois. O tempo de uso e o descarte correto têm um peso muito maior do que se pensava”, explica.
As conclusões surgem numa altura em que Portugal reforça o compromisso com a sustentabilidade, nomeadamente através do Plano de Ação para a Economia Circular. O estudo valida a importância desta transição, demonstrando que escolhas mais sustentáveis podem também traduzir-se em vantagens económicas concretas.
Para Kilian Kaminski, cofundador da refurbed, o potencial de poupança é claro. “Ao revender, prolongar o uso ou reciclar corretamente um telemóvel, os consumidores podem poupar centenas de euros por aparelho. Se abandonarem o modelo de ‘usar e deitar fora’, a poupança pode ultrapassar os 2.500 euros em seis anos”.








