GS1 Portugal

GS1 Portugal distingue 10 empresas pela redução da pegada de carbono

Lean & Green premeia empresas e reforça metas de eficiência e descarbonização no setor logístico

A GS1 Portugal distinguiu 10 empresas pelo compromisso com a redução da pegada de carbono nas operações logísticas e de transporte, no âmbito do programa Lean & Green. O reconhecimento foi feito durante a Lean & Green Summit, que integrou a 6.ª cerimónia de entrega de prémios do programa Lean & Green em Portugal e reuniu especialistas e entidades para debater soluções para a transição do setor.

Durante o encontro foi sublinhada a urgência e apresentadas soluções para acelerar a descarbonização dos transportes e da logística, um dos setores com maior peso nas emissões de gases com efeito de estufa (GEE) em Portugal. Foram ainda debatidas três dimensões-chave – ambiente, energia e clima -, com destaque para a necessidade de um compromisso transversal com a descarbonização de toda a cadeia logística e de transporte.

Colaboração no centro da descarbonização

Ana Cristina Carrola, vogal do conselho diretivo da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), defendeu que Lean & Green e a economia circular são dimensões da mesma transformação estrutural, alertando que, sem alterações nos padrões de consumo, seriam necessários “o equivalente a três planetas até 2050”. A responsável sublinhou que a mudança depende, sobretudo, de decisões empresariais concretas, desde o design circular à logística inversa, valorização de resíduos e digitalização.

A energia é um dos principais desafios no setor da logística, sendo responsável por cerca de 35% dos custos de operação num setor que representa 4% a 5% do PIB. Segundo Hélder Rodrigues, da ADENE – Agência para a Energia. os ganhos mais imediatos de eficiência e redução de emissões passam por melhorias operacionais, manutenção e formação de condutores, medidas que sustentam a atribuição das primeiras três estrelas do programa Lean & Green da GS1 Portugal. Para níveis mais avançados de descarbonização, associados à quarta e quinta estrelas, destacou a necessidade de renovação tecnológica das frotas, defendendo também políticas públicas que mitiguem custos e risco, como acesso a energia a preços mais competitivos e mecanismos de partilha de risco no financiamento.

Já Paulo Ferreira Lourenço, da Agência para o Clima, enquadrou o debate nas metas europeias de redução de 90% das emissões até 2040 e na revisão do Plano Nacional de Energia e Clima. O responsável alertou que os transportes são atualmente o principal setor emissor em Portugal, com o modo rodoviário a representar 95% das emissões do setor. Neste contexto, apontou o programa Lean & Green como ferramenta estratégica para medir emissões de forma consistente, gerir custos e reforçar a competitividade e o acesso a financiamento sustentável.

Bárbara Ferrer Marredes, da AECOC – Asociación de Empresas de Gran Consumo, indicou que, em Espanha, o programa permitiu evitar 4,5 milhões de toneladas de emissões, sendo 77% das reduções alcançadas através de medidas de eficiência operacional, como otimização de rotas e cargas. Ainda assim, alertou para o chamado “messy middle”: depois de esgotadas as melhorias mais imediatas, a descarbonização exige investimentos mais significativos e ainda incertos, num quadro regulatório cada vez mais exigente.

Esta ideia liga-se à visão de Nico Anten, fundador do programa Lean & Green a nível internacional, que recordou que o que esteve na génese deste programa foi a necessidade de colaboração entre empresas, para que ganhassem escala e impacto, pelo que o programa propõe uma dupla missão – descarbonizar (Green) e reforçar a eficiência e competitividade do negócio (Lean) -, com um “triplo benefício” para empresas, clima e comunidade.

Nova fase em 2026

Durante o encontro, Marta Résio, diretora de Sustentabilidade, Comunicação e Marketing da GS1 Portugal, sublinhou que o programa passa, em 2026, a pertencer a uma associação internacional sem fins lucrativos, constituída em 2025, de que a GS1 Portugal faz parte e que representa em Portugal no que a este programa se refere. A responsável destacou que este novo enquadramento permitirá reforçar a representação do programa junto das instituições europeias, , sobretudo junto das instituições comunitárias, que reconhecem o programa Lean & Green como um “use case de referência em descarbonização, a nível comunitário”.

A nível nacional, os objetivos passam por aumentar o envolvimento das empresas participantes, dinamizar o progresso no programa e consolidar os mecanismos de participação e apoio à comunidade de empresas. Entre as medidas previstas, indicou o reforço do programa Lean & Green como plataforma de serviço, a revisão do formato de participação e da metodologia, a definição e sistematização do caminho para a 4.ª e 5.ª estrelas, a criação de um toolkit com casos de estudo e ações de formação, e a possibilidade de um prémio para reconhecer a colaboração na comunidade.

A cerimónia de entrega de prémios contou com a participação do diretor-geral da GS1 Portugal, Paulo Gomes, bem como de Marta Résio e Adriana Tomás, gestora do programa Lean & Green em Portugal.

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