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FMI defende alargamento da cadeia de abastecimento para conter as tensões

Foto DCStockPhotography/Shutterstock

O Fundo Monetário Internacional (FMI) descarta o protecionismo como uma forma eficaz de se proteger das perturbações da cadeia de abastecimento. A entidade liderada por Kristalina Georgieva defende, no seu mais recente “World Economic Outlook”, que a deslocalização que alguns países empreenderam após a pandemia e a guerra na Ucrânia é uma má solução.

De acordo com o FMI, embora o comércio de mercadorias tenha registado uma queda acentuada no segundo trimestre de 2020, no final desse mesmo ano, já tinha recuperado para níveis pré-pandemia.

Ainda assim, o comércio global continuou a apresentar perturbações, desde o início da pandemia, e os efeitos foram mais visíveis nos sectores que dependem mais das cadeias de valor internacionais e estão nas fases mais tardias do processo de produção, como a eletrónica.

 

Protecionismo

As várias perturbações na cadeia de abastecimento levaram, então, a um ressurgimento de políticas mais protecionistas e consequente deslocalização da indústria, o que vai contra as recomendações do FMI, que passam por uma maior diversificação de modo a aumentar a resiliência das cadeias de abastecimento. “Uma maior diversificação também reduz a volatilidade, no caso de vários países serem afetados por choques de abastecimento“, refere.

No entanto, o FMI admite que a proteção proporcionada pela diversificação não é suficiente se todas as economias forem afetadas, ao mesmo tempo, pelo mesmo fenómeno, como aconteceu nos primeiros quatro meses da pandemia.

Diversificação

Um dos domínios onde se deve apostar nessa maior diversificação territorial é, segundo o FMI, o dos bens intermédios, onde existe uma importante preferência nacional na compra. “As empresas dos países das Américas, por exemplo, obtêm 82% dos produtos intermédios de fontes nacionais, o que significa que a deslocalização da produção reduziria ainda mais a sua diversificação“, diz o FMI.

Outra das estratégias que o FMI descarta é o chamado”friendshoring”, ou seja, a transferência de atividades de produção para países amigos ou aliados, prática que tem sido posta em cima da mesa na sequência da guerra na Ucrânia e do aumento das tensões geopolíticas.

A entidade salienta que, para combater os estrangulamentos, como os observados no pico da pandemia, terá de ser feito um investimento em infraestruturas nos principais portos mercantes do mundo.

O FMI partilha, assim, da visão da Organização Mundial do Comércio, que muito recentemente veio também defender a necessidade de alcançar uma maior rede global e diversificar as rotas de transporte, para tornar o sector do comércio mais resistente a perturbações, como as que foram causadas pela pandemia de Covid-19 ou o conflito na Ucrânia.

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