A procura por profissionais ligados à sustentabilidade deverá crescer de forma consistente nos próximos anos, impulsionada sobretudo pelos setores da energia, indústria, construção e retalho, que estão a integrar práticas sustentáveis nos seus modelos de negócio.
De acordo com a Michael Page, a procura por perfis nas áreas de sustentabilidade, ESG (ambiental, social e de governação), ambiente, energia e EHS (Ambiente, Saúde e Segurança) deverá registar crescimentos anuais superiores a 15% em 2026 e ao longo de 2027, refletindo um aumento significativo das colocações face a anos anteriores.
Apesar do crescimento expressivo do número de empregos verdes, nem sempre existe correspondência imediata entre as necessidades das empresas e as competências disponíveis no mercado. Observa-se uma escassez de perfis seniores com experiência prática em sustentabilidade, bem como dificuldade em recrutar talento com competências híbridas — técnicas, gestão e visão estratégica. Esta realidade tem intensificado a concorrência entre empresas pelos mesmos perfis, sobretudo em setores como energia, indústria, construção e retalho.
Entre os perfis mais procurados destacam-se gestores de sustentabilidade e ESG, especialistas em ambiente, saúde e segurança (EHS), engenheiros ambientais e de energia, técnicos de eficiência energética, economia circular e gestão de resíduos, bem como especialistas em reporting não financeiro e compliance ambiental.
Empregos verdes descentralizam-se
A procura por funções ligadas à sustentabilidade e aos empregos verdes está maioritariamente concentrada nas regiões com maior densidade económica, industrial e de investimento em transição energética, com predominância na Grande Lisboa, Grande Porto, Alentejo e Região Centro.
Embora as grandes áreas urbanas e polos industriais continuem a concentrar a maioria das oportunidades, observa-se uma progressiva descentralização destas funções, acompanhando a localização de projetos de energia renovável, indústria e infraestruturas sustentáveis.
Relativamente aos perfis, o setor é atualmente caracterizado pela coexistência de diferentes gerações. Verifica-se uma forte presença de profissionais seniores em funções de liderança e decisão estratégica, complementada por perfis intermédios e mais jovens em áreas técnicas e analíticas, criando um ecossistema equilibrado.
Escassez de talento
O emprego na economia ambiental cresceu mais de 60% na última década, mas a oferta de talento não tem acompanhado o ritmo da procura. A escassez de competências é hoje um dos principais fatores limitadores do crescimento do setor, afetando uma parte significativa das empresas e dificultando a implementação das suas estratégias de sustentabilidade.
Esta evolução é impulsionada por fatores como a entrada em vigor da Diretiva europeia CSRD (Corporate Sustainability Reporting Directive), a execução dos investimentos associados ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e o avanço de projetos de transição energética e descarbonização.
Filipe Forte, Executive Manager, Michael Page, refere: “Ao contrário de ciclos anteriores, o crescimento de empregos verdes não resulta de um impulso conjuntural, mas de uma transformação estrutural. O verdadeiro sucesso desta transição dependerá da capacidade de alinhar políticas públicas, formação adequada e estratégias de atração e retenção de talento. Enquanto recrutadores especializados, o nosso papel vai muito além de preencher vagas: passa por ajudar as organizações a definir corretamente os perfis de que precisam, apoiar a transição de profissionais de áreas adjacentes para funções verdes, mapear talento e antecipar necessidades futuras.”








