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Diminui a frequência de compra, aumenta o volume da cesta comprada

Foto Shutterstock

Os portugueses estão cada vez mais preocupados com a evolução da pandemia, em especial com três possíveis consequências: o impacto negativo na economia, o possível colapso da segurança social e a perda de emprego. Se, há uma semana, 81% dos portugueses inquiridos apresentavam elevada preocupação face à crise atual, hoje são 91%, de acordo com dados apurados pela Kantar para a Centromarca.

Também o padrão de consumo se está a alterar. Nas semanas de 22 de março a 5 de abril, surgiu uma nova rotina de compras, a de contingência. Esta nova rotina implica ir às compras o menor número de vezes possível e levar uma maior quantidade de produtos por cesta, por forma a evitar a repetição da compra num curto espaço de tempo. “É notória a alteração dos comportamentos dos portugueses com o facto de estarem a passar mais tempo em casa. O aumento do número de refeições tem implicações nos produtos escolhidos, na atenção que dão às mesmas, até como contributo para os seus momentos de descontração e lazer em família. Ao mesmo tempo, a vontade de ir às compras atenua-se com a crescente preocupação sentida com o evoluir da pandemia, refere Pedro Pimentel, diretor geral da Centromarca

O tipo de produtos comprados também sofreu alterações: abrandou a compra de produtos de higiene e limpeza e verificou-se um maior gasto com o abastecimento alimentar. “Num momento em que os portugueses estão privados de tempos de lazer e de socialização no exterior, ganham um particular destaque os produtos para se confecionarem sobremesas, assim como as bebidas alcoólicas e a alimentação congelada, desde a carne às refeições prontas”, refere, por sua vez, Marta Santos, Manufacturers Sector Director da Kantar.

Relativamente ao armazenamento, a maioria dos portugueses não planeia alterar a quantidade de produtos que compra, afirmando mesmo manter o número habitual ou não comprar produtos que antes não planeava fazer. Mas destaca-se a intenção do aumento da procura acima da média em algumas categorias, como os produtos para a limpeza das mãos, alimentos em conserva, fruta fresca, vegetais, massa, arroz, leite, pão, carne e peixe congelados e também café e chá.

No extremo oposto, o dos produtos em que os consumidores indicam planear uma redução da compra, encontram-se os doces, bolos, bolachas e as bebidas com álcool. Além destes, também as batatas, os snacks e os frutos secos, produtos de hidratação corporal/cremes de beleza, maquilhagem e fragrâncias podem esperar uma diminuição na procura nesta fase. “Esta vai ser uma Páscoa atípica, por todos os motivos. Em época de isolamento, os portugueses vão comprar menos e há segmentos de mercado, tradicionalmente fortes nesta época, que sofrerão um fortíssimo impacto. Chocolates, produtos de padaria e confeitaria, vinhos e bebidas espirituosas ou cosmética vão sentir os efeitos desta crise”, adianta Pedro Pimentel.

Em relação à procura pelo canal online, até ao dia 20 de março, 10% dos portugueses já afirmavam estar a comprar mais na Internet. Agora, os dados da Kantar revelam uma intenção de aumento de compra por parte de 17%, quando se fala em produtos alimentares.

 

Quais as expectativas em relação ao regresso à normalidade?

Apenas 13,5% dos consumidores se encontram mais otimistas e acreditam que, até ao fim de abril, se recupere a rotina, sendo que uma fatia importante – 38,9% – não acredita que a sua vida volte à normalidade até ao final do verão.

Muito importante, e a ter em conta, é o impacto desta pandemia na disponibilidade orçamental das famílias, uma vez que 18% dos portugueses ativos antes da epidemia afirmam já ter perdido, mesmo que temporariamente, o seu emprego.

 

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