Os retalhistas de moda no Reino Unido estão a enfrentar um aumento das ruturas de stock e das prateleiras vazias, à medida que as tensões geopolíticas no Médio Oriente continuam a perturbar o comércio global. A conclusão é de um estudo da Invent.ai, empresa especializada em tecnologia para o retalho, que revela um impacto crescente na disponibilidade de produtos e na fidelização dos consumidores.
Desde o início do conflito no Médio Oriente, em fevereiro, 54% dos consumidores britânicos afirmam ter verificado uma pior disponibilidade de produtos nas lojas. Quando compram artigos de moda em lojas físicas, 29% dizem ter encontrado prateleiras com falhas de abastecimento, enquanto 23% relatam ter deparado com produtos esgotados em compras de vestuário online.
O estudo da Invent.ai, desenvolvido com o apoio da Clariti e baseado num inquérito a 1.000 consumidores britânicos realizado em abril de 2026, mostra ainda que estas falhas de abastecimento estão a afetar a lealdade às marcas. Cerca de 30% dos consumidores afirmam sentir-se menos fiéis a uma marca após uma experiência de rutura de stock, e a mesma percentagem admite recorrer a marcas concorrentes para encontrar alternativas.
Marketplaces ganham terreno
A mudança de comportamento vai, no entanto, além da troca de marca. O estudo indica que 42% dos inquiridos preferem direcionar as suas compras para marketplaces quando não encontram o produto pretendido. Além disso, 45% dizem abandonar completamente a compra junto da marca e procurar o artigo em plataformas de revenda, como a Vinted, uma tendência que sobe para 64% entre os millennials.
De acordo com a Invent.ai, a escassez de produtos resulta, em grande medida, dos atrasos no transporte marítimo provocados pelo conflito, afetando ativos avaliados em 92 mil milhões de libras (cerca de 107 mil milhões de euros) e expondo fragilidades nas cadeias de abastecimento globais.
No total, 69% dos consumidores associam as ruturas de stock aos problemas nas cadeias de abastecimento relacionados com o conflito, enquanto 62% apontam as sanções e restrições comerciais como fatores que limitam o acesso a determinados produtos.
O impacto faz-se sentir também no setor alimentar. O estudo conclui que 40% do valor previsto para as compras de supermercado se perde devido à indisponibilidade de produtos, enquanto 73% dos consumidores acreditam que estas ruturas se tornarão mais frequentes à medida que persistirem as perturbações no transporte marítimo internacional.








