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Covid-19 impulsiona digitalização dos meios de pagamento

A acelerada digitalização provocada pela pandemia está a consolidar o uso dos meios de pagamento eletrónicos e a impulsionar o progresso em direção a uma sociedade sem pagamentos em numerário (“cashless”). Esta transição reflete-se na maior convivência ou multiplicidade de diferentes meios de pagamento em uso pela população, num ano em que os meios digitais registaram um impulso face aos meios de pagamento mais físicos ou materiais.

De acordo com o X Relatório de Tendências de Meios de Pagamento, apresentado pela Minsait Payments, a filial de meios de pagamento da Minsait, mais de 50% da população adulta bancarizada internauta de todos os países analisados reduziu ou abandonou o pagamento com numerário, um dado que em Portugal sobe para 73,9%.

O estudo foi realizado com a colaboração de analistas financeiros internacionais (AFI) e incluiu as opiniões de mais de 80 executivos do sector bancário e mais de 4.400 inquéritos a clientes bancários de Portugal, Espanha, Itália, Reino Unido e América Latina, além dos números oficiais publicados pelos diferentes reguladores.

As perspetivas dos inquiridos são coerentes com as dos especialistas entrevistados no estudo, uma vez que oito em cada 10 concordam que o processo de abandono do pagamento em numerário acelerou, embora três em cada 10 vejam um risco de reversão assim que a pandemia termine. A aversão a “mexer” no dinheiro (inclusive nos TPA) condicionou a mudança de hábitos observada, em particular em Portugal, onde quase seis em cada 10 inquiridos manifestou esse receio.

Além disso, nove em cada 10 executivos concordam que o impacto da pandemia no uso de meios de pagamentos digitais foi positivo, já que acelerou a sua digitalização. Contudo, um em cada quatro diz que ainda há alguma dificuldade de acesso a estes meios de pagamento e cobrança digitais, em particular na América Latina.

 

Cartão é o principal meio de pagamento

O cartão continua a ser o principal meio de pagamento para compras em todos os países, enquanto continuam a crescer os pagamentos móveis, as carteiras digitais e os pagamentos a partir da conta. Portugal registou uma considerável subida na preferência pelo pagamento com cartão (58,8% em 2020 versus 47,7% em 2019) face a outros meios.

Além disso, os novos hábitos de consumo adotados fizeram com que o uso de cartões “contactless” na maioria dos países fosse maior do que o uso através da inserção no terminal. Desta forma, 56% dos portugueses utiliza cartões “contactless” para efetuar os pagamentos nos terminais de ponto de venda (POS). Paralelamente, os portugueses também aumentaram o volume de pagamentos com cartão de crédito em quase 14 p.p. (20,7% em 2019 para 34,5% em 2020) para compras de baixo valor, onde antes reinava o pagamento em numerário.

 

Meios de pagamento

A crise económica associada à pandemia produziu um declínio generalizado no número de cartões de crédito em quase todos os países analisados. No entanto, Portugal foge à regra ao registar um aumento de 1,7 p.p. para 63%.

Portugal está na vanguarda da utilização de múltiplos meios de pagamento. Os portugueses registaram a maior subida no número médio de diferentes meios de pagamento utilizados no mês anterior à realização do inquérito: de 2,8 em 2019 para 3,3 em 2020. Portugal é também o país que mais pagamentos faz a partir da conta bancária (84,3%).

No que se refere a cartões, a modalidade de débito continua a ser a principal protagonista em termos de utilização por parte da população na maioria dos países. Em Portugal, 32,4% da população bancária possui dois ou mais cartões de débito.

Por outro lado, o cartão pré-pago revela um aumento de 7 p.p. na população (16,1%), com mais do que um cartão. A exceção é a Itália, onde quase oito em cada 10 têm cartão pré-pago, e a América do Sul, por constituir um instrumento fundamental para a distribuição de ajuda governamental no decorrer da pandemia.

 

E-commerce em alta

Outro dos efeitos da Covid-19 é a transferência das compras para o ambiente de comércio eletrónico, uma tendência reforçada pelos períodos de confinamento e visível na frequência das operações entre os consumidores que já compravam produtos online antes da pandemia. Portugal lidera a lista dos países europeus, com 46,9% dos portugueses a assumir fazer compras online com mais frequência. Itália (46%), Reino Unido (44%) e Espanha (42%) seguem atrás.

Os portugueses são os que mais utilizam o computador pessoal (81,4% dos inquiridos) para fazer as suas compras online. Na maioria dos outros países analisados, o smartphone assume a liderança. Apesar disso, em Portugal, o smartphone é o dispositivo que mais cresceu, passando dos 50,7% em 2019 para 56,7% em 2020. O tablet é usado por 12,1% dos portugueses. Portugal e o México são os únicos dois países onde as compras através deste dispositivo aumentaram.

O cartão continua a ser o meio de pagamento mais utilizado nas compras online para 83,2% dos portugueses. No entanto, Portugal é o país que mais utiliza o cartão virtual dentro de todos os países inquiridos, com 31,5%.

O pagamento móvel em todas as modalidades é outra tendência que continua a crescer na Europa. Portugal é um dos países que mais utiliza aplicações de pagamento entre particulares através do telefone (29,3%), somente atrás da Colômbia (46,5%) e Espanha (46,3%). Portugal é também um dos países que mais utiliza o dispositivo móvel em lojas. De acordo com o relatório, 54,9% dos portugueses efetua compras com recurso ao NFC (Near Field Communication).

 

Dupla autenticação

Por fim, há um consenso sobre a aplicação do fator da dupla autenticação nos pagamentos online, mas com intensidades diferentes. Cerca de 45% da população bancarizada portuguesa solicita sempre uma segunda autenticação, 17,8% solicita quando é obrigatório, 33,2% espera que o próprio dispositivo peça a autenticação e 3,9% não pede em nenhum caso, o que faz de Portugal o país europeu com maior percentagem nesta última variante.

Quanto à escolha dos mecanismos de dupla autenticação, Portugal é o país que mais opta pela combinação do PIN com um código via SMS (49,9%).

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