Mulher a gravar um tutorial de maquilhagem em direto com um smartphone Foto Shutterstock

Conveniência digital e cashback redefinem o consumo de beleza e bem-estar em Portugal

A digitalização deixou de ser um fator diferenciador para se tornar uma condição essencial no sector da beleza e do bem-estar em Portugal. Um estudo recente sobre tendências de consumo, levado a cabo pela sheerME, revela que a conveniência tecnológica e os benefícios financeiros são hoje determinantes na escolha e fidelização dos consumidores, num mercado cada vez mais competitivo e fragmentado.

De acordo com a análise, realizada junto de 76 consumidores portugueses, mais de 60% recorrem a serviços de beleza ou bem-estar pelo menos uma vez por mês, integrando estes cuidados na sua rotina regular de autocuidado. Longe de serem encarados como um luxo ocasional, estes serviços representam uma despesa planeada, com gastos mensais que se situam maioritariamente entre os 25 e os 100 euros.

O perfil do consumidor é claro: predominantemente feminino, com idades entre os 25 e os 45 anos, pertencente aos segmentos Millennial e Geração X – faixas etárias com maior poder de compra e elevada predisposição para soluções digitais. Cabeleireiro, barbearia e manicure/pedicure lideram as preferências, refletindo a natureza cíclica e recorrente deste tipo de consumo.

Mas é na forma como os consumidores escolhem e marcam estes serviços que se observa a mudança mais estrutural. A marcação online, com acesso a horários em tempo real e confirmação imediata, emerge como um dos principais fatores de decisão, superando métodos tradicionais como o telefonema. A possibilidade de agendar serviços fora do horário laboral dos estabelecimentos é apontada como uma das maiores vantagens das plataformas digitais, sobretudo entre os consumidores mais jovens, onde o uso de chamadas de voz está em acentuado declínio.

“Já não basta prestar um bom serviço, é essencial oferecer uma experiência simples, digital e com benefícios financeiros claros”, sublinha Miguel Ribeiro, cofundador e CEO da sheerME, plataforma digital de agendamento e gestão de serviços de beleza e bem-estar. O consumidor atual é informado, exigente e orientado para a conveniência.

Outro dado que marca uma viragem no sector prende-se com o peso crescente dos incentivos económicos na fidelização. Cerca de 80% dos inquiridos afirmam que a existência de sistemas de cashback ou descontos recorrentes influenciaria decisivamente a sua escolha entre dois espaços semelhantes. Esta tendência revela uma mudança no modelo tradicional de fidelização, historicamente baseado na relação pessoal com o profissional, para um modelo mais racional, assente em vantagens financeiras tangíveis e imediatas.

O estudo aponta ainda para uma fragmentação do consumo: o utilizador médio recorre a vários estabelecimentos e categorias de serviço ao longo do mês. Neste contexto, a centralização da experiência numa única plataforma – permitindo marcar diferentes serviços, em diferentes locais – surge como um fator crítico de conveniência, capaz de se sobrepor à lealdade a um único espaço físico.

A abertura à inovação tecnológica é outro dos sinais positivos identificados. A perceção dos consumidores em relação à utilização de inteligência artificial no sector é maioritariamente favorável, sobretudo quando aplicada a diagnósticos virtuais ou recomendações personalizadas baseadas no histórico de consumo. A condição é clara: a tecnologia deve simplificar a experiência e gerar valor prático, sem acrescentar complexidade.

As conclusões são inequívocas. A omnicanalidade deixou de ser opcional e os estabelecimentos que dependem exclusivamente de marcações telefónicas estão a perder competitividade. A integração de soluções digitais, aliada a programas de cashback e a uma experiência do utilizador fluida, é hoje identificada como a principal alavanca de retenção.

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