Auditório lotado durante uma conferência empresarial de grande dimensão, com centenas de participantes a assistir a uma apresentação em palco. O orador surge junto ao púlpito, enquanto o conteúdo é projetado em ecrãs de grande formato

Congresso das Marcas reúne mais de 800 pessoas no Estoril

A Centromarca promoveu a quarta edição do Congresso das Marcas, que decorreu no Centro de Congressos do Estoril, sob o mote “À Velocidade Humana”. O evento reuniu mais de 800 participantes e juntou profissionais, líderes e decisores do sector do grande consumo para uma reflexão sobre os desafios que estão a transformar o futuro das marcas.

O encontro colocou em debate temas como linguagem e comunicação, consumo e comportamento humano, saúde mental, longevidade, bem-estar, cidades, novas demografias, tecnologia, inteligência artificial, produtividade, inovação, retalho, liderança e talento.

Marcas chamadas a liderar

Na intervenção de abertura, Nuno Fernandes Thomaz, presidente da Centromarca, desafiou o congresso a um momento de “reflexão” e de “inquietação consciente”, sublinhando a necessidade de salvaguardar a pessoa humana na era digital.

“Num mundo pressionado por inflação persistente, instabilidade geopolítica, transformação tecnológica abrupta, reorganização de cadeias de abastecimento, desafios demográficos e crescente erosão da confiança, o setor das marcas, da indústria e do grande consumo não pode limitar-se a reagir. Tem de liderar. Tem de interpretar. Tem de influenciar”, defendeu.

Nuno Fernandes Thomaz aproveitou ainda o congresso para lançar um repto ao Governo, pedindo “respostas equilibradas, cirúrgicas e não discriminatórias” perante a crise inflacionista que Portugal atravessa.

O presidente da Centromarca defendeu que “pensar marcas é pensar economia” e que Portugal precisa de escolher entre “o dinamismo e o imobilismo”. Num contexto em que a captação e retenção de talento se tornou um dos maiores desafios competitivos, alertou para a necessidade de incorporar novas dinâmicas económicas, tecnológicas e profissionais.

Em dia de greve geral, e perante uma sala cheia, Nuno Fernandes Thomaz encerrou o dia sublinhando a convicção de que “existe uma larga maioria da sociedade portuguesa que continua empenhada em construir, dialogar, inovar e encontrar soluções concretas para os desafios do país”.

Orador em palco durante um congresso empresarial, discursando a partir de um púlpito perante uma audiência profissional. O cenário integra a identidade visual do evento, dedicado à reflexão sobre o papel das marcas, dos consumidores e da inovação num contexto de transformação económica e social.
Nuno Fernandes Thomaz

Governo destaca confiança e previsibilidade

A sessão de abertura contou também com Pedro Machado, secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, que destacou o momento de transformação que Portugal atravessa, marcado pela convergência de vários instrumentos estratégicos de apoio ao investimento e ao crescimento económico.

O governante referiu o encerramento do PRR em 2026, a conclusão do atual quadro comunitário de fundos europeus e o desenho do novo quadro financeiro para 2028-2035.

“Estamos num momento de reforço da nossa capacidade, da nossa competitividade e do nosso tecido produtivo. Procuramos alavancar não só a atratividade que o país tem, mas aquilo que é relevante e essencial para as empresas e para os empresários: confiança e previsibilidade”, afirmou.

Pedro Machado sublinhou que confiança e previsibilidade são condições fundamentais para quem investe, cria riqueza e assume riscos, defendendo que a ação do Governo está centrada na cooperação com as empresas e numa visão estratégica orientada para o crescimento económico.

Entre as medidas destacadas, o secretário de Estado referiu a redução do IRC e a diminuição da taxa de IRS, procurando criar um enquadramento mais favorável à atividade empresarial e à atração e retenção de talento jovem.

O governante destacou ainda a importância da internacionalização das empresas portuguesas, rejeitando a ideia de que Portugal seja um país periférico. “Portugal não é um país periférico, como às vezes se parece fazer crer. Portugal é um dos países mais competitivos do mundo”, concluiu.

Prémio Jornalismo Que Marca distingue SIC

A manhã terminou com a entrega da 8.ª edição do prémio Jornalismo Que Marca, promovido pela Centromarca. A distinção principal foi atribuída à jornalista Amélia Moura Ramos, da SIC, pela reportagem “As Linhas que nos Cos(z)e(€)m”, um trabalho de investigação sobre o impacto das plataformas internacionais de comércio digital no mercado europeu e nos consumidores, muitas vezes com produtos que não cumprem os padrões exigidos na União Europeia.

O júri atribuiu ainda uma menção honrosa aos jornalistas Maria João Lima, Daniel Almeida e Hugo Vinagre, da revista Marketeer, pela reportagem dedicada à silver generation, publicada na edição de capa “Esta capa não é para velhos”.

Cartaz da conferência Grande Consumo: “Consumo na Era da Imprevisibilidade”, 4 de novembro de 2026, Taguspark, Oeiras
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