A confiança dos consumidores norte-americanos registou uma ligeira queda em maio, refletindo preocupações crescentes com o impacto da guerra no Médio Oriente nos preços e no custo de vida, segundo dados divulgados pela The Conference Board.
O índice de confiança do consumidor desceu 0,7 pontos, para 93,1 pontos, face aos 93,8 pontos registados em abril, de acordo com a organização norte-americana.
“A confiança dos consumidores recuou em maio à medida que os impactos inflacionistas da guerra no Médio Oriente se intensificaram”, afirmou a economista-chefe da The Conference Board, Dana M. Peterson.
Perceção sobre economia deteriora-se
O índice relativo à situação atual, que mede a avaliação dos consumidores sobre as condições económicas e do mercado de trabalho, caiu 3,2 pontos, para 121,2 pontos.
A percentagem de consumidores que consideram as condições económicas “boas” recuou para 18,5%, contra 22,3% em abril. Em paralelo, diminuiu ligeiramente a fatia dos que classificam as condições como “más”.
No mercado laboral, 25,5% dos inquiridos disseram que os empregos são “abundantes”, abaixo dos 26,9% registados no mês anterior. Já a percentagem dos que consideram difícil encontrar trabalho caiu para 18,6%, face aos 19,4% de abril.
Apesar do recuo na avaliação da situação atual, o índice de expectativas para os próximos seis meses subiu um ponto, para 74,4 pontos.
Os consumidores mostraram-se ligeiramente mais otimistas quanto às perspetivas económicas e ao mercado de trabalho, embora as expectativas de rendimento tenham revelado sinais de enfraquecimento. A percentagem de consumidores que espera um aumento do rendimento subiu para 20%, mas também aumentou o número dos que antecipam uma redução dos seus ganhos.
Guerra e preços dominam preocupações
As respostas abertas do inquérito revelaram uma crescente preocupação com a inflação, especialmente relacionada com os preços da energia. As referências a petróleo, gás e preços aumentaram pelo segundo mês consecutivo, enquanto as menções à guerra, geopolítica e conflitos permaneceram elevadas.
Segundo a Conference Board, estes dados sugerem que os consumidores receiam um agravamento do custo de vida devido às tensões no Médio Oriente.
A percentagem de consumidores que considera uma recessão nos Estados Unidos “muito provável” ou “algo provável” nos próximos 12 meses aumentou em maio. Em sentido contrário, caiu o número de consumidores que considera improvável uma recessão.
As expectativas de inflação para os próximos 12 meses recuaram ligeiramente, mas mantiveram-se em níveis elevados.
Consumidores adiam compras de maior valor
Os consumidores norte-americanos mostraram também maior prudência nas intenções de compra de bens de elevado valor nos próximos seis meses. Os planos de aquisição de automóveis, eletrodomésticos, mobiliário e produtos eletrónicos perderam dinamismo, embora os veículos usados continuem a ser preferidos em relação aos automóveis novos.
As intenções de compra de habitação registaram uma ligeira melhoria, sobretudo no segmento de casas existentes.
Ao nível dos serviços, os consumidores mantiveram prioridade em despesas consideradas essenciais ou de menor custo, como restaurantes, “streaming”, internet móvel e cuidados pessoais. Ainda assim, verificou-se alguma recuperação na procura por viagens, atividades de lazer, fitness e parques de diversão.
As intenções de viagem para os próximos seis meses aumentaram ligeiramente, com preferência contínua por destinos domésticos em detrimento de viagens internacionais.
O inquérito mensal da The Conference Board foi realizado entre 1 e 19 de maio através de uma amostra online conduzida pela empresa Toluna.








