O volume do comércio a retalho recuou em fevereiro, segundo as primeiras estimativas divulgadas pelo Eurostat. Face a janeiro, o índice ajustado de sazonalidade e calendário contraiu 0,2% na zona euro e 0,3% no conjunto da União Europeia.
Em janeiro, os dois indicadores tinham registado estabilidade, sem crescimento nem queda. A próxima atualização dos dados está prevista para 7 de maio.
A leitura a 12 meses continua, porém, positiva. Em termos homólogos, ou seja, comparando fevereiro de 2026 com fevereiro de 2025, o volume de vendas cresceu 1,7% tanto na zona euro como na União Europeia, sinal de que a tendência de fundo permanece expansionista, apesar da quebra pontual registada no último mês.
Alimentos lideram a queda mensal
A desagregação por categorias de produto revela que a contração mensal deveu-se ao segmento alimentar. Tanto na zona euro como na União Europeia, os produtos alimentares, bebidas e tabaco registaram uma queda de 0,5% em fevereiro face ao mês anterior.
Nos produtos não alimentares (excluindo os combustíveis automóveis), a evolução foi diferente: estabilidade na zona euro, mas recuo de 0,2% na União Europeia. O combustível automóvel em lojas especializadas foi a única categoria a crescer, com aumentos de 0,7% na zona euro e de 1% na União Europeia.
Em termos anuais, o panorama é inverso: todas as categorias registam crescimento. Na zona euro, os produtos não alimentares lideram com 2,3%, seguidos pelos combustíveis (1,4%) e pelos alimentos (1%). Na União Europeia, o padrão é semelhante, com os não alimentares a crescerem 2,3%, os combustíveis 1,6% e os alimentos 0,9%.
Portugal com desempenho sólido
A análise por Estado-membro coloca Portugal numa posição relativamente favorável no contexto europeu. Em fevereiro, o país registou um crescimento mensal de 0,8% no volume total do retalho, uma das subidas mais expressivas do mês, partilhada com o Chipre e abaixo apenas de Malta (2,%) e da Bulgária (1%).
As maiores quebras mensais registaram-se na Lituânia (-2,5%), na Polónia (-2,4%) e na Eslovénia (-2%). A Alemanha, maior economia da zona euro, recuou 0,6% e França registou uma queda mais moderada de 0,1%.
Em termos homólogos, Portugal apresentou um crescimento de 4,7% em fevereiro de 2026 face ao mesmo mês de 2025, posicionando-se acima da média europeia (1,7%) e entre os mercados com melhor desempenho anual. Os maiores crescimentos anuais registaram-se no Luxemburgo (11,9%), em Malta (11,4%) e na Bulgária (7,3%).
No extremo oposto, a Roménia liderou as quedas anuais (-6,8%), seguida da Eslovénia (-3,5%) e da Eslováquia (-2,4%), países onde a pressão inflacionista e as fragilidades do consumo interno continuam a pesar.
Revisão dos dados de janeiro
O Eurostat procedeu ainda a uma revisão dos dados de janeiro de 2026. A variação mensal foi corrigida de -0,1% para 0,% na zona euro e de 0,1% para 0% na União Europeia. Em termos anuais, a variação de janeiro foi revista em alta, de 2% para 2,1% na zona euro e de 2,3% para 2,4% na União Europeia.
O índice do volume do comércio a retalho mede a evolução das vendas corrigida de variações de preços, sendo calculado a partir de dados ajustados de efeitos sazonais e de calendário. Os dados estão disponíveis na secção de estatísticas de conjuntura da base de dados do Eurostat.








