O mercado português de bens de grande consumo voltou a acelerar entre 10 de agosto e 6 de setembro, depois de um período marcado por um abrandamento significativo das vendas. De acordo com a NielsenIQ, o crescimento homólogo em valor atingiu 3%, praticamente o dobro dos 1,6% registados na quadrissemana anterior.
Apesar da recuperação, o desempenho permanece abaixo dos 6,8% observados no período homólogo de 2025, refletindo um ritmo de crescimento mais moderado do mercado.
No acumulado das primeiras 36 semanas de 2026, as vendas de bens de grande consumo atingiram 8.807 milhões de euros, face aos 8.457 milhões registados no período equivalente do ano anterior, o que corresponde a um crescimento de 4,1%.
Os indicadores mostram também diferenças relevantes entre marcas, categorias de produto e formatos comerciais, com a marca própria a manter um desempenho superior ao das marcas de fabricante.
Marcas próprias crescem mais do dobro das marcas de fabricante
Na quadrissemana analisada, as marcas próprias e os produtos de primeiro preço registaram um crescimento de 4,3% em valor, enquanto as marcas de fabricante avançaram 1,9%.
Embora as marcas de fabricante tenham recuperado face ao desempenho negativo da quadrissemana anterior, quando as vendas tinham diminuído 0,2%, continuam a apresentar um crescimento inferior ao das marcas da distribuição.
Esta diferença reflete-se também na evolução das quotas de mercado. No acumulado até à semana 36, os produtos de marca da distribuição e primeiro preço representaram 49% das vendas em valor, mais 0,7 pontos percentuais do que no período homólogo de 2025.
Na alimentação, esta quota é ainda mais expressiva, atingindo 56%, face aos 55,3% registados um ano antes.
Congelados lideram presença da marca própria
Entre as principais áreas de negócio, os congelados destacam-se pela elevada penetração das marcas da distribuição e dos produtos de primeiro preço. Segundo a NielsenIQ, estas referências representam 67% das vendas em valor da categoria, mais um ponto percentual do que no período homólogo.
Na mercearia, a quota aumentou de 55,5% para 56,3%, enquanto nos lacticínios passou de 49,7% para 49,9%.
Também nas categorias de higiene se verifica um reforço da marca própria. Na higiene do lar, a quota atingiu 50,1%, ultrapassando a metade das vendas em valor, enquanto na higiene pessoal aumentou de 39,5% para 40,6%.
Nas bebidas, a situação é mais heterogénea. As marcas próprias e os produtos de primeiro preço representam 35,1% das vendas de bebidas não alcoólicas, mas apenas 15,5% das bebidas alcoólicas.
Higiene do lar apresenta o maior crescimento
A análise das diferentes categorias revela uma evolução positiva em todas as grandes áreas de negócio durante a quadrissemana analisada. A higiene do lar foi a categoria mais dinâmica, com um crescimento homólogo de 5% em valor, sustentado sobretudo pelas marcas da distribuição, que avançaram 7,5%. As marcas de fabricante cresceram 2,5%.
A alimentação registou um aumento de 3,3%, com as marcas próprias a crescerem 4,1% e as marcas de fabricante 2,3%. Nas bebidas, o crescimento foi mais moderado, situando-se em 1,8%. As marcas próprias avançaram 2,4%, ligeiramente acima dos 1,6% registados pelas marcas de fabricante.
Já a higiene pessoal cresceu 1,9%, mas apresentou uma diferença particularmente expressiva entre os dois segmentos: as marcas próprias aumentaram as vendas em 4,9%, enquanto as marcas de fabricante registaram uma variação nula.
Grandes supermercados são o principal motor de crescimento
A evolução dos canais de distribuição constitui outro dos resultados relevantes do NielsenIQ Scantrends. No acumulado até à semana 36, os grandes supermercados registaram um crescimento de 7,1% em valor, acima dos 4,1% do mercado total analisado. Este desempenho permitiu aumentar o peso do formato de 56,1% para 57,7% das vendas em comparação com o período homólogo.
Os hipermercados cresceram 2% no acumulado do ano, mas perderam quota, passando de 22% para 21,5%. Os supermercados pequenos aumentaram as vendas em 1,8%, embora o seu peso tenha diminuído ligeiramente para 10,8%.
O desempenho mais negativo foi registado pelo canal de livre serviço, cujas vendas recuaram 4,2% e cuja quota caiu de 10,9% para 10%.
Na quadrissemana mais recente, os grandes supermercados voltaram a destacar-se, com um crescimento homólogo de 5,8%. Os hipermercados avançaram apenas 0,6%, enquanto os supermercados pequenos e os estabelecimentos de livre serviço registaram quedas de 0,7% e 2,3%, respetivamente.
Mercado revela recuperação, mas crescimento mantém-se moderado
A evolução das vendas indica uma recuperação depois do abrandamento da quadrissemana anterior, embora o mercado continue a crescer a um ritmo inferior ao registado em vários períodos de 2025 e no início de 2026.
A análise evidencia três tendências: o crescimento mais acentuado das marcas próprias, o reforço da importância dos grandes supermercados e a diferença de desempenho entre categorias.
Para fabricantes e distribuidores, os resultados reforçam a importância de acompanhar não apenas o crescimento global das vendas, mas também a evolução das quotas das marcas, a procura por diferentes categorias e o desempenho dos formatos comerciais.
A NielsenIQ apresenta estes indicadores em valor, pelo que não é possível determinar, apenas com esta informação, em que medida a evolução das vendas resulta de alterações nos preços ou nas quantidades comercializadas.








