Dois convidados posam com garrafas numa inauguração da instalação da bomba de calor da Cervejeira de Vialonga Julien Haex (SCC) e Sofia Tenreiro (Siemens)

Cervejeira de Vialonga investe 33,5 milhões em bomba de calor

A Central de Cervejas e Bebidas inaugurou na Cervejeira de Vialonga um sistema de recuperação de energia baseado numa bomba de calor, num investimento de 33,5 milhões de euros.

A solução tecnológica foi desenvolvida em parceria com a Siemens Portugal e representa um dos projetos críticos da empresa na sua Jornada de Descarbonização da produção até 2030.

O investimento foi parcialmente cofinanciado pelo Plano de Recuperação e Resiliência, em 8,8 milhões de euros.

Redução de 50% nas emissões térmicas

A nova bomba de calor deverá permitir reduzir em cerca de 50% as emissões de CO₂ associadas à energia térmica da Cervejeira de Vialonga. Segundo a empresa, esta redução equivale a 7.381 toneladas de CO₂ por ano. O projeto deverá ainda gerar ganhos de eficiência energética na ordem dos 39% face ao início da iniciativa.

A energia térmica representa cerca de dois terços da energia total consumida nas operações da Cervejeira de Vialonga. Esta energia é necessária nas diferentes etapas de produção da cerveja e na transformação da cevada em malte. Até agora, tem sido maioritariamente obtida a partir de gás natural, o que torna esta uma das áreas mais exigentes de descarbonizar na indústria cervejeira.

Calor recuperado dos processos de refrigeração

Na prática, o novo sistema irá gerar energia térmica através da recuperação do calor excedente proveniente dos processos de refrigeração. A solução utiliza eletricidade produzida a partir de fontes renováveis, nomeadamente solar e eólica. A energia térmica resultante será distribuída através de um circuito de água quente, substituindo parcialmente o vapor gerado pelas caldeiras a gás natural.

Segundo Sofia Tenreiro, CEO da Siemens em Portugal, a solução instalada em Vialonga assenta numa bomba de calor de alta temperatura de seis megawatts, uma das primeiras a esta escala em Portugal. “Este projeto com a Central de Cervejas e Bebidas é um exemplo de tecnologia com propósito”, afirma.

A responsável acrescenta que a parceria demonstra como “a inovação e a tecnologia são o caminho mais eficaz para uma indústria mais sustentável, mais eficiente e mais competitiva”.

“Reinventar a forma como produzimos”

Para Julien Haex, diretor-geral da Central de Cervejas e Bebidas, o projeto traduz a ambição da empresa de liderar a descarbonização da indústria cervejeira, “apoiando as ambições globais da Heineken e mostrando que é possível conciliar crescimento económico, inovação industrial e sustentabilidade”.

Segundo o responsável, o projeto resulta da colaboração entre parceiros com elevada experiência, de investimento privado com apoio de políticas públicas e da determinação das equipas. “Mais do que reduzir emissões, estamos a reinventar a forma como produzimos, tornando a nossa operação mais eficiente, resiliente e preparada para os desafios do futuro”, acrescenta.

135 milhões investidos desde 2017

Entre 2017 e 2026, a Central de Cervejas e Bebidas investiu 135 milhões de euros na transição energética das suas unidades de produção. A jornada começou há mais de uma década com medidas de eficiência energética, incluindo a instalação de painéis solares nas unidades de produção. Desde 2024, as operações da empresa são alimentadas por eletricidade 100% renovável.

Em 2026, com a entrada em funcionamento da bomba de calor, a empresa afirma assinalar um dos marcos mais importantes na transição da energia térmica para fontes renováveis.

A inauguração contou com a presença de Jean Barroca, secretário de Estado Adjunto e da Energia. “Falamos muitas vezes de transição energética como se fosse apenas um conjunto de planos, metas e regulamentos. Mas a verdade é que a descarbonização da economia decide-se aqui, no chão de uma fábrica, onde cada euro investido tem de fazer sentido em dois planos ao mesmo tempo – o ambiental e o económico”, afirma.

Segundo o governante, projetos como este mostram que não é necessário escolher entre produzir mais e poluir menos. “Quando a sustentabilidade e a competitividade caminham lado a lado, é possível reduzir a dependência energética do exterior, criar valor para a economia e reforçar a capacidade do país para decidir o seu próprio futuro”.

Bateria térmica prevista para 2028

A Central de Cervejas e Bebidas prevê dar continuidade à descarbonização da energia térmica em 2028, com recurso a uma bateria térmica. Esta solução deverá armazenar eletricidade renovável sob a forma de calor de alta temperatura, fornecendo vapor livre de emissões de carbono. A bateria será carregada com energia renovável, numa parceria tecnológica com EDP/Rondo, anunciada em novembro do ano passado.

A empresa tem como objetivo atingir a neutralidade carbónica na produção até 2030. Quando essa meta for alcançada, a Cervejeira de Vialonga passará a produzir cerveja com energia 100% renovável, tendo em vista a descarbonização de toda a cadeia de valor até 2040.

Cartaz da conferência Grande Consumo: “Consumo na Era da Imprevisibilidade”, 4 de novembro de 2026, Taguspark, Oeiras
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