Copo de cerveja dourada com espuma, iluminado sobre fundo escuro

Cerveja: cada euro de receita fiscal gera quase 37 euros para o Estado

Em 2024, cada euro de receita fiscal diretamente associado à atividade cervejeira gerou 36,86 euros de receita fiscal total para o Estado, considerando IRS, IRC e contribuições para a Segurança Social, mas excluindo o IVA.

Este é um dos principais resultados do estudo “Impacto Socioeconómico do Setor Cervejeiro em Portugal”, desenvolvido pela Nova School of Business and Economics, divulgado pela APCV – Cervejeiros de Portugal por ocasião do Dia Internacional da Cerveja, celebrado na primeira sexta-feira de agosto. O cálculo inclui os efeitos diretos, indiretos e induzidos ao longo da cadeia de valor.

O relatório detalha ainda o impacto do setor na economia nacional, após uma primeira apresentação que estimava o seu contributo para 2,53% do PIB e mais de 170 mil empregos diretos, indiretos e induzidos.

Remunerações e produtividade

O impacto da atividade cervejeira é igualmente expressivo na geração de rendimento. Por cada euro pago diretamente em remunerações pelo setor, são gerados 32,50 euros em remunerações no conjunto da economia portuguesa. No total, a atividade esteve associada a 2.776,2 milhões de euros em remunerações em 2024.

O setor caracteriza-se ainda por emprego qualificado, estável e com elevada capacidade de criação de valor. Em 2024, gerou 130.612 euros de valor acrescentado por trabalhador, quase três vezes acima da média da economia portuguesa e perto do dobro da indústria das bebidas. Quase nove em cada 10 trabalhadores têm contrato sem termo e a proporção de trabalhadores licenciados é superior à média nacional.

Em 2024, foram realizados 545,21 milhões de euros de gastos diretos na economia portuguesa, excluindo importações, através da aquisição de bens e serviços a fornecedores e prestadores de serviços nacionais.

O estudo destaca igualmente o peso do canal Horeca na economia do setor. Em Portugal, cerca de 70% da cerveja é comercializada através da restauração, hotelaria, cafés e bares, fazendo do país o mercado europeu onde o consumo fora de casa tem maior expressão.

“O impacto económico do setor não se concentra, assim, apenas a montante, na produção de cerveja e nos fornecedores, mas estende-se de forma muito significativa a jusante, através da distribuição, da restauração, da hotelaria, dos cafés e de milhares de estabelecimentos espalhados pelo país“, refere em comunicado.

Vendas crescem 1,67% no primeiro semestre

Os dados preliminares relativos ao primeiro semestre de 2026 revelam um crescimento de 1,67% das vendas no mercado interno, face ao período homólogo.

A principal tendência do mercado português continua a ser a forte evolução da cerveja sem álcool. Depois de ter crescido 11,5% em 2025, o segmento registou, no primeiro semestre de 2026, um aumento de cerca de 12% nas vendas e de quase 17% na produção.

A evolução do mercado nacional contrasta com a tendência registada na União Europeia. De acordo com o mais recente relatório European Beer Trends, da Brewers of Europe, a produção de cerveja na UE diminuiu 2,9% em 2025, enquanto o consumo recuou 3,2%. Em sentido contrário a esta contração geral, a cerveja sem álcool continuou a crescer no mercado europeu. Os volumes na UE aumentaram 5,87% em 2025 e mais de 38% desde 2020. Atualmente, uma em cada 12 cervejas consumidas na UE é sem álcool.

Publicidade

Cartaz da conferência Grande Consumo: “Consumo na Era da Imprevisibilidade”, 4 de novembro de 2026, Taguspark, Oeiras
Cartaz da conferência Grande Consumo: “Consumo na Era da Imprevisibilidade”, 4 de novembro de 2026, Taguspark, Oeiras
Siga-nos em sidebar-1