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Centro-piloto do sabugueiro nasce para desenvolver produtos alimentares mais saudáveis

Criar um centro-piloto no concelho de Tarouca dedicado à investigação do sabugueiro, com vista ao desenvolvimento de produtos alimentares saudáveis e ao incremento da economia local e nacional, é um dos grandes objetivos do SambucusValor, que junta a Universidade de Aveiro (UA) a várias empresas e associações do sector agroalimentar.

Nascido este mês de abril, o projeto teve como ponto de partida a descoberta na UA de que as bagas e as flores do sabugueiro têm compostos químicos que têm efeitos benéficos para a saúde, nomeadamente no controlo da diabetes. Com sede em Tarouca, onde o arbusto está fortemente implantado, o projeto SambucusValor pretende tirar partido do facto de, em Portugal, existirem culturas de sabugueiro com boa capacidade de adaptação às condições naturais e de cultivo.

O sabugueiro, antevê a UA, “pode funcionar como uma excecional fonte de matéria-prima para o desenvolvimento de produtos alimentares de valor acrescentado, em linha com as atuais tendências de mercado, nomeadamente a valorização de produtos naturais, locais, saudáveis, práticos de consumir e que confiram prazer e bem-estar”. Assim, o SambucusValor visa o desenvolvimento de produtos alimentares de valor acrescentado a partir do sabugueiro, com vista a aumentar a sua penetração nos mercados interno e externo.

Este projeto “pretende contribuir para a valorização integrada deste recurso endógeno português, com base na criação de indicadores de qualidade e de estratégias de produção e transformação sustentáveis, nomeadamente tirando partido das competências e recursos instalados nas entidades parceiras e que deverão conduzir à criação de um centro-piloto do sabugueiro potenciador deste desenvolvimento”. P

ara além da equipa de investigadores dos departamentos de Química e de Engenharia Mecânica da UA, também o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, a Inovterra, a InovFood, a Publindustria, a Oldland e Alberto Carvalho Neto fazem parte do SambucusValor.

Na génese do SambucusValor está a investigação realizada por Ângelo Salvador, do departamento de Química da UA. “Identificámos, pela primeira vez, na baga e na flor de sabugueiro dezenas de compostos bioativos benéficos para a saúde humana”, congratula-se Ângelo Salvador que, desde 2012, ano em que iniciou o doutoramento em Química, tem investigado os potenciais efeitos de uma alimentação enriquecida com extratos daquele arbusto.

Com testes realizados para já em animais, Ângelo Salvador revela que o enriquecimento da respetiva dieta com diferentes extratos de baga e de flor de sabugueiro, entre compostos fenólicos, esteróis e terpénicos, permitiu reduzir os níveis glicémicos em jejum e otimizar o trabalho da insulina. Conclusões que permitem antever que o arbusto pode ter um “impacto potencial no controlo, através da dieta, de uma patologia que atualmente afeta milhões de pessoas em todo o mundo”.

O enriquecimento da alimentação com extratos da baga de sabugueiro, lembra Ângelo Salvador, “não poderá ser encarado como um tratamento, mas como parte integrante de uma dieta saudável e variada”. Tal “potencia a prevenção e, possivelmente, o controlo da doença”.

O trabalho de doutoramento realizado por Ângelo Salvador no departamento de Química teve orientação científica de Sílvia Rocha e de Armando Silvestre, das unidades de investigação Química Orgânica, Produtos Naturais e Agroalimentares (QOPNA) e CICECO-Instituto de Materiais de Aveiro.

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