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Carne pode ser taxada para reduzir emissões poluentes

Com o gado a representar quase 15% das emissões de gases causadores do efeito de estufa, a carne poderá ser alvo de um novo imposto global.

De acordo com a Bloomberg, alguns investidores indicam que os governos mundiais irão procurar começar a tributar a produção de carne para melhorar a saúde pública e cumprir as metas estabelecidas para as emissões no Acordo do Clima de Paris.

Deputados da Dinamarca, da Alemanha, da China e da Suécia debateram, nos últimos dois anos, a criação de impostos relacionados com a pecuária, mas a ideia encontrou alguma resistência. Contudo, segundo o relatório do grupo de investidores FAIRR (Farm Animal Investment Risk & Return) Initiative, a carne pode ter o mesmo destino do tabaco, do carvão e do açúcar, atualmente tributados em 180, 60 e 25 jurisdições em todo o mundo, respetivamente.

As emissões de gases causadores do efeito de estufa provenientes do gado representam cerca de 14,5% do total mundial, segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), que projeta o aumento de 73% no consumo global de carne até meados deste século devido ao aumento da procura em economias como a Índia e a China. Isto pode resultar em custos de saúde e ambientais no valor de 1,36 mil milhões de euros, com impacto na economia global até 2050, segundo a FAIRR. “Os investidores começam a ponderar esta questão à semelhança do que fazem com a avaliação do risco climático”, afirma Rosie Wardle, que gere os compromissos de investidores na FAIRR. “Está agora mais assente que precisamos de enfrentar a questão da produção e do consumo de gado para atingir o limite de aquecimento global de dois graus“.

Os investidores começam a pressionar as empresas para diversificarem a sua atividade para as proteínas vegetais e a sugerir que os produtores de gado usem “preços-sombra” para a carne, semelhantes a um preço interno de carbono, para estimar os custos futuros. Recentemente, um fundo de capital de risco detido pela Tyson Foods fez um novo investimento na Beyond Meat, que produz hambúrgueres de base vegetal. O projeto que tem também o apoio do bilionário Bill Gates e de Leonardo DiCaprio e é vendido em milhares de supermercados e restaurantes nos Estados Unidos da América.

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