A Campari chegou a acordo para vender as marcas Bisquit&Dubouché Cognac, Cabo Wabo Tequila e um conjunto de marcas de rum, prosseguindo o plano de desinvestimento em ativos considerados não estratégicos, iniciado em 2024. O objetivo passa por concentrar recursos nas suas marcas prioritárias.
A fabricante do Aperol vai alienar a marca Bisquit&Dubouché Cognac e a Cabo Wabo Tequila à empresa irlandesa Cobblestone Brands. Além disso, acordou a venda da Bellonnie et Bourdillon Successeurs, produtora martinicana de rhum agricole responsável pelas marcas Trois Rivières, Maison La Mauny e Duquesne, a um operador industrial francês cuja identidade não foi divulgada. De acordo com a Just Drinks, ambas as operações deverão estar concluídas até ao final de outubro e representam um valor estimado conjunto de cerca de 30 milhões de euros.
A Campari esclareceu que a venda da Bisquit&Dubouché e da Cabo Wabo inclui os direitos de propriedade intelectual, os inventários de produto acabado e, no caso da marca de Cognac, os ativos imobiliários associados ao negócio. O acordo contempla ainda um contrato transitório de produção para a Cabo Wabo.
Fundada em 1996 pelo músico norte-americano Sammy Hagar, a Cabo Wabo foi adquirida pela Campari em duas fases: 80% do capital em 2007, por 80 milhões de dólares, e os restantes 20% em 2010.
Já a Bisquit&Dubouché, criada em 1819, apresenta maior expressão no mercado sul-africano, além de presença na Europa, região Ásia-Pacífico e no canal de retalho travel retail, segundo a Cobblestone Brands. Num comunicado, a empresa irlandesa classificou a aquisição das duas marcas como “o marco mais significativo” da sua história.
Este movimento dá continuidade à estratégia de simplificação do portefólio da Campari. Em dezembro, o grupo vendeu as marcas Averna e Zedda Piras à italiana Illva Saronno por 100 milhões de euros. Antes disso, alienou a marca de vermute Cinzano ao Caffo Group 1915 pelo mesmo valor e anunciou a venda da sua unidade de produção e operações de co-packing na Austrália.
Crescimento orgânico sustenta resultados
Apesar da redução do portefólio, a Campari mantém a previsão de crescimento orgânico das vendas líquidas de cerca de 3% no conjunto do ano e reviu em alta a estimativa da margem de EBIT ajustado, beneficiando de um impacto positivo de cerca de 10 milhões de euros associado a um contexto tarifário mais favorável.
No primeiro semestre, o grupo registou vendas líquidas de 1,51 mil milhões de euros, menos 1% em termos reportados, mas mais 2,7% em base orgânica. O EBIT ajustado cresceu 8,5% organicamente, para 358 milhões de euros, enquanto o lucro líquido ajustado aumentou 4,7%, para 226 milhões de euros.








