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Bosch traça novo rumo após ano financeiro difícil e reforça aposta na Estratégia 2030

A Bosch encerrou 2025 com resultados preliminares que confirmam um ano financeiro particularmente desafiante, marcado por fraco dinamismo económico global, ajustamentos estruturais profundos e pressão crescente sobre custos e margens.

As receitas de vendas mantiveram-se praticamente estáveis, atingindo 91 mil milhões de euros, mas a margem EBIT das operações caiu para 1,9%, significativamente abaixo das expectativas e longe do objetivo mínimo de 7% definido pela própria empresa.

Stefan Hartung, presidente do conselho de administração da Bosch, admite que “2025 foi um ano difícil e, por vezes, doloroso”, mas sublinha que a empresa está a preparar o seu futuro com base numa estratégia de longo prazo que reforça a competitividade e acelera a inovação. “A nossa estratégia irá ajudar-nos a superar as realidades económicas e a aproveitar oportunidades”, afirmou.

Competitividade em foco: cortes de custos, reorganização e aposta global

A Bosch intensificou em 2025 a execução da Estratégia 2030, que define como prioridade reduzir a lacuna de custos, reforçar a capacidade de investimento e garantir que a empresa se mantém entre os três principais fornecedores nos seus mercados-chave. Entre as medidas mais sensíveis está a eliminação de cerca de 13 mil postos de trabalho a nível mundial, impulsionada sobretudo pela transformação estrutural no sector da mobilidade e pela intensa pressão de preços na indústria automóvel.

Segundo Stefan Hartung, estas medidas, embora difíceis, são indispensáveis para assegurar a continuidade económica da empresa. Já Markus Forschner, diretor financeiro, destaca que a melhoria da estrutura de custos será determinante para recuperar margens e financiar investimentos de longo prazo.

Mobilidade orientada por software gera 10 mil milhões em novas encomendas

Apesar do ambiente adverso, a Bosch manteve a aposta decidida em segmentos estratégicos, como a mobilidade orientada por software, onde assegurou encomendas no valor de 10 mil milhões de euros. Soluções como o Vehicle Motion Management, tecnologias de condução automatizada e sensores de última geração reforçam a posição da Bosch como um dos fornecedores tecnológicos mais relevantes do sector automóvel global.

A empresa prevê que este mercado ganhe tração significativa ao longo da próxima década, impulsionado pela crescente complexidade eletrónica e digital dos veículos.

Inovação e aquisições alimentam novo ciclo de crescimento

A Bosch também acelerou investimentos em inovação e integrou novas áreas de negócio resultantes de aquisições recentes, especialmente na divisão Home Comfort, que pretende quase duplicar as suas receitas para oito mil milhões de euros a médio prazo. A divisão de Ferramentas Elétricas mantém igualmente um ritmo acelerado de desenvolvimento, planeando lançar dois mil novos produtos até 2027.

A inteligência artificial assume um papel central nesta estratégia: a Bosch prevê investir 2,5 mil milhões de euros em IA até 2027 e já apresentou, na CES 2025, um novo computador de alto desempenho destinado a revolucionar os cockpits automóveis.

Europa perde terreno devido ao ceticismo tecnológico, alerta Bosch

No plano geoeconómico, a Bosch chama a atenção para um risco crescente: o ceticismo face ao progresso tecnológico na Europa. O estudo Bosch Tech Compass revelou que menos de dois terços dos alemães acreditam no impacto positivo da inovação tecnológica, com números ainda mais baixos em França. Para Stefan Hartung, esta tendência ameaça a prosperidade europeia. “A única forma de competir globalmente é promover o progresso tecnológico com coragem e determinação”, afirmou, defendendo o desenvolvimento de sectores como a inteligência artificial e o hidrogénio.

Construção fraca e consumo retraído penalizam resultados

O impacto do abrandamento económico sentiu-se de forma desigual nos vários sectores da Bosch. A mobilidade registou 56 mil milhões de euros em vendas (+0,3%), enquanto a Tecnologia Industrial manteve receitas de 6,5 mil milhões (+0,9%). Já o sector de Bens de Consumo sofreu queda nominal de 1,9%, pressionado pela retração dos consumidores, embora apresentasse crescimento após ajustamento cambial. A área de Energia e Tecnologia de Edifícios foi uma das poucas a crescer com força, impulsionada pela integração do negócio de soluções AVAC.

Regionalmente, a Europa apresentou desempenho negativo, enquanto as Américas e a região Ásia-Pacífico mostraram sinais de recuperação graças ao ajustamento cambial e a mercados mais dinâmicos.

2026: sem alívio à vista, mas com confiança no futuro

A Bosch prevê que 2026 continue a ser um ano desafiante, com crescimento global estimado de apenas 2,3% e pressão adicional devido ao impacto total das tarifas e ao aumento da concorrência. A empresa assume que só atingirá a sua margem-alvo de 7% em 2027, no mínimo, mas acredita que as medidas já em curso irão começar a traduzir-se em melhorias graduais.

“Os efeitos positivos chegarão assim que melhorarmos a nossa situação de custos e competitividade”, garantiu Markus Forschner, reforçando que a Bosch está a criar a base para um novo ciclo de crescimento sustentado.

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