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Banco Mundial espera que preços dos alimentos continuem elevados por vários anos

Foto Shutterstock

A guerra na Ucrânia provocou um grande choque nos mercados das matérias-primas, alterando os padrões globais de comércio, produção e consumo, de forma que os preços se mantenham em níveis historicamente elevados, até ao final de 2024, de acordo com a mais recente edição do relatório do Banco Mundial, intitulado “Commodity Markets Outlook”.

Na sua primeira análise exaustiva do impacto da guerra nos mercados das “commodities”, a instituição, que concede empréstimos e subsídios a países de baixo e médio rendimento, disse que o mundo enfrenta o maior choque desde a década de 1970. O aumento dos preços da energia, nos últimos dois anos, foi o mais pronunciado desde a crise do petróleo de 1973 e a subida dos preços das matérias-primas alimentares, as quais, a Rússia e a Ucrânia são grandes produtores, e dos fertilizantes, em cuja produção é utilizado gás natural, têm sido os mais pronunciados desde 2008. “No seu conjunto, representam a maior crise nos produtos básicos vivida desde a década de 1970. Tal como então, a crise é agravada pelo aumento das restrições ao comércio de alimentos, combustíveis e fertilizantes“, afirma Indermit Gill, vice-presidente do Banco Mundial para o Crescimento Equitativo, Finanças e Instituições. “Estes eventos começaram a agitar o espectro da estagnação. Os decisores políticos devem aproveitar todas as oportunidades para aumentar o crescimento económico nos seus países e evitar tomar medidas que causem danos à economia global“.

A Rússia é o maior exportador mundial de gás natural e de fertilizantes e o segundo maior exportador de crude. Juntamente com a Ucrânia, representa quase um terço das exportações globais de trigo, 19% das exportações de milho e 80% das exportações de óleo de girassol. A produção e as exportações destas e de outras “commodities” foram interrompidas, desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 24 de fevereiro.

 

Expectativas

Como resultado, o Banco Mundial espera que os preços da energia aumentem mais de 50%, em 2022, antes de abrandarem em 2023 e 2024, enquanto os preços dos produtos não energéticos, incluindo os provenientes da agricultura e os metais, deverão subir quase 20%, em 2022, antes de moderarem nos anos seguintes.

No entanto, prevê-se que os preços das matérias-primas se mantenham elevados e muito acima da média dos últimos cinco anos. Se a guerra se arrastar ou se forem aplicadas sanções adicionais à Rússia, poderão aumentar ainda mais e mostrar mais volatilidade do que a atualmente prevista.

Os mercados das ‘commodities’ estão a atravessar uma das maiores crises de abastecimento em décadas, devido à guerra na Ucrânia“, reforça Ayhan Kose, diretor do Grupo Outlook do Banco Mundial, que produz o relatório. “O consequente aumento dos preços dos alimentos e da energia está a gerar um elevado custo humano e económico e, provavelmente, irá abrandar os progressos na redução da pobreza. O aumento dos preços das matérias-primas agrava as pressões inflacionistas, já elevadas em todo o mundo“, acrescenta.

Os preços do trigo deverão aumentar mais de 40%, este ano, e atingir um máximo de sempre em termos nominais, o que exercerá pressão sobre as economias em desenvolvimento, que dependem das importações de trigo, especialmente as da Rússia e da Ucrânia.

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