Homem posa com os braços cruzados num olival, rodeado por filas de oliveiras num cenário agrícola ao ar livre. A imagem retrata um produtor ligado ao setor do azeite e da olivicultura, num ambiente rural marcado pela paisagem típica mediterrânica Manuel Norte Santo, presidente do CEPAAL - Centro de Estudos e Promoção do Azeite do Alentejo

Azeite: Portugal produz qualidade de excelência – agora tem de aprender a comunicá-la

Manuel Norte Santo, presidente do CEPAAL, analisa os desafios e oportunidades do azeite português num momento de transformação do sector

Portugal é hoje o sexto maior produtor mundial de azeite e o terceiro maior exportador europeu, com uma fileira que vale cerca de 700 milhões de euros e exportações que superaram os mil milhões nas campanhas de 2023 e 2024. Uma ascensão assinalável, construída sobre décadas de modernização do olival, da aposta em tecnologia de ponta e do papel transformador do Alqueva no Alentejo.

Ainda assim, o sector enfrenta um paradoxo: produz mais de 90% de azeite extra virgem – a melhor taxa do mundo –, mas continua a exportar uma parte significativa da produção a granel, sob marcas estrangeiras, sem capturar o valor acrescentado que a qualidade justificaria. Em entrevista à Grande Consumo, Manuel Norte Santo, presidente do CEPAAL – Centro de Estudos e Promoção do Azeite do Alentejo, faz um balanço do 9.º Congresso Nacional do Azeite e traça o caminho que o sector precisa de percorrer: da inteligência artificial nos olivais à conquista do mercado indiano, passando pela construção de marcas portuguesas fortes e diferenciadas.

A fileira do azeite representa hoje cerca de 700 milhões de euros e Portugal é o sexto maior produtor mundial e o terceiro maior exportador europeu. Como chegámos aqui? Quais foram os fatores determinantes desta transformação estrutural da fileira nas últimas décadas?

Um dos principais motores desta evolução foi o forte investimento realizado na modernização do olival e dos lagares. Portugal está atualmente na vanguarda tecnológica da produção de azeite, tanto ao nível agrícola como industrial. A introdução de olivais modernos e em sebe, sistemas de rega eficientes, mecanização da colheita e práticas agronómicas inovadoras permitiram ganhos muito significativos de produtividade e qualidade.

Neste percurso, o papel do Alqueva foi absolutamente determinante. A disponibilidade de água proporcionada pelo projeto Alqueva, transformou profundamente a capacidade produtiva do Alentejo, criando condições para investimentos de grande escala. O Alqueva trouxe estabilidade hídrica, competitividade e capacidade de crescimento, sendo hoje um dos pilares da afirmação internacional do azeite português.

“Acredito que o futuro passa por aumentar o peso das exportações sob marcas portuguesas fortes e diferenciadas, capazes de valorizar não apenas o produto, mas também a origem, a qualidade e a identidade do azeite português. Essa evolução permitiria gerar maior valor acrescentado, reduzir a dependência das oscilações do mercado internacional e tornar o sector menos vulnerável à volatilidade dos preços”

As exportações superaram os mil milhões de euros nas campanhas de 2023 e 2024. O sector mantém um excedente comercial de 92 milhões de euros nos primeiros dois meses de 2026, ainda que com menos volume transacionado. Como interpreta estes números? São um sinal de maturidade ou de pressão sobre os volumes?

Creio que estes números são, acima de tudo, um sinal de maturidade do sector.  A redução do valor exportado em 2026 está acima de tudo relacionada com a descida do preço do azeite nos mercados internacionais, após os níveis excecionais registados nos últimos anos devido à quebra de produção em vários países mediterrânicos. Como Portugal continua ainda muito dependente da exportação de azeite a granel, acaba por ficar mais exposto à volatilidade dos preços globais.

É precisamente aqui que existe um enorme potencial de crescimento para o sector português. Temos hoje capacidade produtiva, qualidade reconhecida e tecnologia de ponta, tanto no olival como no lagar, mas ainda exportamos uma parte significativa da nossa produção sem marca própria. Isso limita a capacidade de captura de valor acrescentado por parte das empresas nacionais.

Acredito que o futuro passa por aumentar o peso das exportações sob marcas portuguesas fortes e diferenciadas, capazes de valorizar não apenas o produto, mas também a origem, a qualidade e a identidade do azeite português. Essa evolução permitiria gerar maior valor acrescentado, reduzir a dependência das oscilações do mercado internacional e tornar o sector menos vulnerável à volatilidade dos preços.

O azeite virgem desceu para 5,07 euros/litro no final de 2025, após um período de forte pressão inflacionista. Do ponto de vista do retalho e do consumidor, este ajustamento de preços é uma boa notícia. Mas qual é o impacto nas margens dos produtores?

A descida resulta sobretudo de uma campanha menos negativa em Espanha – o maior produtor mundial. Depois de dois anos marcados por fortes quebras de produção devido à seca e às condições climáticas adversas, a recuperação para uma campanha considerada média trouxe maior disponibilidade de produto ao mercado e, consequentemente, uma correção dos preços internacionais.

Do ponto de vista do retalho e do consumidor, este ajustamento é naturalmente positivo, porque reduz a pressão inflacionista sentida nos últimos anos. No entanto, para os produtores, o impacto é mais desafiante, sobretudo porque esta redução dos preços acontece num contexto em que os custos de produção continuam a seguir uma tendência inversa. Energia, mão de obra, fertilizantes, embalagens e custos financeiros permanecem em níveis elevados, comprimindo as margens da produção.

Ainda assim, importa referir que os preços atuais continuam, de forma geral, num patamar que dá alguma sustentabilidade e segurança ao sector, especialmente aos produtores mais eficientes e aos modelos de olival moderno com maiores produtividades. Obviamente que quem estará a sentir uma maior pressão são sobretudo os produtores de olival tradicional e de menor produtividade, que têm custos unitários significativamente mais elevados e menor capacidade para absorver oscilações de mercado. Nestes casos, uma descida mais acentuada dos preços pode comprometer a rentabilidade e aumentar a pressão sobre a viabilidade económica de algumas explorações.

Portugal produz mais de 90% de azeite extra virgem – a melhor taxa do mundo. Contudo, esse valor qualitativo nem sempre se reflete no preço final ao consumidor. O que falta para que o azeite português seja reconhecido e pago como produto premium nos mercados internacionais?

Este facto demonstra o enorme investimento feito pelo sector em tecnologia, modernização e conhecimento técnico, quer no olival quer nos lagares. Contudo, essa superior qualidade nem sempre se traduz no valor final pago pelo consumidor internacional e isso acontece porque ainda existe um desfasamento entre a qualidade que produzimos e a força comercial com que nos apresentamos nos mercados externos.

Portugal produz azeites de excelência, mas tem-se concentrado sobretudo em produzir bem e menos em comunicar, posicionar e valorizar comercialmente essa qualidade junto do consumidor final. Uma parte significativa da produção continua ainda a ser exportada a granel, acabando muitas vezes comercializada sob marcas estrangeiras, o que impede Portugal de capturar todo o valor acrescentado associado ao produto.

Para que o azeite português seja verdadeiramente reconhecido como um produto premium, é fundamental reforçar a presença internacional das marcas portuguesas e criar uma narrativa mais forte em torno da origem, autenticidade, sustentabilidade e tradição olivícola portuguesa.

A diferenciação e a construção de marca são apontadas como fatores críticos para sustentar margens. Que exemplos concretos de posicionamento premium estão a funcionar no sector? E como é que a grande distribuição tem respondido a essa lógica de valorização?

Os exemplos de posicionamento premium que melhor têm funcionado no sector do azeite são precisamente aqueles que conseguiram ir além da lógica puramente produtiva e criar uma ligação emocional e identitária com o consumidor. Hoje, os mercados valorizam cada vez mais produtos com origem, autenticidade, história e propósito e é aí que algumas marcas de azeite têm conseguido diferenciar-se.

A grande distribuição, por sua vez, tem vindo a adaptar-se gradualmente a esta lógica de valorização. Durante muitos anos, o azeite foi tratado sobretudo como um produto promocional e altamente sensível ao preço. Hoje, os retalhistas começam a perceber que existe um segmento de consumidores disposto a pagar mais por qualidade e diferenciação. Isso tem levado ao aumento da presença de gamas premium nas prateleiras, maior destaque para azeites diferenciados e até ao desenvolvimento de categorias mais segmentadas dentro do linear. No entanto, continua a existir uma forte pressão promocional no sector, especialmente nas gamas mais generalistas, o que dificulta muitas vezes a valorização sustentada do produto.

A modernização do Alentejo como polo produtivo é notória. Mas até que ponto esta transformação tecnológica é acessível a todos os produtores, incluindo os pequenos olivicultores tradicionais?

É importante garantir que esta modernização seja inclusiva, sem dúvida. A tecnologia está a tornar-se cada vez mais acessível e existem hoje soluções mais simples e económicas que podem ajudar também os pequenos produtores a ganhar eficiência e sustentabilidade.

Além disso, o olival tradicional português tem um enorme valor diferenciador, talvez não consiga competir pela produtividade, mas pode afirmar-se pela autenticidade, biodiversidade, variedades autóctones e sustentabilidade. O futuro do sector deve passar por conseguir combinar inovação tecnológica com valorização do património olivícola tradicional português.

O acordo entre a União Europeia e a Índia abre o acesso a um mercado de mais de 1,47 mil milhões de consumidores. Em termos práticos, o que muda para os exportadores portugueses? Quais as barreiras tarifárias que caem e que volumes de exportação se perspetivam?

Com a assinatura do acordo, as tarifas sobre a importação de azeite passarão de 45% para 0% no prazo de cinco anos, pelo que a previsão de crescimento é grande. Segundo um estudo realizado pela AICEP, “Acordo de Livre Comércio UE-Índia: Oportunidades para as empresas portuguesas”, em 2030, o mercado indiano de azeite deverá alcançar os 253 milhões de dólares. Sendo Portugal um grande produtor, importa antecipar este crescimento para conquistar quota face aos atuais e futuros exportadores.

O consumidor indiano tem uma tradição de consumo de outros óleos vegetais. Como se posiciona o azeite português neste mercado – como produto de nicho premium, como alternativa saudável ou como ingrediente culinário a introduzir nos hábitos locais?

Na Índia, o consumo anual de azeite ronda as 1.700 toneladas, um nível bastante reduzido face à dimensão do país. Em comparação com Portugal, equivale a cerca de 2% do nosso consumo médio.

Historicamente, o azeite na Índia não entrou pela via alimentar, mas sim pelos cuidados pessoais e terapêuticos. Inserido numa cultura profundamente marcada por práticas de medicina alternativa, os óleos sempre tiveram um papel central e o azeite acabou por ganhar espaço, sobretudo, nesse contexto.

Ainda assim, este cenário não exclui um crescimento significativo, já que o azeite começa a ganhar reconhecimento pelos seus benefícios para a saúde. Considerando que o mercado indiano é dominado por outros óleos alimentares, o investimento em promoção e divulgação será determinante para desbloquear esse potencial.

“Na Ásia, além da Índia, destacam-se mercados como a China, o Japão e a Coreia do Sul. São países onde o consumo per capita ainda é relativamente baixo, mas onde existe crescente interesse por alimentação saudável e produtos gourmet”

Além da Índia, que outros mercados estão no radar do sector para diversificar destinos e reduzir a dependência dos mercados europeus tradicionais?

Na Ásia, além da Índia, destacam-se mercados como a China, o Japão e a Coreia do Sul. São países onde o consumo per capita ainda é relativamente baixo, mas onde existe crescente interesse por alimentação saudável e produtos gourmet. A Coreia do Sul, por exemplo, tem mostrado uma evolução muito interessante no consumo de azeite de qualidade e pode ser um mercado relevante para marcas portuguesas mais diferenciadas.

Os Estados Unidos da América continuam a ser um mercado prioritário, não apenas pela dimensão, mas também porque o consumidor americano valoriza cada vez mais produtos associados à dieta mediterrânica, sustentabilidade e qualidade. É um mercado onde o azeite português ainda tem margem significativa para crescer em notoriedade e posicionamento premium.

O Alentejo é uma região com pressão hídrica crescente. Como está o sector do azeite a responder a este desafio? Que tecnologias ou modelos de gestão da água estão a ser adotados?

O sector tem plena consciência dessa realidade e, precisamente por isso, tem vindo a investir fortemente em tecnologias e modelos de gestão cada vez mais eficientes e sustentáveis. Hoje, grande parte dos olivais modernos utiliza sistemas de rega gota-a-gota altamente eficientes, que permitem fornecer à planta apenas a água necessária, no momento certo e com perdas mínimas.

Paralelamente, têm sido adotadas tecnologias de agricultura de precisão, com sensores de humidade no solo, estações meteorológicas, imagens de satélite e agora, espera-se, ferramentas de inteligência artificial capazes de monitorizar em tempo real as necessidades hídricas do olival

. Existe também uma crescente preocupação com práticas agronómicas mais sustentáveis, como a melhoria da estrutura do solo, manutenção de cobertos vegetais, aumento da matéria orgânica e técnicas que favorecem a retenção de água no solo e reduzem a evaporação.

As alterações climáticas têm impacto direto na produção – a campanha 2025/2026 deverá situar-se nas 160 mil toneladas, abaixo do ciclo anterior. Como se prepara o sector para uma maior variabilidade climática sem comprometer a competitividade?

O sector está a preparar-se para essa nova realidade através de um forte investimento em tecnologia, eficiência e adaptação agronómica. Nos últimos anos, a olivicultura portuguesa tornou-se muito mais resiliente graças à modernização do olival, à profissionalização do produtor e ao impacto transformador do Alqueva, que trouxe maior segurança hídrica ao Alentejo. Hoje, os produtores recorrem cada vez mais à agricultura de precisão, sensores, monitorização climática e sistemas avançados de rega para otimizar recursos e antecipar riscos.

A gestão eficiente da água tornou-se absolutamente central, sobretudo num contexto de maior frequência de secas e temperaturas extremas. A campanha de 25/26 foi um exemplo disso mesmo e, graças a uma otimização dos recursos hídricos, o sector conseguiu minimizar o impacto e prevemos ter um decréscimo apenas de 10% relativamente a 24/25.

A sustentabilidade ambiental é cada vez mais um critério de compra no mercado europeu. O azeite português está a saber comunicar as suas práticas sustentáveis junto dos consumidores e distribuidores internacionais?

O sector tem vindo a evoluir bastante nessa área, mas creio que ainda existe um caminho importante a percorrer ao nível da comunicação e valorização das práticas sustentáveis junto dos consumidores internacionais.

Na realidade, grande parte da olivicultura portuguesa moderna já incorpora práticas muito avançadas em termos de eficiência hídrica, gestão de recursos, redução de impacto ambiental e inovação tecnológica. O problema é que muitas vezes fazemos melhor do que aquilo que conseguimos comunicar. Hoje, os consumidores europeus valorizam cada vez mais esses temas e o azeite português tem, efetivamente, argumentos muito fortes nesse domínio, contudo temos falhado nessa divulgação. Temos de ser melhores a comunicar os nossos atributos junto do consumidor final.

Um dos painéis do congresso foi dedicado à inteligência artificial no processo de decisão agrícola. Em que áreas é que a IA está já a ser utilizada na olivicultura e qual é o impacto concreto na produtividade e na gestão do risco?

A inteligência artificial está a começar a desempenhar um papel cada vez mais relevante na olivicultura, sobretudo nas explorações mais modernas e tecnologicamente avançadas. Portugal, graças à forte modernização do sector nas últimas décadas, encontra-se numa posição bastante favorável para integrar estas ferramentas no processo de decisão agrícola. Este será o próximo passo do nosso sector para continuarmos na vanguarda tecnológica no campo e na extração.

No olival, acreditamos que terá um forte impacto na monitorização das plantações através de sensores, imagens de satélite e drones, permitindo acompanhar em tempo real o estado hídrico das plantas, o desenvolvimento vegetativo, necessidades nutricionais ou sinais precoces de stress e doença.

Nos lagares, pode ajudar a otimizar o processo de extração ajustando automaticamente parâmetros como temperatura ou tempo de batimento consoante a variedade da azeitona e o seu estado de maturação. Além disso, através de sistemas de análise de imagem, poderá ser possível avaliar automaticamente o estado sanitário e o grau de maturação da azeitona à entrada do lagar, permitindo separar lotes e direcioná-los para diferentes perfis de produto.

No âmbito da comunicação do congresso, referiu que as tecnologias de IA “precisam de ser rapidamente trazidas para o coração do sector”. Qual é o principal obstáculo a essa adoçãoO É uma questão de literacia digital, de acesso a financiamento ou de cultura do sector?

Creio que o principal desafio não está apenas num único fator, mas sobretudo na conjugação desses três. Nas explorações mais modernas e profissionalizadas, a adoção pode ser relativamente rápida, porque existe maior escala, equipas técnicas mais preparadas e uma cultura de gestão orientada por dados.

No entanto, uma parte importante do sector continua a ser composta por estruturas mais pequenas ou tradicionais, onde a introdução destas tecnologias pode gerar alguma resistência, quer pela complexidade, quer pela dificuldade em avaliar o retorno imediato do investimento.

O 9.º Congresso Nacional do Azeite reuniu mais de 30 oradores em torno dos temas da eficiência, da IA e da valorização. Que mensagem central saiu do congresso, tanto para o sector como para o país? 

O Congresso Nacional do Azeite afirmou-se como um espaço privilegiado de partilha de ideias, experiências e contactos. Ao reunir diferentes intervenientes do sector e também especialistas de outras áreas, promoveu a circulação de conhecimento e incentivou a adoção de soluções inovadoras, quer na produção, quer na comercialização. Foram apresentados diversos casos de sucesso nestas áreas, com o objetivo de inspirar os participantes a refletir e a questionar de que forma poderiam também contribuir para fazer a diferença.

As expectativas em torno do evento confirmaram-se bastante positivas, com um forte envolvimento do sector e uma discussão aberta e construtiva sobre o papel das novas ferramentas digitais. Ficou claro que a gestão de dados será cada vez mais determinante para a tomada de decisão e o congresso ajudou a desmistificar e aproximar estas soluções dos produtores.

A mensagem que ficou foi, acima de tudo, de mobilização e união. O sector do azeite tem demonstrado, de forma clara, uma enorme capacidade de adaptação e evolução, mas vive atualmente um momento de transformação em que é essencial que todos se sintam parte ativa desse caminho. Mais do que aprofundar divergências internas, o foco deve estar naquilo que une o sector: valorizar o azeite português, reforçar o compromisso com a qualidade e manter uma atitude aberta à inovação e ao desenvolvimento. Só assim será possível continuar a crescer de forma sustentada e garantir que toda a fileira beneficia desse progresso.

Cartaz da conferência Grande Consumo: “Consumo na Era da Imprevisibilidade”, 4 de novembro de 2026, Taguspark, Oeiras
Cartaz da conferência Grande Consumo: “Consumo na Era da Imprevisibilidade”, 4 de novembro de 2026, Taguspark, Oeiras
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