Apenas 11% dos profissionais a nível global integra a IA como parte central do seu trabalho e 37% mantém-se cético quanto ao seu impacto, evidenciando um desalinhamento estrutural entre ambição e execução na adoção desta tecnologia, revela a Salesforce.
Apesar do investimento crescente, a IA continua longe de ser utilizada de forma consistente no dia a dia das empresas. De acordo com o estudo “Agentic Workplace Study 2025”, os dados indicam que a adoção efetiva permanece limitada, refletindo dificuldades não tanto na disponibilidade da tecnologia, mas na sua integração nos contextos reais de trabalho.
Este desfasamento materializa-se na forma como a IA está a ser implementada. No último ano, 28% das organizações reportou falhas em iniciativas ou projetos‑piloto, sugerindo que o ceticismo não resulta necessariamente de resistência à tecnologia, mas de experiências concretas que não geraram valor no contexto profissional.
“O valor da IA já não está em discussão. O que distingue as organizações é a sua capacidade de a integrar no trabalho real e não apenas de a testar. Sem confiança, integração e capacitação das equipas, a tecnologia dificilmente se traduz em impacto mensurável”, afirma Fernando Braz, Portugal country leader da Salesforce.
As falhas reportadas estão diretamente associadas à forma como a tecnologia é implementada. Entre os principais fatores identificados destacam-se a produção de resultados demasiado genéricos (30%), a falta de confiança nos outputs (28%) e a incapacidade das ferramentas compreenderem o contexto específico do negócio (22%). A estes juntam-se lacunas ao nível da formação (26%) e dificuldades na integração da IA nos processos de trabalho (21%), reforçando a ideia de que o desafio reside menos nas capacidades da tecnologia e mais na sua operacionalização, com impacto direto na confiança dos profissionais e na sua disposição para a integrar no trabalho diário.
Neste contexto, o estudo identifica um conjunto consistente de fatores críticos para uma adoção eficaz: soluções seguras, capazes de interpretar o contexto de negócio, integradas nas ferramentas já utilizadas pelas equipas e acompanhadas por programas de formação estruturados. A integração, mais do que a experimentação isolada, surge como o principal determinante da utilização efetiva.







