A amizade de longa data entre as famílias Amorim e Cotarella, unidas pela mesma paixão pelo vinho, continua a atravessar fronteiras e saberes, desta vez com uma imersão em Portugal dedicada aos vinhos italianos.
A prova decorreu em Lisboa, no ISA – Instituto Superior de Agronomia, e foi conduzida por Riccardo Cotarella, que apresentou a sua visão da Itália vínica através de alguns dos melhores vinhos brancos e tintos do país, representativos de diferentes regiões vitivinícolas. O evento foi reservado a jornalistas especializados, críticos, sommeliers e aos seis melhores alunos do mestrado em Enologia do ISA.
Segundo Luisa Amorim, “o objetivo é aprofundarmos o diálogo e o conhecimento entre dois dos grandes países do vinho a nível mundial, Portugal e Itália, que ao longo dos séculos desenvolveram uma observação empírica do seu vasto património genético e das suas práticas vitivinícolas ancestrais”.
A experiência e a sensibilidade de Riccardo Cotarella, uma das vozes mais respeitadas e influentes da enologia mundial, chegam agora à viticultura de montanha em Portugal, onde o enólogo se deixa desafiar pela enorme diversidade de castas nativas e pela arte de lotear em Portugal. Esta colaboração atravessa as três propriedades: Quinta Nova, no Douro, Taboadella, no Dão, e Herdade Aldeia de Cima, no Alentejo, esta última um projeto pessoal de Luisa Amorim.
“Nos projetos liderados por Luisa Amorim encontrei uma profunda atenção ao detalhe e ao saber‑fazer local, com cada propriedade a ter a sua própria equipa de viticultura e enologia — pessoas muito experientes e sábias na viticultura de montanha, com um enorme respeito pela filosofia da viticultura em mosaico, que explora nano e micro‑parcelas de castas nativas portuguesas”, afirma, por sua vez, Riccardo Cotarella.
“Em Portugal, os enólogos têm o privilégio de trabalhar com dezenas de variedades nativas e a capacidade de criar lotes únicos. A forma natural como estes grandes enólogos combinam tantas castas, preservando o equilíbrio e a identidade de cada vinho, é uma arte rara que nunca tinha presenciado.”
“Esta colaboração com a família Amorim, nomeadamente com a Luisa Amorim, é realmente inspiradora: há rigor, sensibilidade e uma harmonia natural que transforma a complexidade em beleza, criando as condições para produzir vinhos de verdadeira expressão global. Eu próprio venho aqui para partilhar e também aprender”, acrescenta.
Luisa Amorim sublinhou a importância desta relação, que permitirá partilhar conhecimento com a confiança “e a sabedoria de um grande amigo, e assim melhorar e afinar detalhes essenciais ao trabalho que desenvolvem”.
Mundos distintos, filosofias comuns
Dois mundos enológicos distintos, duas mentes que respeitam a identidade de cada origem e a respetiva cultura, e um grupo de enólogos residentes com vasta experiência trabalham agora em conjunto: António Bastos, da Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo (Douro), Rodrigo Costa, da Taboadella (Dão) e António Cavalheiro, da Herdade Aldeia de Cima (Alentejo).
Mais do que uma colaboração técnica, este é um encontro entre gerações e geografias. Uma aliança cultural e humana que procura reforça o papel de Portugal no mapa mundial do vinho.







