Ao longo das últimas décadas, a evolução da inteligência artificial (IA) tem sido marcada por avanços tecnológicos que redefinem continuamente o conceito de automação, eficiência e inovação nos mais variados sectores. Agora, segundo a GlobalData, uma das principais empresas globais de análise de dados e inteligência estratégica, é a vez da chamada Agentic AI ocupar o palco central, prometendo elevar a automação empresarial e industrial a novos patamares.
A GlobalData define Agentic AI como sistemas avançados de inteligência artificial capazes de agir de forma autónoma, tomando decisões e executando acções com supervisão humana limitada ou mesmo inexistente. Ao contrário das primeiras gerações de IA, que dependiam fortemente de comandos e validações humanas, a Agentic AI é composta por “agentes” inteligentes – programas de software que interagem com o seu ambiente, recolhem dados, e utilizam essa informação para desempenhar tarefas específicas, responder a perguntas e automatizar processos em nome dos utilizadores.
O potencial transformador da Agentic AI
A promessa da Agentic AI reside na sua capacidade de melhorar significativamente a eficiência dos fluxos de trabalho empresariais, reduzir custos operacionais e revolucionar a experiência do cliente. O seu funcionamento não se limita a simples processos repetitivos; estes agentes autónomos podem comunicar e colaborar entre si, oferecendo soluções complexas para ambientes altamente dinâmicos como fábricas, hospitais ou infraestruturas científicas. Nesses contextos, a orquestração de múltiplos agentes, cada um com uma função específica, poderá garantir operações mais seguras, ágeis e adaptadas às necessidades em tempo real.
A GlobalData antecipa que a Agentic AI será um elemento central na transformação digital dos sistemas empresariais, impulsionando a transição para arquiteturas inteiramente AI-native – ou seja, infraestruturas desenhadas de raiz para o funcionamento autónomo e inteligente.
Evolução do ecossistema Agentic AI
Segundo o relatório mais recente da GlobalData, “Agentic AI”, o ecossistema desta tecnologia está a crescer rapidamente. Empresas de software especializadas, plataformas de desenvolvimento de agentes e ferramentas agentic multiplicam-se, incluindo não só startups e integradores de sistemas, mas também gigantes da tecnologia. Para as organizações que não dispõem de recursos internos para criar os seus próprios agentes, o mercado oferece já uma vasta gama de soluções pré-configuradas, desenhadas para objetivos tão variados como a análise de resultados financeiros, geração automática de guiões de vídeo ou criação de perfis de clientes.
Atualmente, dezenas de empresas fornecem soluções agentic adaptadas a diferentes sectores, e esse número continua a aumentar à medida que a tecnologia amadurece e se dissemina.
Desafios para a adoção empresarial
Apesar do entusiasmo em torno do seu potencial, a adoção da Agentic AI nas empresas pressupõe a confiança de que estas ferramentas trarão valor de negócio comprovável – um ponto que, como nota Isabel Al-Dhahir, analista principal de strategic intelligence na GlobalData, permanece sujeito a algum ceticismo. O grau de autonomia e a abordagem metódica ao raciocínio, resolução de problemas e tomada de decisões são características que deverão colocar a Agentic AI muito além das iterações anteriores das ferramentas de IA generativa.
Contudo, a verdadeira prova de fogo será o desenvolvimento de agentes orientados para casos de uso práticos, de elevado valor e impacto, capazes de convencer decisores e utilizadores finais do seu mérito.
Agentic DevOps: um novo paradigma na automação de software
O sector tecnológico deposita também grandes expectativas na integração da Agentic AI nas práticas de DevOps, esperando superar até os êxitos da automação robótica de processos (RPA). O conceito de Agentic DevOps implica a incorporação de agentes autónomos em tarefas de desenvolvimento e operações, como a assistência à programação, integração contínua e entrega contínua (CI/CD), ou a gestão de infraestruturas como código (IaC).
Estes agentes poderão, por exemplo, sugerir melhorias de código, monitorizar pipelines de desenvolvimento, detetar e corrigir anomalias automaticamente, ou mesmo tomar decisões operacionais para maximizar a resiliência dos sistemas.
Apesar das oportunidades, a GlobalData recomenda uma abordagem cautelosa relativamente ao nível de autonomia inicialmente concedido aos agentes de DevOps. Persistem obstáculos como as “alucinações” dos modelos de base (respostas incorretas ou não fundamentadas) e as dificuldades inerentes à migração dos atuais sistemas para arquiteturas AI-native.
Desafios e melhores práticas na implementação de Agentic AI
William Rojas, diretor de pesquisa em strategic intelligence na GlobalData, sublinha que nem todos os projetos de Agentic AI terão sucesso. Muitos fracassarão, enquanto a comunidade de desenvolvimento cultiva boas práticas para conceção, construção, teste e validação destes sistemas. O caminho para uma verdadeira arquitetura de software AI-native será feito de evolução gradual, iteração e aprendizagem contínua.
Para as organizações, o grande desafio será integrar a Agentic AI nos processos existentes sem perturbar o funcionamento corrente, garantindo ao mesmo tempo segurança, transparência e controlo. A adoção deverá ser progressiva, começando por áreas onde o potencial de retorno é mais evidente e onde é possível medir o impacto de forma clara.
O futuro da Agentic AI nas empresas
Segundo os especialistas da GlobalData, o papel dos agentes autónomos será cada vez mais determinante à medida que as empresas procuram modernizar a sua pilha tecnológica. A transição para uma arquitetura verdadeiramente nativa em IA será um processo de longo prazo, que implicará não só investimento tecnológico, mas também mudanças organizacionais e culturais.
Rojas conclui que integrar a Agentic AI nos processos existentes será o verdadeiro desafio, reconhecendo que será necessário tempo para uma aceitação generalizada. No entanto, há consenso de que a Agentic AI assumirá um papel central na transformação das infraestruturas digitais empresariais, tornando-as mais inteligentes, adaptáveis e resilientes.
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