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A resiliência dos bens de grande consumo face à Covid-19

Foto Shutterstock

Os valores relativos aos Produtos Internos Brutos (PIB) mundiais para o segundo trimestre caíram ainda mais que no primeiro e as estimativas indicam que se está a caminhar para uma recessão ainda mais profunda que a causada pela crise financeira global que despoletou em 2007.

De acordo com a Kantar, existe a esperança de que se atinja uma certa normalidade no último trimestre deste ano, ou no início de 2021. Contudo, a realidade atual é que a pandemia está longe de acabar, com alguns países a lidarem, ainda, com uma primeira vaga e a ameaça de uma segunda a ser cada vez mais real. Ainda sem uma vacina à vista, largos segmentos da população continuam ameaçados pelo vírus, deixando os governos de todo o mundo no dilema de manter a economia em movimento, enquanto o vírus ainda não está erradicado.

O resultado será uma recuperação mais lenta que o desejável. Deveremos assistir a um crescimento considerável do desempenho e um aumento dos receios quanto ao futuro. É provável que, durante algum tempo, não sintamos qualquer recuperação”, sustenta a Kantar.

Resiliência

As estatísticas económicas como o PIB não refletem, contudo, o que se gasta, a cada semana, em mercearia. A Kantar analisou 11 anos de dados, em 12 países, e encontrou apenas uma fraca correlação entre o PIB e níveis de crescimento dos bens de grande consumo.

 

 

 

Também não foi encontrada uma forte correlação com o nível de confiança dos consumidores. “A resposta óbvia é que não podemos, simplesmente, deixar de comer, beber, lavar e limpar. Quando é altura de poupar dinheiro, pensamos mais facilmente no que podemos parar de fazer completamente, por exemplo, férias, compras de automóveis, eletrodomésticos, mensalidades do ginásio e comer fora de casa. Na recessão de 2007, perguntámos ao principal shopper do lar o que tenderia a reduzir ou cortar para gerir o orçamento. Foram os grandes gastos que estiveram no topo da lista em todos os países. Comida e mercearia vinham muito mais abaixo”, indica a consultora.

O que, contudo, não quer dizer que não se tente poupar na compra do supermercado. Para entender a dimensão do potencial declínio nos bens de grande consumo, a Kantar aconselha a observar os lares que já estão a gerir um orçamento muito apertado e aqueles onde irá reduzir devido ao desemprego. Em Espanha, por exemplo, os lares onde, pelo menos, uma pessoa tinha perdido o emprego reduziram em 2% o seu gasto em bens de grande consumo no ano seguinte a esta ocorrência. “Isto revela, especialmente em tempos recentes, onde qualquer mudança medida abaixo de 10% é considerada baixa, a resiliência subjacente dos bens de grande consumo. Consequentemente, mesmo se os níveis de desempenho alcançarem o duplo dígito, o crescimento dos bens de grande consumo continuará a ser ligeiramente positivo se os 90% ainda empregados mantiverem os seus gastos”.

A Kantar indica ainda que se deve ter em consideração o efeito benéfico para os bens de grande consumo gerado por um dos efeitos com potencial mais duradouro desta pandemia, o teletrabalho. “Sabemos que crescimentos de 20% ocorrem quando todos estão em casa e as compras fora do lar são restringidas. Portanto, se muitos se mantiverem em teletrabalho, durante os próximos meses da recessão, o que deverá ser o cenário mais provável, poderemos esperar, mesmo com o aumento do desemprego, que os gastos em bens de grande consumo se mantenham em níveis mais elevados que antes da pandemia”.

 

Preço como campo de batalha

Um motivo de cautela quanto ao valor dos bens de grande consumo crescer durante a recessão é a elevada probabilidade de uma guerra de preços. Os operadores puramente de comércio eletrónico e de discount estão numa posição privilegiada para ganhar quota durante o período recessivo, o que levará os restantes retalhistas a concorrer mais diretamente com base no preço. As estratégias irão desde o acompanhamento dos preços na base, com reduções significativas em bens essenciais, de modo a acompanhar o discount; a promoções das marcas mais conhecidas.

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