A Black Friday deixou de se concentrar num único dia e passou a integrar um período promocional que se prolonga por várias semanas, incluindo a preparação para o Natal e os saldos.
Para os retalhistas, esta evolução representa uma oportunidade para aumentar as vendas, mas exige maior capacidade de planeamento das operações e de ajustamento das equipas aos diferentes picos de procura.
Segundo o estudo “Global Talent Shortage 2026”, do ManpowerGroup, 77% dos empregadores do retalho em Portugal têm dificuldade em encontrar talento qualificado. Neste contexto, a Manpower identifica quatro tendências que estão a marcar a evolução do retalho nesta Black Friday.
Campanhas mais prolongadas
A Black Friday tem vindo a evoluir para um período promocional alargado, com campanhas que começam cada vez mais cedo, semanas exclusivas para membros, pré-vendas e descontos antecipados, por vezes já em setembro e outubro.
Esta antecipação permite distribuir a procura ao longo de várias semanas reduzir a pressão logística de um único dia, mas exige que as empresas planeiem o reforço das equipas para um período mais alargado.
A Manpower recomenda que o planeamento comece entre oito e 12 semanas antes, com base nos picos de procura de anos anteriores e nas previsões de volumes para a campanha. O objetivo é identificar os perfis necessários, contratar e preparar os profissionais para as exigências da operação. O recurso a indicadores como tempo de contratação, produtividade, absentismo e satisfação dos colaboradores, permitem ajustes ágeis para assegurar a melhor resposta às variações na procura.
Atendimento nas lojas
Apesar do crescimento do comércio eletrónico, as lojas físicas continuam a atrair um volume expressivo de consumidores, sobretudo em categorias como vestuário, calçado e eletrónica. Segundo a National Retail Federation (NRF), 129,5 milhões de consumidores compraram em lojas físicas nos Estados Unidos durante os cinco dias entre o Thanksgiving e a Cyber Monday, em 2025, mais 3% do que no ano anterior.
A qualidade do atendimento e a capacidade de aconselhamento influenciam a experiência de compra. Dados do 2026 Global Retail Industry Outlook, da Deloitte, revelam que até 40% da perceção de valor de uma marca pode resultar de fatores para além do preço, incluindo a qualidade do serviço, a facilidade de pagamento e a atitude dos colaboradores.
A Manpower destaca, por isso, a importância de competências transversais como a orientação para o cliente, a empatia, a agilidade ou a resolução de problemas. O recurso a parceiros especializados em recrutamento e trabalho temporário pode ajudar os retalhistas a mobilizar profissionais preparados para responder às necessidades de cada operação.
Mais responsabilidades nas lojas
A loja física assume cada vez mais funções para além do atendimento presencial, integrando a gestão de stock, a preparação de encomendas, as recolhas e as devoluções. Segundo os CTT, as entregas em pontos de recolha cresceram 84% em Portugal no primeiro semestre de 2025, face ao período homólogo.
Esta realidade exige profissionais com competências comerciais e operacionais mais abrangentes, capazes de alternar entre tarefas e utilizar ferramentas digitais, sistemas de inventário e plataformas de gestão de encomendas. A Manpower sublinha a importância da formação inicial e da integração dos colaboradores, bem como de uma liderança próxima, apoiada em objetivos claros, briefings diários, feedback e reconhecimento positivo, para reduzir erros e manter a qualidade do serviço durante os períodos de maior pressão.
Tecnologia e formação
Os pagamentos digitais, as ferramentas de gestão de stock e os sistemas de acompanhamento de encomendas estão a transformar o trabalho nas lojas. De acordo com a DECO PROteste, 53% dos adultos portugueses preferem pagamentos digitais a dinheiro sempre que possível, enquanto cerca de 30% já desistiram de uma compra por a loja não aceitar este tipo de pagamento.
A preparação para os períodos de maior atividade, deve por isso integrar um período de formação para que os profissionais consigam operar os sistemas, resolver problemas e alternar entre os procedimentos digitais e o atendimento presencial. Segundo a Manpower, a tecnologia pode simplificar tarefas e libertar tempo para o aconselhamento e o contacto com o cliente, mas os resultados dependem da preparação das equipas.
“Num período que acaba por se prolongar até ao fim do ano, e depois aos saldos, a rapidez do recrutamento tem de ser acompanhada por uma integração eficaz e por uma liderança próxima, para garantir a qualidade do serviço e o bem-estar dos profissionais ao longo de todo o ciclo”, afirma Daniela Lourenço, Brand Leader da Manpower.








