Letreiro da loja Albertsons numa fachada de tijolo Foto Tada Images / Shutterstock.com

Albertsons suspende previsões para 2026 após lucros caírem quase 70%

A Albertsons Companies anunciou a suspensão das suas previsões financeiras para o exercício de 2026, depois de apresentar uma forte redução dos lucros no segundo trimestre. A decisão acompanha o lançamento de uma revisão abrangente do negócio, destinada a simplificar a estrutura organizacional, reduzir os custos e reforçar a competitividade num mercado alimentar cada vez mais exigente.

Segundo os resultados divulgados a 13 de outubro, a retalhista norte-americana registou receitas de 18.895 milhões de dólares, aproximadamente 16.800 milhões de euros, no trimestre terminado a 12 de setembro, uma ligeira redução de 0,1% face ao período homólogo.

O lucro líquido caiu de 168,5 milhões de dólares para 51,5 milhões de dólares, cerca de 46 milhões de euros, correspondendo a uma redução de aproximadamente 69,4%.

As vendas comparáveis diminuíram 0,8%, enquanto o EBITDA ajustado atingiu 784 milhões de dólares, aproximadamente 698 milhões de euros.

Crescimento digital contrasta com dificuldades nas lojas

Apesar da evolução negativa das vendas comparáveis, o comércio eletrónico continua a destacar-se como uma das áreas de crescimento da Albertsons. As vendas digitais aumentaram 11% no trimestre, mantendo uma trajetória positiva que contrasta com a pressão sobre o negócio tradicional.

A atividade farmacêutica também contribuiu favoravelmente para os resultados, embora a empresa continue a enfrentar dificuldades associadas aos custos e à evolução do consumo.

A margem bruta recuou de 27% para 26,8%. Segundo a empresa, esta evolução reflete, entre outros fatores, o aumento dos custos de entrega e movimentação de mercadorias associados à expansão do canal digital, bem como perdas de inventário.

Reestruturação para reduzir custos e recuperar consumidores

A Albertsons pretende acelerar o programa de transformação que já tinha anunciado, procurando eliminar a complexidade organizacional e melhorar a capacidade de resposta às necessidades dos consumidores.

A administração considera que a atual estrutura de custos limita a margem de manobra para investir em preços competitivos e na experiência de compra.

Susan Morris, CEO da empresa, reconheceu que o desempenho trimestral não reflete o potencial da organização e defendeu uma revisão mais profunda da forma como o negócio está estruturado.

A estratégia passa por melhorar a tomada de decisões, racionalizar despesas e reinvestir parte das poupanças na proposta de valor apresentada aos clientes.

A empresa deverá apresentar os resultados desta revisão e novas metas financeiras quando divulgar as contas do quarto trimestre do exercício fiscal, previsto terminar em fevereiro de 2027.

Concorrência intensifica pressão sobre o retalho alimentar

A reestruturação surge num contexto de concorrência crescente no mercado norte-americano, particularmente por parte da Walmart e dos operadores de desconto. A sensibilidade dos consumidores aos preços está a obrigar as cadeias tradicionais a reforçar as políticas promocionais, as marcas próprias e a eficiência das operações.

A Albertsons enfrenta também as consequências do insucesso da tentativa de fusão com a Kroger, operação bloqueada por preocupações concorrenciais.

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Cartaz da conferência Grande 26 Consumo: «Consumo na era da imprevisibilidade», 4 de novembro de 2026, Taguspark, Oeiras
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