Empilhador amarelo num armazém com prateleiras cheias de caixas Foto Shutterstock

Setor dos transportes e armazenagem cresce 61% em dez anos

O número de empresas nos transportes e armazenagem triplicou numa década, passando de 21,5 mil (2014) para 64,5 mil (2024).

O setor dos transportes e armazenagem empregava 246,5 mil profissionais no segundo trimestre de 2026, o equivalente a 4,6% do emprego total em Portugal.

Segundo uma análise da Randstad Research, baseada em dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), do Eurostat e do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), as empresas do setor aumentaram a sua capacidade laboral em 60,9% entre 2014 e 2024, passando de 150,9 mil para 242,8 mil profissionais ao serviço.

Neste período, o subsetor dos correios e entregas triplicou o número de trabalhadores, enquanto a armazenagem registou um crescimento de 30,5%.

Boom do e-commerce

Os dados do INE indicam que o número de empresas no setor de transportes e armazenamento triplicou na última década, passando de 21,5 mil em 2014 para 64,5 mil em 2024. Este crescimento exponencial foi fortemente impulsionado pela expansão do transporte terrestre (que atingiu as 45,9 mil empresas) e pelo “boom” do comércio eletrónico e das entregas expresso, que somam já 14,6 mil empresas.

O “core” da atividade logística (composto pelas divisões de armazenagem, atividades auxiliares, correios e entregas) representa hoje 30% do emprego total do setor, correspondendo a 71,5 mil profissionais.

Remunerações superam a média nacional

Em 2024, a remuneração média mensal no setor atingiu 2.156,79 euros, mais 33,8% do que a média nacional. Nas áreas específicas da atividade logística, a armazenagem registou uma remuneração média de 2.449,18 euros, 52% acima da média nacional, enquanto nos correios o valor foi de 2.095,08 euros, mais 30%.

No que diz respeito à estrutura das profissões, a análise aos dados do Eurostat do primeiro trimestre de 2026 mostra que quase metade da força de trabalho (46,5%) é composta por operadores de máquinas, instalações e condutores, num total de 110,8 mil profissionais. O apoio administrativo concentra 19,5% dos trabalhadores (46,5 mil), enquanto os quadros técnicos e de gestão ganham cada vez mais peso, representando já 18,6% do setor (44,3 mil).

Setor marcado pela disparidade de género

A análise da Randstad Research aos dados do INE revela que o setor continua a ser marcado por uma elevada masculinização. Os homens representam atualmente 79,4% do pessoal ao serviço, o que corresponde a 195,8 mil profissionais. Em contraste, as mulheres representam apenas 20,6% (50,7 mil), evidenciando uma disparidade que contrasta de forma notória com a paridade observada na média do mercado de trabalho em Portugal.

Isabel Roseiro, diretora de Marketing da Randstad Portugal, afirma que “a elevada masculinização demonstra que existe uma enorme oportunidade para atrair talento feminino. Num cenário generalizado de escassez de profissionais, promover a paridade de género e diversificar as equipas operacionais e de gestão não é apenas uma questão de igualdade, mas uma necessidade estratégica fundamental para assegurar a competitividade e o futuro das empresas do setor”.

Desemprego com oscilações sazonais

O desemprego registado nos transportes e armazenagem representa cerca de 2% do total nacional, segundo os dados do IEFP. A análise identifica uma forte componente sazonal, com um aumento das inscrições em janeiro, associado ao fim dos contratos temporários das campanhas de final de ano.

Ao longo do ano, a tendência é de recuperação: em agosto de 2026, o número de inscritos desceu para 5,3 mil, o que reflete uma quebra de 12,6% face ao pico sazonal (6.149 inscritos) registado no início do ano.

A distribuição geográfica do desemprego está concentrada em Lisboa e Vale do Tejo, com 2.174 pessoas, e na região Norte, com 1.805. Em conjunto, estas regiões representam 74,1% dos casos.

Por outro lado, quando se analisa o peso relativo do setor no mercado de trabalho de cada região, o desemprego na logística assume maior proporção no Algarve (2,9%), na Madeira (2,8%) e em Lisboa (2,5%), sendo este fenómeno impulsionado pelas necessidades específicas de abastecimento, pela logística turística e pelas dinâmicas do transporte insular.

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