O investimento imobiliário comercial em Portugal totalizou 1.420 milhões de euros no primeiro semestre de 2026, um crescimento homólogo de 11%, segundo o relatório Market Dynamics da JLL.
O desempenho foi impulsionado sobretudo pelos setores da hotelaria e do retalho, que concentraram cerca de dois terços do montante transacionado. As vendas a retalho registaram um crescimento homólogo de 5,0% até maio, enquanto a hotelaria aumentou os proveitos em 5,7% e o número de hóspedes em 2,4%, reforçando o interesse dos investidores nestes setores.
Já a logística e os escritórios foram mais impactados pela evolução da conjuntura económica, marcada pelas alterações da política monetária, pela pressão inflacionista e pela revisão em baixa das perspetivas de crescimento económico, mas a consultora destaca sinais de recuperação.
O mercado residencial continua a registar uma valorização dos preços, apesar da quebra nas vendas. Segundo a JLL, este segmento apresentou um crescimento homólogo de 14% nos preços, apesar de uma redução de 7% nas vendas.
De acordo com a JLL, o capital estrangeiro representou 65% do investimento realizado no semestre, enquanto os investidores nacionais responderam pelos restantes 35%.
Hotelaria e retalho lideram o investimento
No investimento, o semestre ficou marcado por um primeiro trimestre particularmente forte, com €930 milhões investidos, que compensou um segundo trimestre mais moderado, com cerca de €490 milhões.
A hotelaria liderou o investimento, com 34% do total, impulsionada por operações como a venda do resort Ritz-Carlton Penha Longa e do Hotel Corinthia Lisbon. O retalho captou 32% do investimento, apoiado na transação de centros comerciais e retail parks, incluindo o Aqua Portimão.
Já o setor industrial e logístico captou 13% do capital investido, enquanto os escritórios concentraram 6%, num semestre marcado por uma atividade mais moderada nestes segmentos. Os restantes setores, incluindo saúde e residencial, corresponderam aos remanescentes 7%.
Escritórios e logística com atividade moderada
Nos mercados ocupacionais, Lisboa registou uma absorção de 66.900 m² de escritórios e o Porto 15.850 m², o que representa um crescimento homólogo de 46% na cidade invicta. As rendas prime mantiveram-se estáveis em ambos os mercados.
No retalho, as vendas cresceram 5% até maio, enquanto a hotelaria aumentou as receitas em 5,7%, refletindo o bom desempenho do turismo. A logística totalizou cerca de 199 mil m² de ocupação no semestre, mantendo níveis de procura semelhantes aos de 2025.
No residencial, os preços aumentaram 14% em termos homólogos, apesar de uma redução de 7% nas transações. A JLL atribui esta evolução à escassez de oferta, agravada pelos custos de construção e pela valorização dos terrenos.
Para a segunda metade de 2026, a consultora antecipa uma recuperação gradual da atividade nos escritórios e a manutenção de uma procura sólida nos restantes segmentos, sustentada pela procura por ativos de qualidade e pelo interesse contínuo dos investidores em Portugal.








