A Rémy Cointreau iniciou o exercício de 2026/2027 com vendas de 223,2 milhões de euros, correspondentes a um crescimento orgânico de 1,3% e a uma subida reportada de 1,1% face ao período homólogo.
O desempenho entre abril e junho superou as previsões dos analistas, que apontavam para uma faturação de 218,8 milhões de euros e para um crescimento orgânico de apenas 0,2%. A evolução foi impulsionada pelo conhaque e, em particular, pela procura nos mercados da Ásia-Pacífico fora da China.
A melhoria da combinação entre preços e produtos, de 2,7%, compensou uma quebra de 1,5% nos volumes. O efeito cambial foi ligeiramente negativo, em 0,2%, refletindo sobretudo a evolução do dólar, parcialmente compensada pela valorização do renminbi.
Conhaque cresce acima das expectativas
As vendas da divisão de conhaque aumentaram 7,7% em termos orgânicos e 8,1% em valores reportados, atingindo 141,9 milhões de euros. O resultado ficou significativamente acima das expectativas dos analistas, que antecipavam uma progressão orgânica de 1,3% e vendas próximas de 132,1 milhões de euros. A divisão reúne marcas como Rémy Martin e Louis XIII.
O crescimento foi liderado pela região da Ásia-Pacífico, sobretudo pelos mercados excluindo a China, onde as vendas avançaram a dois dígitos. A empresa destaca a procura pelas gamas Louis XIII, Rémy Martin XO e Rémy Martin VSOP.
Na China, as vendas registaram uma ligeira quebra, num mercado ainda marcado pela confiança reduzida dos consumidores e pelas restrições ao consumo de bebidas alcoólicas. A Rémy Cointreau considera, contudo, que a evolução demonstrou a resiliência da marca e a eficácia da ativação comercial realizada durante o festival de comércio eletrónico 6.18, no qual as vendas cresceram mais de 12%.
Hainan, Macau e Hong Kong apresentaram sinais de melhoria, enquanto Taiwan continuou condicionado por um ambiente mais desafiante.
Estados Unidos mantêm crescimento das vendas
Nas Américas, as vendas de conhaque registaram uma ligeira descida. O desempenho foi afetado pela continuação da redução de stocks no Canadá e por uma base de comparação elevada na América Latina.
Os Estados Unidos contrariaram esta tendência, com um crescimento sólido das vendas, apoiado pela Rémy Martin 1738. As vendas dos distribuidores aos retalhistas continuaram, porém, negativas, embora tenham melhorado sequencialmente face ao trimestre anterior.
A região EMEA, que reúne Europa, Médio Oriente e África, registou um crescimento expressivo no conhaque, beneficiando do desempenho da África do Sul e da execução comercial no Reino Unido.
Apesar dos sinais positivos, os analistas mantêm reservas quanto a uma recuperação sustentada nos Estados Unidos e na China, os dois mercados mais importantes para a categoria. As ações da empresa recuaram cerca de 5% após a apresentação dos resultados, refletindo preocupações sobre a pressão nos preços e a incerteza da procura.
Licores e bebidas espirituosas recuam 6,6%
A divisão de licores e bebidas espirituosas apresentou uma evolução menos favorável. As vendas diminuíram 6,6% organicamente e 7,7% em termos reportados, para 79,6 milhões de euros.
Nas Américas, e sobretudo nos Estados Unidos, o resultado foi condicionado pelo calendário das expedições, depois da forte recuperação registada no último trimestre do exercício anterior.
A Rémy Cointreau indica, contudo, que a procura subjacente permaneceu sólida. As marcas Cointreau, The Botanist, Bruichladdich e Mount Gay apresentaram crescimento nas vendas dos distribuidores aos retalhistas.
Na Ásia-Pacífico, a divisão foi penalizada pela China, embora os restantes mercados tenham beneficiado da evolução da Bruichladdich, nomeadamente na Austrália e no Japão.
Na Europa, Médio Oriente e África, as vendas refletiram a forte atividade promocional, a moderação do consumo e as perturbações associadas ao conflito no Médio Oriente. Alemanha, Itália, França e Benelux ficaram sob pressão, enquanto Espanha, Grécia e República Checa apresentaram tendências mais favoráveis.
As vendas das marcas parceiras caíram 47,9% organicamente, para 1,7 milhões de euros, devido sobretudo ao fim da distribuição destas referências no Benelux a partir de abril.
Objetivos anuais mantidos
A Rémy Cointreau confirmou as perspetivas para o exercício de 2026/2027. O grupo prevê regressar a um crescimento orgânico sustentável das vendas, com uma aceleração gradual ao longo do ano.
A empresa antecipa também uma ligeira melhoria orgânica da margem operacional corrente e pretende manter o rácio entre dívida líquida e EBITDA abaixo de 3,5 vezes no final de março de 2027.
As previsões incorporam custos alfandegários estimados em 20 milhões de euros, comparativamente a cerca de 15 milhões no exercício anterior. O grupo calcula ainda um impacto cambial negativo próximo de 15 milhões de euros nas vendas e entre cinco milhões e oito milhões de euros no resultado operacional corrente.
O primeiro trimestre representa uma parte relativamente reduzida do exercício da Rémy Cointreau. Para cumprir os objetivos anuais, o grupo terá de reforçar o crescimento durante os períodos seguintes, num contexto em que a recuperação dos principais mercados de conhaque permanece desigual.








