Audrey Ashworth, diretora do SIAL Paris, antecipa uma edição de 2026 marcada pela inovação, sustentabilidade, inteligência artificial e internacionalização. De 17 a 21 de outubro, em Paris Nord Villepinte, a maior feira profissional do setor alimentar deverá reunir mais de 8.000 expositores e 295 mil visitantes profissionais, afirmando-se como plataforma global de negócios, tendências e oportunidades para empresas que querem crescer além-fronteiras, incluindo as portuguesas.
O SIAL Paris é reconhecido como uma das principais feiras alimentares do mundo. O que distingue hoje o evento no panorama internacional?
O SIAL Paris é a maior feira profissional do setor alimentar a nível mundial, organizada pela Comexposium. O que a distingue é a sua capacidade de reunir num único local toda a cadeia de valor agroalimentar: marcas, fabricantes, distribuidores, fornecedores, empresários e decisores, em torno de três pilares: Negócio, Inovação e Inspiração. Com mais de 60 anos de história, a feira impôs-se como uma plataforma de referência que não se limita a facilitar as transações comerciais, mas que também analisa as grandes transformações do mercado através de conteúdos de elevado valor acrescentado (SIAL Summits, SIAL Talks) e revela as principais inovações através do concurso SIAL Innovation. A edição de 2026 (de 17-21 de outubro, em Paris Nord Villepinte) deverá receber mais de 8 000 expositores e 295 000 visitantes profissionais, numa área de cerca de 280 000 m².
Que papel desempenha o SIAL na antecipação das grandes tendências globais do setor agroalimentar?
O SIAL desempenha um papel de observatório e impulsionador de tendências. A feira não se limita a refletir a situação do mercado, mas antecipa as suas evoluções. Isto passa, nomeadamente, pelo SIAL Innovation, que celebra o seu 30.º aniversário em 2026, permitindo identificar as inovações antes de estas chegarem ao grande público. As conferências SIAL Summits e SIAL Talks reúnem especialistas, distribuidores e intervenientes do setor da restauração para analisar os desafios futuros: sistemas alimentares em 2030, dados, rastreabilidade, inteligência artificial e novas expectativas dos consumidores.
Em 2026, as tendências estruturantes em destaque serão, nomeadamente, os snacks e os produtos de catering (com um pavilhão inteiramente dedicado), a hiperpersonalização impulsionada pelos dados e pela IA, bem como a inovação global e responsável, conciliando desempenho económico e sustentabilidade.
Num contexto de crescente volatilidade económica e geopolítica, como é que o SIAL continua a afirmar-se como uma plataforma relevante para negócios internacionais?
Perante as incertezas económicas e geopolíticas mundiais, o SIAL responde através da sua própria vocação: ser uma plataforma internacional que ultrapassa as fronteiras. Os grandes desafios do setor — transição climática, segurança do abastecimento, soberania alimentar e resiliência das cadeias de abastecimento — exigem respostas coletivas e coordenadas à escala mundial. A feira facilita esta dinâmica ao reunir decisores, industriais e compradores de todo o mundo para promover parcerias, acelerar as exportações e incentivar a partilha de inovações.
Em 2026, o dinamismo comercial já é tangível: foram comercializados 280 000 m² de área de exposição, o que representa um aumento de +16 % em relação à edição anterior no mesmo período, com vários setores já lotados e em lista de espera.
Que regiões ou mercados estão a ganhar maior peso na edição de 2026 e o que isso revela sobre a evolução do setor?
O forte crescimento na comercialização de stands (+16%) e as listas de espera observadas em setores como os produtos gourmet, aves, charcutaria, carnes, cereais e leguminosas revelam um renovado interesse pelos setores tradicionais de elevado valor acrescentado. Paralelamente, a forte dinâmica de contratação nos setores de mercearia multiprodutos, produtos doces, congelados e bebidas reflete uma diversificação das expectativas internacionais.

De que forma o SIAL está a evoluir para responder aos novos desafios globais, como sustentabilidade, segurança alimentar e transformação digital?
O SIAL integra estas três grandes prioridades na sua própria estrutura.
No que diz respeito à sustentabilidade, o SIAL for Change reinventa-se em 2026 com um espaço dedicado a atividades, destacando as práticas sustentáveis através do concurso de RSE, das iniciativas responsáveis da feira e do SIAL Jobs.
No que diz respeito à segurança alimentar, a feira desempenha um papel de catalisador: ao reunir toda a cadeia de valor, promove a difusão de inovações, a partilha de boas práticas e o desenvolvimento de soluções concretas em matéria de produção, transformação e distribuição, contribuindo para reforçar a resiliência dos setores.
No que diz respeito à transformação digital, um cimeira dedicado intitulado «Food Intelligence: The New Value Chain» irá analisar o impacto da tecnologia, dos dados e da IA nas cadeias de valor agroalimentares. O matchmaking entre expositores e compradores é, por sua vez, impulsionado pela IA.
Qual é hoje o papel da inovação — e, em particular, das startups — na proposta de valor do evento?
A inovação está no cerne da identidade do SIAL, e as startups são um dos seus motores mais visíveis. Em 2026, estão previstas mais de 650 startups na feira. O espaço SIAL Start-up impõe-se como uma grande montra internacional da foodtech, reunindo cerca de 150 startups e incubadoras. Um palco dedicado aos Pitchs Start-up irá destacar os projetos que reinventam os usos e exploram novos modelos económicos. A SIAL Innovation, que celebra os seus 30 anos em 2026, reinventa-se com um design inédito e uma experiência enriquecida, incluindo a integração da SIAL Taste para uma experiência mais imersiva. As startups não estão, portanto, à margem da feira: estão no centro da transformação, tal como os grandes grupos industriais.
As empresas portuguesas que tiram maior partido da SIAL são, geralmente, aquelas que operam em setores de excelência reconhecidos internacionalmente: conservas de peixe (sardinhas, atum), azeite, vinhos e vinho verde, enchidos ibéricos, queijos, produtos de padaria e pastelaria fina
Como avalia a presença de Portugal no SIAL Paris ao longo dos últimos anos?
De um modo geral, Portugal tem uma presença constante e crescente no SIAL Paris, nomeadamente através de pavilhões nacionais coordenados por organismos como a AICEP ou a Viniportugal, com uma boa representação dos setores dos vinhos, azeites, conservas de peixe, charcutaria e pastelaria.
Que tipo de empresas portuguesas têm maior visibilidade ou potencial de crescimento no contexto internacional da feira?
As empresas portuguesas que tiram maior partido da SIAL são, geralmente, aquelas que operam em setores de excelência reconhecidos internacionalmente: conservas de peixe (sardinhas, atum), azeite, vinhos e vinho verde, enchidos ibéricos, queijos, produtos de padaria e pastelaria fina.
No contexto de 2026, os setores em forte crescimento na feira — snacks, produtos de mercearia gourmet e produtos de catering — representam também oportunidades reais para as PME portuguesas capazes de posicionar a sua oferta com base no valor, na autenticidade e na origem. As empresas empenhadas em iniciativas de RSE e sustentabilidade terão também uma maior visibilidade através do SIAL for Change.
Que oportunidades concretas o SIAL oferece às empresas portuguesas que procuram internacionalizar-se ou reforçar exportações?
O SIAL oferece várias oportunidades concretas para as empresas que pretendem expandir as suas exportações.
Em primeiro lugar, o acesso direto a um público internacional de qualidade: estão previstos 295 000 visitantes profissionais, provenientes de todo o mundo.
Em seguida, ferramentas eficazes de networking: a plataforma de matchmaking impulsionada pela IA permite organizar encontros direcionados, o novo espaço Meet & Match (Business Lounge, speed meetings) facilita os contactos, e as Visitas Guiadas temáticas facilitam os encontros com compradores do setor.
Por fim, a participação no SIAL Innovation ou no SIAL Start-up representa uma oportunidade de visibilidade diferenciadora para as empresas mais inovadoras, com uma cobertura significativa da imprensa e do setor.
É importante referir também que a delegação Promosalons Portugal, apoiada pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Francesa, assegura uma preparação e um acompanhamento eficaz às empresas portuguesas que pretendem expandir-se no mercado francês.
Que mensagem deixaria às empresas portuguesas que ainda não participam no SIAL Paris, mas ponderam fazê-lo nas próximas edições?
O SIAL Paris é muito mais do que uma feira comercial: é o ponto de encontro onde se constrói o futuro do setor agroalimentar mundial! Para uma empresa que pretenda internacionalizar-se ou acelerar as suas exportações, não existe outro evento que ofereça tal concentração de compradores, importadores e decisores de todos os mercados num único local, ao longo de cinco dias.
As empresas que ainda não participam estão a deixar o campo livre aos seus concorrentes. Em 2026, vários setores já estão lotados ou em lista de espera, o que atesta a atratividade e o caráter estratégico desta participação. O nosso conselho é: antecipe-se, inscreva-se cedo, prepare uma oferta clara e diferenciadora e aproveite todas as ferramentas de negócios da feira (matchmaking, Meet & Match, concurso de Inovação) para maximizar o retorno do investimento







