As insolvências declaradas em abril aumentaram 10% face ao mesmo mês de 2025, enquanto os encerramentos de processos de insolvência cresceram 17%. Em sentido inverso, a constituição de novas empresas recuou quase 9%, refletindo um abrandamento da dinâmica empresarial.
Os dados da Iberinform indicam que, no quarto mês do ano, foram declaradas insolventes 154 empresas, mais 14 do que no mesmo mês do ano anterior. No acumulado dos primeiros quatro meses do ano, o total de ações de insolvência declaradas aumentou cerca de 5% face ao período homólogo de 2025, o que corresponde a mais 31 ações.
Apesar deste crescimento, os pedidos de declaração de insolvência apresentados pelas próprias empresas diminuíram cerca de 10% no quadrimestre, com menos 39 declarações. Em sentido contrário, as declarações de insolvência requeridas por terceiros aumentaram 23%, com mais 70 pedidos, atingindo um total de 308.

Porto e Lisboa concentram maior número de processos
Os distritos do Porto e de Lisboa continuam a concentrar o maior número de insolvências declaradas. O Porto registou 164 processos, enquanto Lisboa contabilizou 144. Face ao mesmo período de 2025, o Porto apresentou uma redução de 13%, ao passo que Lisboa registou um crescimento de 7,5%.
Os maiores aumentos nas insolvências até ao final de abril verificaram-se em Angra do Heroísmo, com uma subida de 200%, Madeira, com mais 175%, Vila Real, com um aumento de 100%, Ponta Delgada, com mais 67%, Bragança, com mais 33%, e Braga, com um crescimento de 27%.
Em sentido contrário, os maiores decréscimos ocorreram na Horta, com uma queda de 100%, Coimbra, com menos 48%, Guarda, com menos 40%, e Santarém, com uma descida de 24%.
Construção e serviços entre os sectores com maiores subidas
Por sectores de atividade, os maiores aumentos nas insolvências declaradas registaram-se na construção e obras públicas, com uma subida de 26%, em outros serviços, com mais 14%, na hotelaria e restauração, com mais 9%, e na indústria transformadora, com um crescimento de 7%.
Já os principais decréscimos ocorreram na indústria extrativa, com uma quebra de 100%, na agricultura, caça e pesca, com menos 37%, no comércio a retalho, com menos 9%, nos transportes, com menos 8%, e no comércio por grosso, com uma descida de 4,5%.
Encerramentos de processos crescem 17%
Relativamente aos encerramentos de ações de insolvência acumuladas, o primeiro terço de 2026 registou um crescimento de 17% face ao mesmo período de 2025. O número de processos concluídos passou de 779 para 911.
Nesta tipologia incluem-se os encerramentos com declaração de insolvência, que aumentaram 12%, e os encerramentos com plano de insolvência, que registaram uma subida mais expressiva, de 74%, passando de 11 processos em 2025 para 42 em 2026.
Criação de empresas mantém tendência negativa
A constituição de novas empresas apresentou uma trajetória negativa no primeiro quadrimestre. Até ao final de abril, foram constituídas 4.046 novas empresas, contra 4.426 no período homólogo de 2025.
Esta evolução representa uma redução absoluta de 380 empresas e uma quebra próxima de 9%. Em termos acumulados, a diminuição ronda os 3% face ao ano anterior.
O comportamento dos dois indicadores aponta para um contexto de maior pressão sobre o tecido empresarial, com aumento das insolvências declaradas e menor ritmo de criação de novas empresas.








