As organizações em Portugal registaram, em abril, uma média de 2.437 ciberataques semanais, mais 11% face ao mesmo período do ano anterior. O valor coloca o mercado português acima da média europeia, que foi de 1.848 ataques semanais por organização, e também acima da média global, situada nos 2.201 ataques por semana.
Segundo a Check Point Research, área de threat intelligence da Check Point Software Technologies, as organizações a nível mundial sofreram, em média, 2.201 ciberataques por semana em abril. Este número representa um crescimento de 10% face ao mês anterior e de 8% em termos homólogos.
Após uma breve desaceleração em março, os dados de abril apontam para uma nova aceleração da atividade cibercriminosa. A empresa associa esta evolução à capacidade dos atacantes para reajustarem campanhas, explorarem a automação, tirarem partido de superfícies digitais cada vez mais alargadas e aproveitarem novas formas de exposição ligadas à adoção da cloud e da inteligência artificial generativa.
Portugal acima da média europeia
Em abril, as organizações portuguesas enfrentaram cerca de 32% mais ataques semanais do que a média europeia e aproximadamente 11% mais do que a média global. Para Rui Duro, country manager da Check Point Software Technologies em Portugal, estes dados mostram que o país continua a ser um mercado particularmente exposto.
“A educação, a administração pública e os serviços financeiros concentram informação crítica e operações essenciais, o que os torna alvos de elevado valor. As organizações portuguesas não podem olhar para a cibersegurança apenas como uma resposta a incidentes. É essencial apostar em prevenção, visibilidade, segurança baseada em IA e governação rigorosa dos dados, sobretudo num momento em que a cloud e a IA generativa estão a acelerar a transformação digital”, afirma.
A seguir àqueles três sectores, os mais atacados no mercado português em abril foram as telecomunicações, os serviços empresariais, os bens e serviços de consumo e a indústria transformadora. Este perfil acompanha algumas das principais tendências globais, mas revela uma pressão acrescida sobre áreas que concentram grandes volumes de dados pessoais, infraestruturas críticas, serviços essenciais e cadeias de terceiros.
A nível global, o sector da educação foi também o mais atacado, com uma média de 4.946 ataques semanais por organização, mais 8% face ao ano anterior. A administração pública surgiu em segundo lugar, com 2.797 ataques semanais, enquanto as telecomunicações ocuparam a terceira posição, com 2.728 ataques por semana.
Ransomware cresce 12% em termos homólogos
O ransomware manteve-se como uma das ameaças mais disruptivas em abril. Foram divulgados publicamente 707 ataques, o que representa um aumento de 5% face ao mês anterior e de 12% face ao mesmo período do ano passado.
O sector de serviços empresariais foi o mais visado, representando 33,8% dos incidentes de ransomware reportados. Seguiram-se os bens e serviços de consumo, com 14,4%, e a indústria transformadora, com 9,9%.
A América do Norte concentrou 46% dos ataques de ransomware divulgados, seguida da Europa, com 27%, e da região Ásia-Pacífico, com 17%. Os Estados Unidos foram o país mais impactado, representando 41,6% dos ataques reportados, à frente da Alemanha, Canadá e Itália.
A atividade de ransomware em abril foi liderada por um grupo restrito de operadores de elevado volume. O grupo Qilin representou 15% dos ataques publicados, seguido de The Gentlemen, com 10%, e DragonForce, com 9%.
Apesar desta concentração, a Check Point Research identificou 56 grupos diferentes de ransomware com impacto público em organizações de todo o mundo durante o mês. Para a empresa, esta combinação mostra a resiliência do ecossistema, com plataformas estabelecidas de Ransomware as a Service a escalar através de afiliados e operadores mais pequenos a manterem pressão constante sobre diferentes setores.
IA generativa aumenta risco de exposição de dados
O relatório alerta ainda para os riscos associados à utilização empresarial de ferramentas de inteligência artificial generativa. Segundo a Check Point Research, um em cada 28 prompts submetidos a ferramentas de IA generativa a partir de ambientes empresariais representava um risco elevado de fuga de informação sensível, afetando 90% das organizações que utilizam regularmente estas ferramentas.
Além disso, 19% dos prompts continha informação potencialmente sensível. Em média, as organizações utilizaram dez ferramentas diferentes de IA generativa durante o mês, enquanto o utilizador empresarial típico gerou 77 prompts.
Para a Check Point, estes dados mostram que o risco está a deslocar-se da frequência dos ataques para o impacto da exposição. A informação sensível pode sair das organizações através de interações quotidianas com ferramentas de IA generativa, muitas vezes fora da visibilidade tradicional das equipas de segurança.
Prevenção, governação e continuidade como prioridades
Perante este cenário, a Check Point identifica três prioridades para empresas e entidades públicas em Portugal: reforçar a prevenção, proteger a utilização de IA generativa e reduzir a exposição operacional. Num contexto de ataques persistentes e automatizados, a capacidade de bloquear ameaças antes do impacto torna-se mais relevante do que a deteção posterior. Ao mesmo tempo, a fuga de dados através de prompts empresariais mostra que a governação da IA deve passar a integrar as políticas de segurança, compliance e proteção de informação.
A empresa defende ainda que sectores como a educação, a administração pública, os serviços financeiros, as telecomunicações e a indústria devem rever acessos, integrações com terceiros, segmentação de rede e planos de continuidade, tendo em conta que o ransomware continua a explorar os pontos onde a interrupção operacional gera maior pressão.








