A Unilever revelou que irá proceder a aumentos de preços “em pequenas doses”, ao longo do ano, numa tentativa de compensar o impacto de custos mais elevados do que o inicialmente previsto, associados, em parte, às tensões geopolíticas e ao conflito no Irão.
A empresa alertou para um agravamento das pressões inflacionistas em áreas como logística e produção. Ainda assim, mantém as suas previsões anuais de vendas e margem de lucro inalteradas.
Segundo o diretor financeiro, Srinivas Phatak, a empresa estima agora uma inflação total de custos entre 750 milhões e 900 milhões de euros em 2026, um valor superior em 350 a 500 milhões de euros face às projeções iniciais. “Haverá aumentos de preços frequentes, mas em pequenas doses”, afirmou numa conferência com analistas. Em caso de persistência das pressões, adiantou, os ajustamentos poderão atingir entre 2% e 3% nalgumas categorias.
Os aumentos de preços deverão ser aplicados de forma seletiva, sobretudo em mercados e categorias mais expostas ao petróleo, como o segmento de home care. Além disso, terão maior incidência em regiões como Ásia, África e América Latina. Já a América do Norte deverá sentir um impacto mais limitado.
Vendas sobem 3,8%
Apesar deste contexto, a multinacional sublinhou que o desempenho do primeiro trimestre superou as expectativas dos analistas. A Unilever apresentou um crescimento subjacente das vendas de 3,8% no primeiro trimestre de 2026, suportado sobretudo pelo aumento dos volumes, que avançaram 2,9%. Os preços contribuíram com 0,9%.
O volume de negócios ascendeu a 12,6 mil milhões de euros, o que representa uma queda de 3,3% em termos homólogos. Foi penalizado pelo impacto negativo das taxas de câmbio (-7,7%), apesar da evolução positiva das vendas subjacentes e do efeito de aquisições e desinvestimentos.
As marcas de referência do grupo, as chamadas power brands, foram determinantes no desempenho do grupo, com crescimento subjacente de 5% e aumento de 4% nos volumes. Todas as áreas de negócio registaram crescimento em volume, com especial destaque para o segmento de home care, impulsionado pela recuperação em mercados emergentes.
Home care lidera crescimento
Por divisões, a área de beauty & wellbeing cresceu 3,6%, com equilíbrio entre volume e preço, beneficiando do desempenho de marcas como Dove e Vaseline. Já o personal care aumentou 3,7%, sustentado pelo crescimento em desodorizantes e cuidados de pele. O segmento de home care destacou-se com um crescimento de 6,1%, enquanto o alimentar registou uma subida mais moderada de 2,2%.
Em termos geográficos, os mercados emergentes continuam a liderar o crescimento, com uma subida de 5,7% nas vendas subjacentes, incluindo um avanço de 7% na Índia e sinais de recuperação na América Latina. Já os mercados desenvolvidos cresceram 1%, com a América do Norte a compensar a fraqueza da Europa.
A empresa manteve ainda a sua orientação anual e anunciou um aumento de 3% no dividendo trimestral, bem como o arranque de um programa de recompra de ações no valor de 1,5 mil milhões de euros, a concluir até julho.
No plano estratégico, a empresa confirmou o acordo para a combinação do seu negócio de alimentar com a McCormick, operação que visa criar uma “potência global de sabores” e transformar a Unilever numa empresa mais focada no segmento de higiene pessoal e cuidados domésticos. A transação deverá gerar sinergias anuais de cerca de 600 milhões de dólares, com conclusão esperada até meados de 2027.








