Pessoa a utilizar computador portátil com ícones digitais de inteligência artificial, automação e dados, representando transformação digital e tecnologia

Apenas 11% das empresas atingiram maturidade tecnológica, revela KPMG

As organizações a nível mundial estão a acelerar os seus investimentos em tecnologia e em Inteligência Artificial, mas a maioria ainda não tem as estruturas necessárias para transformar esse investimento em resultados consistentes, em previsibilidade operacional e em retorno financeiro.

Esta é uma das principais conclusões do Global Tech Report 2026: Liderança na era de AI, um estudo internacional da KPMG que analisa anualmente as decisões, o financiamento e a governance da tecnologia em 27 países.

De acordo com o estudo, 50% dos executivos acredita que as suas organizações irão atingir o nível máximo de maturidade tecnológica até ao final de 2026, quando apenas 11% afirma estar hoje nesse patamar. Esta discrepância revela um claro fosso entre a ambição e a realidade, num contexto em que a transformação digital deixa de ser opcional e passa a ser um fator crítico de competitividade.

“A transformação tecnológica entra numa fase decisiva, pois já não se trata apenas de investir em novas ferramentas, mas de garantir que existem bases estruturadas (dados, arquitetura, talento e governance) que permitam escalar a tecnologia de forma sustentável e com impacto real na competitividade e no negócio“, afirma Rui Gonçalves, Partner e Head of Technology Consulting da KPMG em Portugal.

Apesar do otimismo, o estudo da KPMG identifica desafios estruturais relevantes: mais de 53% das empresas reconhece que não dispõem ainda do capital humano necessário para concretizar os seus objetivos de transformação, enquanto 63% admite que o custo de corrigir a dívida técnica acumulada está a travar novos investimentos. Em paralelo, 69% das empresas afirma ter feito compromissos em áreas como a segurança ou a normalização de dados para ganhar velocidade e reduzir custos, aumentando o risco operacional a médio prazo.

Investimento em “agentic AI”

Um dos temas centrais do Global Tech Report 2026 é a evolução da Inteligência Artificial. O relatório mostra que a IA está a sair da fase experimental para se tornar parte integrante das operações das empresas. Segundo o estudo, 88% dos executivos afirma já estar a investir na integração de “agentic AI”, ou seja, agentes de IA capazes de executar tarefas de forma autónoma dentro dos sistemas, sinalizando a transição para uma nova fase da transformação digital, em que a IA passa a funcionar como uma verdadeira força de trabalho digital.

No entanto, esta evolução traz novos desafios, pois embora 74% das empresas afirmem que a Inteligência Artificial já cria valor para o negócio, apenas 24% conseguem demonstrar retorno do investimento consistente em múltiplos casos de uso. O estudo revela ainda que 58% dos executivos considera que as métricas tradicionais de ROI são insuficientes para avaliar investimentos em IA, e 55% admitem dificuldades em comunicar o valor destes projetos a stakeholders e acionistas.

Estes dados reforçam a necessidade de repensar a forma como o valor tecnológico é medido e governado. Segundo o estudo, o foco deve ir além da eficiência e da redução de custos, incorporando métricas relacionadas com a mitigação de risco, a melhoria da tomada de decisão, a aceleração de processos e a resiliência operacional.

Transformar ambição tecnológica em valor

Segundo as conclusões do estudo, os próximos anos irão distinguir claramente as empresas que conseguem transformar ambição tecnológica em valor sustentável, daquelas que ficam presas a projetos dispersos, métricas inadequadas e sistemas legados. A capacidade de adaptação, a governação da Inteligência Artificial, o investimento em talento e a modernização das bases tecnológicas serão fatores determinantes para competir na chamada “Era da Inteligência”.

Embora o Global Tech Report 2026 não apresente dados específicos para Portugal, as conclusões do estudo são particularmente relevantes para o tecido empresarial nacional, marcado por desafios estruturais ao nível da produtividade, ao nível da escala e da previsibilidade operacional. Num contexto em que muitas organizações portuguesas coexistem com constrangimentos de talento especializado e com pressão crescente sobre custos, a transformação digital exige assim um equilíbrio rigoroso entre ambição e execução.

“A aceleração da Inteligência Artificial e da automação, sem uma base sólida de dados, de governance e de arquitetura tecnológica, poderá agravar riscos operacionais e dificultar a demonstração de retorno, num mercado onde a capacidade de investir de forma seletiva e de escalar com disciplina será cada vez mais determinante para a competitividade e para a resiliência das empresas“, conclui Rui Gonçalves.

Cartaz da conferência Grande Consumo: “Consumo na Era da Imprevisibilidade”, 4 de novembro de 2026, Taguspark, Oeiras
Cartaz da conferência Grande Consumo: “Consumo na Era da Imprevisibilidade”, 4 de novembro de 2026, Taguspark, Oeiras
Siga-nos em sidebar-1