Miniatura de casa sobre documentos financeiros, com moedas empilhadas e calculadora, representando compra de habitação ou crédito à habitação

Habitação: esforço financeiro trava investimento na eficiência energética

71% das famílias que abdicaram de obras fizeram-no por falta de disponibilidade financeira

A habitação continua a ser uma prioridade central de investimento para os portugueses. No entanto, a pressão orçamental está a bloquear decisões estruturais, especialmente no que respeita à transição energética e ao conforto do lar.

De acordo com o relatório “Habitação: um compromisso com transição energética sob pressão financeira”, divulgado pelo Cetelem, 90% dos portugueses sentem uma ligação à sua habitação. Contudo, embora 94% assumam estar satisfeitos com o seu lar, esta perceção é maioritariamente moderada (56%). Apenas 38% estão totalmente satisfeitos.

Esta satisfação cai significativamente quando o foco são os custos de manutenção (apenas 33% estão totalmente satisfeitos) ou o estado de conservação do imóvel (28%). As fragilidades são realçadas com 30% dos inquiridos a avaliar negativamente o conforto térmico no inverno. Além disso, 22% mostra-se insatisfeito com o isolamento das suas casas.

Fatura energética no centro das preocupações

A energia é, atualmente, o maior foco de incerteza para as famílias. O estudo revela que 69% dos portugueses receiam o aumento dos preços da eletricidade. Mais de metade (54%) teme não conseguir pagar as faturas no futuro. Ainda assim, apesar de 93% reconhecerem que o desempenho energético influencia o valor de mercado do imóvel, 69% dos que renovaram a casa registaram reduções nas faturas. Contudo, a aposta na eficiência energética é bloqueada por falta de verbas. 71% dos que desistiram de fazer obras apontam o custo como uma das razões principais.

“Os resultados deste estudo mostram que a casa continua a ser o porto de abrigo dos portugueses, mas é um abrigo sob pressão. Existe uma consciência clara de que a eficiência energética valoriza o património, traz mais conforto e reduz custos, mas a disponibilidade financeira condiciona a realização de projetos de remodelação. Em 2026, o desafio passa por tornar acessíveis soluções que facilitem a concretização destes projetos, bem como a transição energética, garantindo que o conforto e a sustentabilidade não sejam adiados por limitações orçamentais”, afirma Hugo Lousada, diretor de marketing B2B & B2C do Cetelem.

Motivação é o conforto e não o ambiente

A sustentabilidade do planeta não é o motor das obras de renovação. Apenas 7% dos portugueses indicam motivações ambientais, enquanto 42% elegem o conforto como a razão prioritária para investir na casa. No entanto, o planeamento é cauteloso: apenas 14% têm a certeza de que farão obras este ano, com mais 41% a admitirem esta possibilidade.

Quanto ao financiamento, o recurso a capitais próprios prevalece, com 48% a recorrerem a poupanças e 29% a pronto pagamento. 17% esperam conseguir concretizar estes projetos com acesso a ajudas públicas. Além disso, 27% recorrem à subscrição de um crédito para obras de renovação. O Observador Cetelem antecipa, no entanto, que possa existir uma transformação no mercado. Isto porque 46% dos jovens até aos 35 anos considera o crédito como uma ferramenta natural e ágil de valorização do património.

Cartaz da conferência Grande Consumo: “Consumo na Era da Imprevisibilidade”, 4 de novembro de 2026, Taguspark, Oeiras
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