Portugal é um país em fase de aceleração, onde a cibersegurança ganha maturidade e relevância estratégica. Esta é uma das conclusões do estudo “Preparing for NIS2 and Beyond: The Next Phase of Cyber Resilience in EMEA“, desenvolvido pela IDC para a Microsoft, que analisa o grau de preparação de duas mil organizações europeias para a diretiva europeia Network and Information Security 2 (Diretiva NIS2).
Esta diretiva estabelece um quadro jurídico comum para reforçar a cibersegurança na União Europeia, abrangendo 18 sectores críticos. Além disso, exige que os Estados‑membros adotem estratégias nacionais e cooperem entre si para garantir prevenção, resposta e coordenação transfronteiriça.
O estudo aponta que 63% das organizações portuguesas esperam alcançar conformidade total com a NIS2 no espaço de 12 meses, alinhando‑se com o calendário nacional de transposição, que será concluído em 2026. Adicionalmente, 100% das organizações a nível nacional recorrem a parceiros externos para apoiar o processo de preparação para a diretiva. Isto sinaliza uma forte procura por conhecimento especializado para cumprir os novos requisitos.
Inteligência artificial aplicada à segurança
Outra conclusão do estudo é a de que as empresas com maior maturidade na conformidade com a diretiva NIS2 estão igualmente mais avançadas na adoção de inteligência artificial aplicada à segurança. Os números recolhidos indicam que entre 40% e 50% das organizações europeias já utilizam ferramentas de IA generativa em áreas como proteção de dados, cloud security, gestão de identidades ou operações de segurança. Consequentemente, estas organizações obtêm benefícios na rapidez de deteção de incidentes, na resposta a ameaças e na eficiência dos processos de conformidade.
O relatório mostra ainda que 75% das organizações europeias registam ganhos de eficiência nas operações de segurança graças à adoção de IA generativa, evidenciando o seu papel enquanto acelerador da conformidade. No entanto, apenas 17,5% das organizações europeias afirmam estar hoje totalmente conformes com a diretiva. Isto demonstra que, apesar do progresso, a adoção plena continua a ser um desafio transversal.
Mas essa não é a única diferença. O estudo revela que as organizações mais avanças – diga-se num estágio mais avançado de utilização de IA – revelam níveis superiores de prontidão, segurança em ambientes de IA e consciência digital. Paralelamente, também apresentam uma maior capacidade de resiliência e beneficiam de ganhos significativos de eficiência proporcionados pela IA. Além disso, dispõem de um outlook de financiamento para a segurança mais estável, construindo estratégias orientadas para resultados de negócio e não apenas para redução de custos. Em oposição, as organizações menos maduras tendem a privilegiar critérios de custo na escolha de parceiros. Igualmente, essas organizações enfrentam maior pressão orçamental, permanecem afastadas dos benefícios operacionais da IA e acumulam atrasos no cumprimento dos requisitos da diretiva.
Áreas críticas para 2026
O relatório aponta ainda que em Portugal, em linha com a Europa, as prioridades de modernização identificadas colocam a segurança de dados, a segurança na cloud e a gestão de risco associada à inteligência artificial entre as áreas críticas para 2026. Isto ocorre porque 39% das organizações portuguesas priorizam investimentos em segurança de dados. Adicionalmente, 29% apostam em segurança na cloud e outros 29% elegem a gestão de risco em IA como áreas fundamentais para cumprir a diretiva.
O estudo realça que estes surgem num contexto em que 56% das empresas no país afirmam ter um nível de segurança de IA ainda em fase de desenvolvimento, 23% consideram estar num nível estável e apenas 11% acreditam estar num patamar de segurança de IA avançado.
Barreiras
Mas o documento também salienta a existência de barreiras – relevantes – para as organizações nacionais conseguirem estar totalmente conformes com esta diretiva. Para 44% das organizações portuguesas, a transição para tratar a gestão de risco cibernético como verdadeiramente obrigatória, e não apenas como uma recomendação, continua a ser um dos principais desafios. Além disso, 24% indicam dificuldades no mapeamento das suas capacidades face aos requisitos da NIS2. Outros 24% assinalam a complexidade associada às variações de políticas e controlos entre diferentes países da União Europeia.
Apesar disso, o documento refere que também se observa um forte impulso positivo: 36% das organizações apontam a melhoria da resiliência face a ciberameaças como principal motor de modernização. Além disso, 29% destacam a necessidade de reforçar a preparação e conformidade regulatória e 24% sublinham o acesso a tecnologias avançadas como elemento determinante para acelerar esta evolução.
A transposição da Diretiva NIS2 representa uma oportunidade para as organizações europeias irem além da conformidade e consolidarem uma estratégia de segurança moderna, resiliente e preparada para o futuro. O relatório conclui que, para as empresas europeias garantirem conformidade com esta diretiva, será essencial formalizar a governação, acelerar a modernização e adotar uma abordagem de segurança impulsionada por IA. Além disso, será importante reduzir fragmentação tecnológica e preparar a conformidade em múltiplos países. Com esta estratégia, a cibersegurança deixa de ser apenas um requisito regulatório para se afirmar como base para inovação sustentável e resiliência a longo prazo.








