O pagamento de resgates em ataques de ransomware deixou de ser sinónimo de recuperação de dados para as pequenas e médias empresas portuguesas (PME). De acordo com o “Relatório de Ciberpreparação 2025” da Hiscox, apenas 59% das PME que pagaram um resgate conseguiu recuperar parte ou a totalidade da informação, enquanto mais de 40% perdeu definitivamente os seus dados.
O estudo revela que cerca de um terço das PME portuguesas foi alvo de ataques de ransomware no último ano, confirmando que este tipo de crime informático se consolidou como uma das principais ameaças ao tecido empresarial nacional.
Mesmo após o pagamento 31% das empresas viu os seus dados divulgados, 19% recebeu chaves de recuperação ineficazes, 28% sofreu novos ataques e 25% teve de reconstruir integralmente os sistemas. No final, apenas 28% conseguiu evitar totalmente a exposição da informação.
Evitar a divulgação é o principal motivo para pagar
Entre as PME que cederam às exigências dos atacantes, a principal motivação foi impedir a publicação de dados sensíveis. 79% pagou para evitar a divulgação de informação e percentagem semelhante tentou recuperar os dados perdidos. O relatório mostra ainda que 84% reconstruiu informação comprometida e 89% recorreu a cópias de segurança.
Ainda assim, o estudo demonstra que estas estratégias, isoladamente, raramente são suficientes para garantir a proteção dos ativos digitais.
Impactos vão além do ransomware
Para além dos ataques de ransomware, as PME portuguesas enfrentam múltiplas consequências associadas à cibercriminalidade. Nomeadamente, a perda de dados não encriptados (43%), ataques DDoS (41%), fraudes por desvio de pagamentos (40%), uso indevido de recursos de TI (33%), perda de dados encriptados sem exposição (33%) e vírus não associados a ransomware (29%).
Estes dados mostram que a vulnerabilidade digital das PME é transversal e vai muito além de um único tipo de ameaça.
A transparência surge como uma possível resposta ao crescimento do fenómeno. Segundo o relatório, 65% das PME é favorável à obrigação de divulgar o pagamento de resgates e 56% acredita que isso ajudaria as autoridades. A Hiscox nota ainda que 55% considera que reforçaria a informação para clientes e parceiros e 52% defende que reduziria o estigma. Adicionalmente, 44% associa a medida ao reforço da confiança.
Por outro lado, 35% rejeita esta obrigatoriedade, receando maior exposição a ataques, impactos reputacionais e perda de competitividade.
Preparação e prevenção são decisivas
Ana Silva, cyber lead da Hiscox Portugal e Espanha, sublinha que o ransomware se tornou um modelo de negócio altamente rentável para os criminosos. “Pagar um resgate não garante a recuperação da informação nem impede a sua divulgação. A preparação, a prevenção e a capacidade de resposta são hoje mais importantes do que nunca”.
A responsável defende ainda que a transparência é um passo fundamental para fortalecer o ecossistema digital e melhorar a gestão do risco.








