Pessoa a utilizar um smartphone com ilustração de assistente virtual e balões de conversa sobrepostos no ecrã, representando interação com inteligência artificial e chatbot Foto Shutterstock

83% dos consumidores aceitaria anúncios em assistentes de IA, mas confiança será determinante

Estudo da Forrester revela abertura ao modelo freemium com publicidade, mas alerta para riscos de credibilidade e confusão entre resposta e promoção

A maioria dos consumidores está disponível para aceitar publicidade em agentes de inteligência artificial como o ChatGPT, desde que isso permita o acesso gratuito ao serviço.

Segundo um estudo da Forrester, 83% dos utilizadores aceitaria anúncios integrados nestas plataformas, enquanto apenas 6% afirma que preferiria pagar para evitar publicidade.

A conclusão resulta de uma sondagem realizada a 409 adultos nos Estados Unidos, Reino Unido e Canadá, através do painel Consumer Voices da consultora. Os dados confirmam que o modelo freemium com publicidade é, do ponto de vista do utilizador, amplamente viável. No entanto, a aceitação está fortemente condicionada à confiança e à forma como os anúncios são integrados na experiência conversacional.

Freemium ganha força como modelo dominante

O estudo oferece uma indicação clara: a maioria dos consumidores prefere manter o acesso gratuito às ferramentas de IA. Mesmo que isso implique a presença de anúncios.

Este cenário reforça a tendência observada no mercado digital ao longo das últimas décadas. Os modelos suportados por publicidade tornaram-se predominantes nas redes sociais, nos motores de busca e nas plataformas de conteúdos.

No caso dos assistentes de IA, porém, o contexto é diferente. Enquanto num motor de pesquisa o utilizador está habituado a distinguir entre resultados orgânicos e patrocinados, num ambiente conversacional, a resposta surge como personalizada, contextual e aparentemente neutra. Essa perceção torna a integração de publicidade mais sensível.

Confiança como fator crítico

A Forrester sublinha que a principal barreira não é a presença de anúncios em si, mas o risco de a publicidade diluir a fronteira entre informação útil e promoção paga. Num ambiente onde o assistente é percecionado como assistente pessoal, a confiança torna-se um ativo ainda mais crítico do que noutras plataformas digitais.

Os consumidores demonstram preocupação com a possibilidade de respostas enviesadas por interesses comerciais. Também se preocupam com a dificuldade em identificar conteúdos patrocinados, perda de neutralidade da plataforma e redução da qualidade da experiência.

Cartaz da conferência Grande Consumo: “Consumo na Era da Imprevisibilidade”, 4 de novembro de 2026, Taguspark, Oeiras
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