Portugal é o décimo mercado em valor para os produtos da pesca noruegueses, tendo representado, em 2025, 6,1 mil milhões de coroas (cerca de 5,4 mil milhões de euros). Este número, divulgado pelo NSC – Norwegian Seafood Council, reflete um crescimento de 16% face ao ano anterior.
A Polónia continua a ser o principal mercado, a valer 19,1 mil milhões de coroas norueguesas, mas os Estados Unidos e a China, o terceiro e o quarto destinos destas exportações, são os países que mais crescem, 19% e 31%, respetivamente, na comparação dos últimos dois anos.
No topo dos produtos da pesca exportados pela Noruega está o salmão, cujas exportações alcançaram os 124,7 mil milhões de coroas, a grande distância do segundo, o bacalhau, com 12,7 mil milhões.
No que toca ao bacalhau, Portugal recebe 40% das exportações norueguesas, o que torna o país um destino do investimento do NSC, quer na ligação à indústria e ao retalho, quer na construção de visibilidade junto dos consumidores.
E isso mesmo ficou patente, esta semana, num evento na residência da embaixadora da Noruega em Lisboa. A anfitriã, Hanne Brusletto, começou por enfatizar que os dois países estão ligados por este “produto fantástico”, que constitui uma verdadeira ponte entre povos e economias. “O bacalhau da Noruega não é apenas um ingrediente, é uma herança partilhada, um símbolo de identidade e de paixão dos dois países”, realçou.
Uma mensagem que foi enfatizada pelo CEO do NSC, Christian Kramer, que recordou o papel do organismo que lidera há três anos na promoção dos produtos do mar e da pesca junto da indústria e dos consumidores em 27 mercados de todo o mundo. Afinal, depois do petróleo e o gás, está no top das exportações.
38 milhões de refeições por dia
“Fornecemos comida para o mundo e esta é a mensagem mais importante que podemos passar aos políticos, à indústria e aos consumidores. Mais do que o valor económico, é importante salientar que fornecemos 38 milhões de refeições por dia”, destacou.
Neste contexto, assume cada vez mais relevo a gestão sustentável destes recursos marinhos, com a aquacultura a ser – como definiu – “a receita secreta para o futuro”. Representa, atualmente, 73% do total de produtos da pesca exportados, em termos de valor, sendo que, em volume, corresponde a 54%. Em 2025, a Noruega exportou 1,5 milhões de toneladas de peixe de aquacultura, no valor de 133,4 mil milhões de coroas. No entanto, ressalvou que isto não significa um abandono da captura selvagem, que se mantém estável e importante para as populações costeiras, criando emprego.
No que toca ao bacalhau e a Portugal, a estratégia visa fazer a categoria crescer, como deu conta a representante do NSC no país, Gudfinna Traustadottir. “O bacalhau continua a ser central no consumo e na cultura e a nossa ambição é continuar a liderar os investimentos, mantendo o bacalhau da Noruega como líder”, afirmou. Atingir esse objetivo envolve um trabalho de parceria com toda a cadeia, da indústria aos retalhistas, passando pelos parceiros institucionais. É esse o propósito, nomeadamente, do seminário “O futuro do bacalhau”, que, este ano, acontece a 29 de abril, em Lisboa.
Os consumidores estão no outro prato da balança, com a abordagem a envolver comunicação e marketing multicanal, quer nos media, quer com recurso a influenciadores digitais, quer ainda com parcerias com chefs. Ativações em momentos chave de consumo, como os festivais de música de verão e o Natal, e a colocação de produto em programas televisivos populares são outras das ferramentas.
Protocolo com a AHRESP
Novidade é o projeto “Onde posso comer bacalhau”, uma plataforma que ficará acessível online, desenvolvida com importadores e clientes, visando aumentar a visibilidade junto do consumidor, promovendo a perceção de qualidade. Na prática, trata-se de um guia de restaurantes, de norte a sul do país, tendo o bacalhau como fio condutor.
A AHRESP – Associação da Hotelaria e Restauração de Portugal deu a sua chancela institucional a esta iniciativa, tendo sido firmado, no evento, um protocolo que formaliza a parceria. Coube a Júlio Fernandes, chef e vice-presidente, representar a associação, o que fez afirmando que este acordo representa “um compromisso claro, consistente e estratégico com a restauração português, com a qualificação da oferta gastronómica e com a valorização de um produto identitário da cultura alimentar nacional”.
Sobre a plataforma, referiu que se trata de “uma ferramenta de valorização dos restaurantes portugueses, de apoio efetivo aos empresários da restauração e de orientação clara aos consumidores que procuram experiências gastronómicas autênticas e qualificadas”. É, ainda, “uma forma de reconhecer o trabalho diário dos profissionais do sector”.
















