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Agricultores do Douro contestam lei que impõe uso exclusivo de aguardente vínica da região no Vinho do Porto

As Organizações de Agricultores da Região Demarcada do Douro (RDD) manifestaram “profundo descontentamento, oposição e revolta” face à aprovação, na Assembleia da República, do Projeto de Lei n.º 236/XVII/1.ª, que determina o uso exclusivo de aguardente vínica com origem e produção na RDD na beneficiação do Vinho do Porto e do Moscatel do Douro.

A iniciativa legislativa, apresentada pelo JPP e aprovada no passado dia 30 de janeiro com os votos favoráveis do Chega, PS, PAN, Livre, PCP, BE e JPP, altera o Decreto-Lei n.º 106/2025, de 15 de setembro, passando a consagrar por via legal uma regra que, até agora, estava sujeita a discussão no âmbito interprofissional do sector.

A contestação surge no mesmo dia em que foram tornados públicos os resultados de um estudo técnico solicitado pelo ministro da Agricultura ao Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP), destinado a avaliar a viabilidade legal e económica da utilização exclusiva de aguardente produzida a partir de uvas da região. Segundo as organizações agrícolas, o Parlamento deliberou sem que fossem apresentados dados que contrariassem as conclusões desse estudo.

De acordo com o relatório do IVDP, citado pelos subscritores do comunicado, a imposição do uso exclusivo de aguardente vínica da RDD é “economicamente insustentável, tecnicamente inviável e estrategicamente arriscada”, podendo comprometer a estrutura produtiva da região e colocar em causa a credibilidade dos vinhos com Denominação de Origem Douro e Porto.

As organizações de agricultores criticam ainda o que consideram ser uma ingerência política num domínio tradicionalmente regulado através do diálogo interprofissional, nomeadamente pelo conselho interprofissional da região. Na sua perspetiva, a decisão da Assembleia da República desvaloriza os mecanismos de governação próprios da DO Douro e DO Porto e transmite a ideia de que a região é incapaz de encontrar soluções adequadas para responder aos desafios económicos e sociais que enfrenta.

Para os viticultores, a nova lei poderá ter consequências particularmente gravosas para os pequenos e médios produtores, colocando em risco a sustentabilidade económica da Região Demarcada do Douro num contexto já marcado por elevada incerteza no sector vitivinícola. Alertam, igualmente, para o potencial impacto negativo na reputação dos vinhos do Douro e do Porto nos mercados nacionais e internacionais.

Num momento que classificam como especialmente crítico para a região, as organizações subscritoras afirmam que a aprovação do diploma representa uma quebra de confiança entre os decisores políticos e as comunidades locais. Consideram que a decisão revela um afastamento da realidade vivida por quem trabalha diariamente na mais antiga região demarcada e regulamentada do país e que procura, através do diálogo construtivo, garantir um futuro sustentável para o Douro.

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