A empresa de cibersegurança NordVPN revelou novos dados sobre os riscos de privacidade que os portugueses enfrentam à medida que as ferramentas de IA se tornam parte integrante das rotinas de trabalho diárias.
De acordo com dados do Teste Nacional de Privacidade relativos ao ano de 2025, 92% dos portugueses não compreendem que questões de privacidade devem ter em conta ao utilizar IA no trabalho. À medida que milhões de trabalhadores recorrem a assistentes de IA como o ChatGPT, o Copilot e outras ferramentas generativas para aumentar a produtividade, podem estar, sem o saber, a expor dados pessoais e empresariais sensíveis.
“A rápida adoção da IA no local de trabalho ultrapassou a nossa compreensão dos seus riscos. As pessoas estão a introduzir informações confidenciais em ferramentas de IA sem perceberem para onde esses dados vão, como são armazenados ou quem pode ter acesso a eles“, afirma Marijus Briedis, diretor de tecnologia (CTO) da NordVPN. “Ao contrário de uma conversa com um colega, as interações com ferramentas de IA podem ser registadas, analisadas e potencialmente utilizadas para treinar modelos futuros. Quando os colaboradores partilham dados de clientes, estratégias internas ou informações pessoais com assistentes de IA, podem estar a criar vulnerabilidades de privacidade sem querer“.
Os riscos da IA não se ficam pelo trabalho
Ao mesmo tempo que se debatem para proteger os seus dados ao utilizar ferramentas de IA, os portugueses estão também a tornar-se cada vez mais alvos de ataques com recurso a inteligência artificial. A mesma tecnologia que aumenta a produtividade no trabalho é utilizada por cibercriminosos para criar burlas mais convincentes.
De acordo com o Teste Nacional de Privacidade, mais de um terço dos portugueses (35%) não consegue identificar corretamente burlas comuns realizadas com recurso a tecnologia de IA, como deepfakes e clonagem de voz. À medida que as capacidades da IA evoluem da clonagem de voz para a criação de vídeos completos, com movimentos corporais realistas de personagens geradas que podem parecer pessoas reais, estas burlas tornam-se cada vez mais difíceis de detetar.
As consequências já são graves. De acordo com pesquisas anteriores da NordVPN, uma em cada três pessoas a nível mundial deparou-se com burlas online nos últimos dois anos. Quase metade (49%) das vítimas afirmou ter perdido dinheiro.
“A IA simplificou o cibercrime. Já não é necessária experiência técnica para criar um e-mail de phishing convincente, clonar a voz de alguém ou desenvolver um site falso de compras que seja praticamente idêntico ao verdadeiro“, afirma Marijus Briedis. “Os burlões utilizam IA para criar réplicas quase perfeitas de sites de comércio populares. A barreira de entrada para os cibercriminosos nunca foi tão baixa“.
Espera-se que esta ameaça continue a crescer. Os especialistas da NordVPN preveem que os ataques impulsionados por IA estejam entre os principais riscos de cibersegurança em 2026, com os cibercriminosos a recorrerem a métodos cada vez mais sofisticados para explorar vulnerabilidades.







