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85% dos portugueses preocupados com o consumo sustentável

ambiente

Os cidadãos estão conscientes da realidade do aquecimento global e do esgotamento de recursos. Mas, será que os consumidores estão prontos para mudarem os seus paradigmas relativamente aos desafios ambientais? Quais são os seus hábitos de consumo e que medidas estão a tomar? Estas são algumas das questões a que responde o estudo realizado em quatro países – Portugal, Espanha, França e Hungria – pelo Oney e pela OpinionWay.

As preocupações e expectativas dos consumidores portugueses que participaram neste estudo não diferem muito dos outros europeus inquiridos. 92% dos portugueses acreditam que, diariamente, já são proativos no que respeita a decisões de consumo sustentável. Para a seleção no momento da compra, o preço continua a ser o critério mais importante para os portugueses, tal como acontece nos outros países, mas a reputação da marca, a performance do produto adquirido e a durabilidade do mesmo são menos relevantes para os portugueses do que para os franceses ou espanhóis. De entre todos os inquiridos, os portugueses são os que mais peso dão ao critério do impacto na saúde, que é muito relevante para 65%, e os mais dispostos a aumentarem o consumo de produtos orgânicos (92%).

Para incentivar o consumo sustentável, 26% dos portugueses consideram que as empresas devem apresentar novas ofertas e soluções mais amigas do ambiente, bem como 23% afirma que deverá passar por preços mais acessíveis.

Uma preocupação pan-europeia

90% dos consumidores europeus inquiridos dizem estar sensibilizados para o consumo sustentável e acreditam que estão a tomar medidas neste sentido. Para balizar o conceito de consumo sustentável, os consumidores apresentaram três critérios principais: o desperdício de alimentos, que é a principal preocupação dos consumidores, nomeadamente para 68% dos franceses e 66% dos portugueses; a obsolescência programada, com quase 50% dos entrevistados preocupados com esta estratégia dos fabricantes que torna um produto obsoleto ou não funcional, especificamente para forçar o consumidor a comprar a nova geração do mesmo; e os métodos de produção, uma preocupação de 30% dos europeus.

Os consumidores estão também preocupados com a sua pegada ecológica e começam a optar por métodos de compra alternativos, incluindo produtos em segunda mão. Estes produtos foram já adquiridos, em média, por 80% dos consumidores europeus, concretamente por 84% dos portugueses, 89% dos espanhóis, 85% dos franceses e por 84% dos húngaros. Cerca de 67% dos consumidores portugueses já compraram carros, motas ou bicicletas em segunda mão.

As inovações tecnológicas não são alheias a estas novas práticas, como se confirma pelo facto de cerca 58% dos portugueses já comprarem online e 60% diretamente a outra pessoa.

O aluguer é uma prática muito usada, sobretudo em Portugal e na Hungria, onde 73% e 78% dos consumidores já recorreram ao mesmo, respetivamente.

Embora o preço continue a ser um critério incontornável, estão a surgir novos critérios de seleção no momento de compra. O impacto na saúde é o segundo critério mais importante em Espanha e em Portugal, onde 65% e 57% dos consumidores, respetivamente, o consideram um fator-chave na escolha de um produto. A maioria dos consumidores franceses ainda continua a preferir o desempenho e durabilidade do produto e para 54% a vida útil dos produtos tornou-se um critério de escolha.

Do mesmo modo, a reputação das empresas, que é o menos relevante para os consumidores húngaros (29%), é importante para os franceses e cerca de 43% tem isso em consideração na hora de comprar.

Na generalidade, o consumo energético é um dos critérios menos valorizados pela maioria dos consumidores questionados, mas para 57% dos húngaros este é um fator importante para a decisão de compra.

Ainda que os consumidores sejam proativos diariamente na mudança nos seus hábitos de consumo, a maior parte deles está pessimista quanto à capacidade das empresas em irem ao encontro das suas expectativas de desenvolvimento sustentável e de consumo responsável. Mais de metade dos inquiridos não acreditam nas promessas das marcas no que diz respeito à sustentabilidade e são extremamente céticos sobre a possibilidade de responder às mudanças climáticas através de inovações tecnológicas. Por exemplo, apenas 12% dos franceses e 16% dos portugueses acreditam que o progresso tecnológico ajudará a conter o aquecimento global.

Mas esta questão está na base da principal expectativa dos consumidores europeus inquiridos em relação às empresas: 96% dos portugueses, 95% dos húngaros e 92% dos franceses e espanhóis querem que as empresas se comprometam e que os ajudem a melhorar, através da disponibilização de produtos e práticas mais sustentáveis e responsáveis. Estas práticas devem ser vistas no contexto de uma tendência crescente pela racionalização do consumo (“deconsumerism”), considerada inevitável por 78% dos húngaros, 74% dos portugueses, 68% dos franceses e 58% dos espanhóis.

É crucial para as empresas irem ao encontro das expectativas e aspirações dos consumidores, dado estes estarem prontos para uma mudança de hábitos e para avançarem no sentido de um consumo sustentável. Mais de 80% dos inquiridos querem consumir mais produtos orgânicos, limitar o efeito poluente das atividades de lazer e estão dispostos a pagar mais por um produto se este tiver uma origem responsável, bem como a encontrarem modos alternativos de transporte.

Sector bancário no centro desta mudança de paradigma

As expectativas dos consumidores relativamente aos bancos estão a mudar. Hoje, o apoio ao cliente e os serviços de aconselhamento são considerados um pré-requisito e não um serviço adicional. Mais de 80% dos inquiridos querem aconselhamento gratuito para otimizarem o seu orçamento.

Mas os clientes querem que esta relação ultrapasse a questão da otimização pessoal e que os aspetos ambientais sejam levados em consideração: cerca 80% dos consumidores pretendem que os bancos implementem ferramentas para medir a pegada ambiental das compras (87% dos portugueses – nove em cada 10 -, 79% dos húngaros e espanhóis e 77% dos franceses).

Os consumidores estão dispostos a recompensar os bons desempenhos. 75% dos inquiridos estão recetivos a escolher o banco de acordo com as suas práticas conscientes e sustentáveis, como a concessão de empréstimos com juros baixos para compras sustentáveis ou parcerias com empresas empenhadas a nível ambiental. A novidade é que mais de 50% dos consumidores (65% dos húngaros, 58% dos espanhóis, 55% dos portugueses e 47% dos franceses) estão dispostos a pagar entre 5% a 10% mais para apoiar as ações dos seus bancos, um sinal de que o compromisso de uma empresa com o consumo sustentável é um critério tão importante quanto os preços que pratica.

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