O regresso às aulas volta a pressionar o orçamento das famílias portuguesas. 43% dos consumidores inquiridos prevê gastar entre 100 e 250 euros por filho na preparação do novo ano letivo, enquanto apenas 10% antecipa uma despesa inferior a 100 euros, segundo um estudo da ConsumerChoice.
A perceção de agravamento dos custos é generalizada: 83% dos participantes considera que o regresso às aulas será mais caro do que em 2025 e 86% acredita que estas despesas continuarão a aumentar nos próximos anos.
Material escolar absorve a maior fatia do orçamento
O material escolar continua a ser a principal fonte de despesa. Cerca de 64% dos inquiridos espera gastar mais nesta categoria, com os cadernos e blocos a serem apontados por 73%, seguidos do material de escrita, com 57%, e dos manuais escolares, com 56%.
A tecnologia ganha igualmente peso no orçamento familiar: 49% prevê comprar um computador ou tablet para o novo ano letivo.
Para Nassrin Majid, diretora-geral da ConsumerChoice, a preparação do ano escolar continua a representar “um desafio financeiro para muitas famílias portuguesas”, levando os consumidores a procurar um equilíbrio entre qualidade e aumento dos preços.
Oito em cada dez cortam noutras despesas
A necessidade de financiar o regresso às aulas está também a provocar ajustamentos noutras áreas do orçamento. Oito em cada dez consumidores afirmam reduzir despesas noutros sectores para suportar os encargos do novo ano letivo. A restauração é a área mais afetada, mencionada por 69% dos participantes, seguida do lazer, com 50%, e das férias, com 48%.
Os dados sugerem, assim, que o impacto do regresso às aulas ultrapassa a compra direta de material escolar e acaba por condicionar outras decisões de consumo das famílias.
Comparar preços tornou-se regra
Num contexto de maior pressão sobre o rendimento disponível, a comparação de preços assume um papel central no processo de compra. Segundo o estudo, 86% dos consumidores compara regularmente preços antes de adquirir material escolar.
Apesar desta atenção ao custo, o preço não é o único critério. Preço e qualidade/durabilidade surgem empatados, ambos com 39%, entre os fatores com maior peso na decisão de compra, sinalizando uma procura de equilíbrio entre poupança e capacidade de utilização dos produtos ao longo do tempo.
Este comportamento poderá favorecer não apenas campanhas promocionais, mas também propostas que comuniquem durabilidade e relação qualidade-preço num momento particularmente sensível para as famílias.
86% espera que os custos continuem a aumentar
As expectativas relativamente aos próximos anos permanecem pouco otimistas. 86% dos inquiridos acredita que os custos associados ao regresso às aulas continuarão a subir, enquanto 34% descreve este período sobretudo como um momento de organização familiar e 24% associa-o a um esforço financeiro crescente.
A tendência reforça a importância da gestão antecipada do orçamento, da pesquisa de preços e da seleção dos produtos considerados prioritários.
Para o retalho, o regresso às aulas mantém-se, assim, como um momento de forte intensidade comercial, mas também de maior racionalização do consumo, com as famílias a revelarem maior sensibilidade ao preço sem abandonarem critérios relacionados com qualidade e durabilidade.








