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2020 em retrospetiva

Foto Shutterstock

2020 foi um ano de mudanças determinantes, algumas já previstas, outras que tiveram de ser enfrentadas em tempo real e das quais se desconhece ainda o impacto a longo prazo. A Ipsos Apeme passou o ano em revista e destaca algumas questões, cujo impacto continuará a fazer-se sentir em 2021.

 

Expectativas de futuro

Desde o início da pandemia, o otimismo em relação à situação do país esteve sempre baixo por comparação ao otimismo do próprio futuro (39% versus 48%, repetivamente).  A este facto não será alheia a perceção de que se enfrenta uma crise nunca antes vivida. Os portugueses ainda não conseguem identificar as consequências futuras da pandemia, no entanto, 81% acredita que o impacto mais forte será na economia portuguesa.

 

Emergência climática

Apesar da pandemia, as preocupações face ao ambiente e às alterações climáticas persistem. A nível mundial, 80% pensa que estamos a caminho de uma catástrofe ambiental, a menos que mudemos rapidamente os nossos hábitos, e 60% diz estar mais atento ao impacto ambiental como resultado da Covid-19.

Também os portugueses parecem empenhados em poupar recursos e optar por produtos amigos do ambiente. 85% afirma que vai começar a procurar produtos que são amigos do ambiente e 70% refere que as marcas devem investir mais no desenvolvimento de produtos e serviços amigos do ambiente.

 

Mundo digitalizado

Mais de 50% da população mundial está agora online. Muitos aspetos da vida “offline” mudaram, em 2020, para os canais online, da socialização às compras, à aprendizagem e ao trabalho.

15% dos portugueses afirma que, durante a quarentena, efetuou compras alimentares online, pela primeira vez e 67% refere que vai comprar mais online depois da pandemia.

No entanto, o e-commerce não é isento de fricções: em 2020, assistiu-se a um aumento de indivíduos que consideram mais difícil fazer compras online do que em lojas físicas.

 

Desigualdade de géneros

Os estudos da Ipsos do último ano revelaram, ainda, que as mulheres foram desproporcionalmente afetadas pela crise, nomeadamente, em termos de empregabilidade e saúde física e mental. Os estereótipos de género, apesar de persistirem em quase todo o mundo, foram amplamente discutidos e questionados durante o ano transato: apenas 30% das mulheres indica existir igualdade de género no espaço de trabalho (contra 50% dos homens) e, em Portugal, 59% das mulheres confirmou ter sofrido de ansiedade ou depressão durante a crise do coronavírus (contra 40% dos homens).

 

Ranking das nações

Os estudos globais da Ipsos exploraram, ainda, as perceções dos cidadãos sobre os diferentes países. Entre estes, alguns estão a perder e a ganhar reputação e os Estados Unidos e a China, em particular, sofreram alterações significativas no ranking.

No ranking dos países que, na próxima década, terão o impacto mais positivo os EUA
descem quatro posições, para 10.º lugar, e a China 12 posições, ficando em
35.º lugar.

Em 2020, o primeiro lugar no “Nation Brand” foi para a Alemanha e a melhor resposta à pandemia atribuída à Nova Zelândia.

 

Crise da Covid-19

2020 será o ano que ficará para sempre associado ao coronavírus. Em abril, 63% dos cidadãos, a nível mundial, afirmou que este era o problema número um que o seu país enfrentava. Embora tenha descido, ao longo do ano, em dezembro de 2020 o coronavírus era ainda a principal apreensão global.

As pandemias e doenças infeciosas passaram, assim, do oitavo para o primeiro lugar, de um ano (2019) para o outro (2020) em termos de grandes preocupações globais.

 

Saúde em 1.º lugar

Paradoxalmente, ou talvez não, a saúde está agora no centro das prioridades. Saúde e bem-estar físico são a principal fonte de felicidade a nível mundial, selecionada por 55% dos cidadãos em todo o mundo.

Mesmo num período tão desafiante, como o que se experienciou em 2020, encontram-se avaliações positivas quanto à confiança depositada nos cuidados de saúde. O Global Health Service Monitor da Ipsos detetou que essa confiança, no que diz respeito à performance nos cuidados e tratamentos prestados, aumentou mais nove pontos de 2018 (41%) para 2020 (50%).

De igual modo, em Portugal, e mesmo nos momentos em que se acentuou a crise pandémica, os portugueses aumentaram a confiança nos cuidados de saúde (57% em abril de 2020 e 48% em janeiro de 2021).

 

Trabalho em transformação

O trabalho como antes o conhecíamos sofreu também grandes alterações, nomeadamente, com grande parte da população em teletrabalho.

Em contexto de crise, as preocupações com o emprego e o desemprego aumentaram e 54% dos trabalhadores a nível mundial está preocupado em perder o seu emprego nos próximos 12 meses. Essa percentagem sobe para 75% no caso da Rússia e 73% no caso de Espanha, o que contrasta com os 26% na Alemanha e os 30% na Suécia. Portugal está mais alinhado com a média europeia, com 51%.

 

Marcas desafiadas

As marcas tiveram de repensar as suas estratégias, durante estes tempos de mudança, e, simultaneamente, foram cada vez mais questionadas e desafiadas pelos consumidores.

78% dos portugueses acredita que as empresas têm a responsabilidade social de oferecer ajuda nesta crise e sete em cada 10 esperam iniciativas criativas que proporcionem experiências fortes com as marcas, sem pôr em causa a sua segurança.

Oito em cada 10 querem ouvir/saber de marcas que tenham utilidade e sejam relevantes durante a crise pandémica e 57% espera inovação em produtos e serviços relevantes para o consumidor, sejam ou não relacionados com a Covid-19.

 

Valor à diversidade

Em 2020, o movimento Black Lives Matter trouxe o tema das relações étnicas de novo à linha da frente.

Três quartos dos indivíduos a nível global pensam que ter uma população diversificada é muito bom para o seu país, mas 13 em 14 nações concordam que o racismo e a intolerância estão presentes no seu país.

O sentimento de racismo e discriminação entre a comunidade é também uma realidade em Portugal, com 90% a considerar que o racismo está muito presente ou um pouco presente na cultura portuguesa.

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