A qualidade dos materiais, a herança das marcas e a componente artesanal continuam a ser os principais de decisão no mercado global de luxo, mas a inteligência artificial (IA), a segunda mão e novos modelos de experiência estão a abrir novas oportunidades para as marcas. Esta é uma das principais conclusões do EY Luxury Client Index 2026, apresentado esta terça-feira, 15 de setembro, na Porto Business School, no âmbito do evento Luxury Market: Global Trends and Consumer Insights, promovido em parceria pela EY e pela Porto Business School.
O estudo, que inquiriu 1.631 consumidores de luxo em 11 mercados globais, entre fevereiro e março de 2026, revela um mercado em transformação, marcado por consumidores mais seletivos e por um contexto económico e geopolítico ainda incerto. Depois da desaceleração registada em 2024 e de uma estabilização desigual em 2025, as marcas enfrentam o desafio de encontrar novas fontes de crescimento sem comprometer os atributos que historicamente sustentam o valor do luxo.
Entre esses atributos, a qualidade dos materiais mantém-se como o principal fator de decisão de compra, apontado por 65% dos consumidores, seguida pela herança ou legado da marca (52%) e pela componente artesanal (50%). A confiança e a autenticidade continuam também a favorecer os canais próprios das marcas: 49% dos consumidores compram predominantemente através de lojas físicas ou comércio eletrónico das próprias marcas.
A loja física mantém-se central
Apesar do avanço das tecnologias digitais, a experiência física continua a desempenhar um papel determinante no percurso de compra. 71% dos consumidores concretizam a compra final numa loja física, que regista também os níveis mais elevados de satisfação, com 67% a declararem estar extremamente satisfeitos.
O atendimento personalizado, a interação humana e o aconselhamento de estilo estão entre os elementos mais valorizados nestes espaços. Ao mesmo tempo, os consumidores revelam uma forte abertura à utilização de novas tecnologias: 94% consideram que a inteligência artificial pode melhorar a experiência de compra e 57% consideram as ferramentas de IA particularmente apelativas.
A adoção desta tecnologia, contudo, não é incondicional. 72% dos consumidores manifestam preocupações relacionadas com a perda de privacidade dos dados e outros 72% receiam a perda do contacto humano, evidenciando a necessidade de equilibrar personalização e inovação tecnológica com confiança e relação pessoal.
Segunda mão e experiências ganham espaço
O estudo identifica igualmente uma evolução na relação dos consumidores com o mercado de segunda mão. 62% dos clientes aspiracionais estão disponíveis para adquirir artigos de luxo usados e certificados diretamente às marcas, uma tendência que sobe para 87% entre os consumidores do segmento de maior rendimento.
A certificação pelas próprias marcas pode constituir, assim, uma oportunidade para responder simultaneamente a novas expectativas de consumo e à procura por autenticidade. Entre os consumidores, 46% afirmam que uma oferta oficial de produtos certificados em segunda mão aumenta a probabilidade de compra, percentagem que sobe para 53% entre a Geração Z.
A procura por experiências representa outra oportunidade de crescimento. 73% dos consumidores estão disponíveis para pagar por experiências exclusivas, enquanto 75% afirmam que a oferta deste tipo de experiências aumenta a probabilidade de voltarem a comprar à marca. A disponibilidade é ainda maior entre as gerações mais jovens, atingindo 79% entre a Geração Z e os Millennials.
Também os modelos de subscrição começam a ganhar espaço: 63% dos consumidores considerariam aderir a uma subscrição paga de luxo, valorizando sobretudo o acesso exclusivo a produtos e lançamentos, a personalização e as experiências VIP.
Preparar líderes para um setor em transformação
A apresentação do EY Luxury Client Index 2026 contou com Hermano Rodrigues, da EY, e António Paraíso, da Porto Business School, seguindo-se um debate com representantes do Torel, Sogrape, The Yeatman e Exponor/AEP sobre o futuro do setor.
O encontro destacou a importância de preparar profissionais para um mercado em transformação, enquadrando a apresentação da nova edição do Leading the Luxury Business, programa avançado da Porto Business School, com início a 19 de outubro. A sessão reforçou o papel da qualidade e autenticidade, num setor onde tecnologia, experiências e novos modelos de consumo estão a redefinir a relação entre marcas e consumidores.















