A WWF Portugal lançou o projeto Ecobites, uma iniciativa que pretende acelerar a transição proteica no retalho alimentar nacional, promovendo dietas mais saudáveis, acessíveis e sustentáveis. A organização quer trabalhar diretamente com supermercados para reforçar a presença e competitividade de alimentos de origem vegetal, cuja produção apresenta menor impacto ambiental.
Segundo Tiago Luís, técnico de Alimentação da WWF Portugal, o retalho desempenha um papel decisivo na mudança de padrões alimentares, num país onde o consumo de produtos de origem animal continua a ter forte expressão. “Nos supermercados, a disponibilidade, acessibilidade, preço e comunicação influenciam diretamente as escolhas dos consumidores”, sublinha, defendendo que o Ecobites pode alinhar o sector com tendências internacionais e com as exigências da saúde pública e da ação climática.
Metodologia internacional para reequilibrar vendas
O projeto assenta na Metodologia dos Retalhistas da WWF, uma ferramenta internacional que permite às empresas medir, monitorizar e reequilibrar as vendas de produtos de origem animal e vegetal. O objetivo é disponibilizar dados consistentes e comparáveis, apoiar decisões estratégicas e promover uma oferta mais alinhada com dietas de menor impacto ambiental.
Para dar início ao Ecobites, a WWF promove três workshops técnicos dirigidos a empresas do sector, com vista à capacitação para a recolha e análise de dados e à integração da metodologia no contexto português.
Brent Loken, global food lead scientist da World Wide Fund for Nature (WWF), considera que, apesar de alguns compromissos já assumidos em matéria de sustentabilidade, poucos retalhistas adotaram abordagens estruturadas para alinhar a oferta com objetivos de saúde e ambiente. “Queremos apoiar esta liderança e acelerar a transição para dietas benéficas para as pessoas e para o planeta”, afirma.
Alimentação no centro dos desafios ambientais
A iniciativa surge num contexto em que o sistema alimentar é apontado como uma das principais pressões sobre a natureza: 80% da desflorestação global está associada à produção alimentar, 70% da perda de biodiversidade terrestre resulta da expansão agrícola e cerca de um terço das emissões globais de gases com efeito de estufa provém deste sector.
Pedro Graça, nutricionista e diretor da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, destaca que Portugal tem oportunidade de articular alimentação saudável e sustentável, conciliando os princípios da Dieta Mediterrânica com os da Dieta Planetária. Para a WWF Portugal, atuar no retalho é um passo estratégico para proteger a natureza, reduzir emissões e promover o bem-estar da população.







