Num contexto em que os consumidores procuram comer de forma mais saudável, mas dispõem de cada vez menos tempo para cozinhar, a conveniência assume um papel crescente na forma como se escolhem alimentos frescos. É neste enquadramento que a Vitacress desenvolve uma nova solução que permite cozinhar espinafres frescos diretamente na embalagem, no micro-ondas e em poucos minutos, sem perder a sua naturalidade nem versatilidade. Em entrevista, Sílvia Mendonça, business & customer development director da Vitacress, partilha os insights que deram origem ao projeto, os desafios do seu desenvolvimento e a visão para o futuro da categoria de frescos.
Como surgiu a ideia de desenvolver um espinafre fresco pronto a cozinhar a vapor diretamente na embalagem? Que insights de consumidor estiveram na origem deste projeto?
A ideia surgiu da observação atenta das necessidades do consumidor moderno. Identificámos duas tendências principais: por um lado, um desejo crescente por uma alimentação mais equilibrada e natural; por outro, um estilo de vida cada vez mais exigente que valoriza a conveniência e a rapidez.
O facto de o consumo de vegetais em Portugal estar abaixo do recomendado, como aponta a Balança Alimentar Portuguesa, serviu de motivação. Quisemos criar uma solução que tornasse o consumo de vegetais frescos mais fácil e acessível, eliminando barreiras como o tempo de preparação e a falta de prática na cozinha.
Este produto é a resposta direta a esse desafio: o consumidor coloca a embalagem no micro-ondas e, em apenas cinco minutos, tem o espinafre pronto, com menos tempo, menos esforço e sem comprometer a frescura, face a uma cozedura tradicional que pode ultrapassar os 30 minutos.
Que desafios técnicos e operacionais tiveram de ser ultrapassados para garantir que o produto mantém frescura, segurança alimentar e qualidade após cozedura no micro-ondas?
O principal desafio teve que ver com a embalagem ser capaz de cozinhar o espinafre a vapor no micro-ondas sem comprometer frescura, valor nutricional, segurança alimentar ou consistência do resultado. Isso exigiu uma seleção muito rigorosa dos materiais usados na embalagem e a garantia de conformidade com a legislação europeia aplicável aos materiais em contacto com alimentos, nomeadamente, ao nível do controlo de migração. No caso dos plásticos, essa conformidade é avaliada através de ensaios de migração global e específica em condições de utilização previsíveis, incluindo situações de aquecimento.
Do ponto de vista funcional, foi também necessário desenvolver uma embalagem que conseguisse, ao mesmo tempo, preservar a frescura do produto ao longo da sua vida útil e assegurar uma confeção uniforme no momento de consumo. A estrutura da embalagem, o seu ajuste volumétrico e o sistema de microperfuração foram pensados para permitir uma ventilação controlada e a geração de vapor no interior, garantindo uma experiência simples, segura e consistente para o consumidor.
Além disso, este formato de confeção a vapor pode favorecer a preservação da qualidade nutricional quando comparado com a cozedura tradicional em água, precisamente porque reduz o contacto direto com a água e, com isso, a lixiviação de vitaminas hidrossolúveis.
De que forma esta inovação se diferencia das soluções já existentes, nomeadamente vegetais congelados ou refeições prontas?
Esta inovação diferencia-se, antes de mais, por combinar a frescura de um vegetal pronto a consumir com a conveniência de uma preparação rápida no micro-ondas. Trata-se de um espinafre fresco, de folhas baby, pronto a usar, que mantém toda a versatilidade habitual: pode ser consumido cru, integrado num salteado, numa sopa ou noutras receitas, mas pode também ser preparado a vapor, na própria embalagem, em apenas cinco minutos. Isso faz com que possa funcionar tanto como ingrediente como acompanhamento, já cozinhado, de forma simples e rápida. Por exemplo, numa receita tão quotidiana como ovos com espinafres, o que antes implicava cerca de 30 minutos de cozedura passa agora a resolver-se em apenas cinco minutos no micro-ondas, com o produto no ponto certo.
Face aos vegetais congelados, distingue-se por se manter no segmento dos frescos, preservando a experiência de produto fresco, ao nível da textura, do sabor e da versatilidade de utilização. Face às refeições prontas, a diferença está em não ser um prato fechado, mas um ingrediente base, natural e versátil, que o consumidor adapta a diferentes momentos e receitas. Ou seja, oferece conveniência sem retirar liberdade de utilização.
No fundo, este produto ajuda a tornar mais simples a integração de vegetais numa alimentação equilibrada, mesmo em rotinas com menos tempo, menos prática de cozinha ou menor planeamento.
“Hoje, conveniência já não significa apenas ‘pronto a consumir”; significa também ‘fácil de preparar’, ‘fácil de integrar’ e ‘fácil de escolher’. Essa evolução é particularmente relevante numa categoria como a dos hortícolas, onde ainda existem barreiras práticas à utilização frequente. Por isso, acreditamos que a inovação nos frescos passa, em grande medida, por responder a essa necessidade de simplificação sem comprometer a perceção de naturalidade e qualidade”
A conveniência tem sido um motor de crescimento na categoria de frescos. Como avaliam a evolução deste fator no comportamento do consumidor português?
A conveniência tornou-se um critério cada vez mais relevante na decisão de compra, também na categoria dos frescos. O consumidor português continua a valorizar qualidade, frescura e confiança, mas procura cada vez mais soluções que simplifiquem a preparação das refeições e se adaptem ao ritmo do dia a dia.
Hoje, conveniência já não significa apenas “pronto a consumir”; significa também “fácil de preparar”, “fácil de integrar” e “fácil de escolher”. Essa evolução é particularmente relevante numa categoria como a dos hortícolas, onde ainda existem barreiras práticas à utilização frequente. Por isso, acreditamos que a inovação nos frescos passa, em grande medida, por responder a essa necessidade de simplificação sem comprometer a perceção de naturalidade e qualidade.
Este produto procura aproximar os frescos da lógica ready-to-eat ou ready-to-cook. Consideram que este é o futuro da categoria?
Acreditamos que é uma parte muito relevante do futuro da categoria. O consumidor continuará a procurar produtos frescos, mas com formatos e funcionalidades que facilitem a sua utilização no quotidiano.
Nesse sentido, a lógica ready-to-cook tem um enorme potencial, porque permite acrescentar conveniência sem descaracterizar o produto. Não substitui a essência dos frescos; pelo contrário, torna-os mais acessíveis, mais simples de usar e mais presentes nas refeições do dia a dia. Mais do que uma tendência pontual, vemos isto como uma evolução natural da categoria.
Como equilibram conveniência com a perceção de naturalidade e frescura, que continua a ser central para o consumidor?
Esse equilíbrio faz-se garantindo que a inovação está ao serviço do produto e não o contrário. Neste caso, o que muda é a funcionalidade da embalagem e a facilidade de utilização; o produto mantém-se fiel àquilo que o consumidor espera de um espinafre baby fresco Vitacress.
Continuamos a falar de folhas baby cuidadosamente selecionadas, com os mesmos critérios de qualidade, frescura e versatilidade. A embalagem não altera a natureza do produto; apenas acrescenta uma forma mais simples de o preparar.
É precisamente essa abordagem que permite conciliar conveniência com naturalidade: inovar na experiência de utilização sem afastar o produto daquilo que o define.
Que impacto esperam que esta inovação tenha na forma como os consumidores integram vegetais frescos nas suas refeições do dia a dia?
Esperamos que torne essa integração mais simples, mais frequente e mais espontânea. Quando um produto fresco passa a poder ser preparado de forma rápida, prática e sem complexidade, reduz-se uma parte importante das barreiras que muitas vezes afastam os consumidores dos hortícolas.
Acreditam que este tipo de solução pode aumentar a penetração da categoria de frescos junto de consumidores menos habituados a cozinhar?
Sim, acreditamos que pode ter esse efeito. Para consumidores com menos hábito, menos tempo ou menos confiança na cozinha, a simplicidade de utilização é um fator decisivo. Ao oferecer uma solução fresca, pronta a usar e fácil de preparar, estamos a reduzir a distância entre a intenção de comer melhor e a capacidade prática de o fazer no dia a dia. Isso pode ser especialmente relevante junto de públicos que, de outra forma, tenderiam a optar por soluções mais processadas ou menos versáteis. Neste sentido, este tipo de inovação pode funcionar como uma porta de entrada para um maior consumo de frescos.
Que oportunidades traz este produto para o retalho, nomeadamente ao nível de diferenciação no linear e criação de valor?
Traz uma oportunidade clara de diferenciação dentro da própria categoria dos frescos, ao introduzir uma funcionalidade nova num produto que o consumidor já conhece e valoriza. Isso permite enriquecer a oferta no linear com uma proposta que responde de forma muito concreta às necessidades atuais de conveniência.
Para o retalho, isso pode traduzir-se em maior relevância da categoria, maior capacidade de captar atenção no ponto de venda e potencial de criação de valor através de soluções mais inovadoras e orientadas para o uso.
De que forma esta solução contribui para a redução do desperdício alimentar, tanto em casa como ao longo da cadeia de valor?
Esta solução pode contribuir para a redução do desperdício ao facilitar a utilização do produto e ao ajudar o consumidor a integrá-lo mais facilmente nas refeições do dia a dia. Quanto mais simples for usar um hortícola fresco, maior a probabilidade de ele ser efetivamente consumido.
Ao mesmo tempo, a embalagem foi pensada para preservar melhor a frescura do produto, o que também ajuda a proteger a sua qualidade ao longo da cadeia e em casa do consumidor.
“Ao oferecer uma solução fresca, pronta a usar e fácil de preparar, estamos a reduzir a distância entre a intenção de comer melhor e a capacidade prática de o fazer no dia a dia. Isso pode ser especialmente relevante junto de públicos que, de outra forma, tenderiam a optar por soluções mais processadas ou menos versáteis. Neste sentido, este tipo de inovação pode funcionar como uma porta de entrada para um maior consumo de frescos”
A embalagem desempenha aqui um papel central. Que preocupações ambientais foram consideradas no seu desenvolvimento?
A sustentabilidade é uma preocupação central para a Vitacress. Na conceção desta embalagem, a par da funcionalidade e segurança alimentar, a dimensão ambiental foi um critério fundamental. Procuramos continuamente otimizar as nossas embalagens para reduzir o seu peso e incorporar materiais que facilitem a reciclagem, alinhados com a nossa estratégia global de sustentabilidade e com as metas da economia circular.
Como se enquadra este lançamento na estratégia de inovação da Vitacress para a 4.ª gama?
Este lançamento é um passo natural e estratégico na nossa liderança na 4.ª gama, uma vez que reforça a nossa presença no segmento dos vegetais frescos prontos a consumir e a cozinhar. A nossa estratégia passa por continuar a inovar, combinando frescura, conveniência e versatilidade para responder a estilos de vida cada vez mais exigentes e consolidar a nossa posição como marca de referência em soluções alimentares frescas.
Que papel têm tido a investigação e o desenvolvimento de novas soluções na evolução da marca nos últimos anos?
A investigação e o desenvolvimento têm tido um papel central na evolução da marca. São fundamentais para nos permitir antecipar necessidades, acompanhar mudanças no comportamento do consumidor e transformar essas leituras em soluções concretas.
No caso da Vitacress, inovar não significa apenas lançar novos produtos; significa também melhorar formatos, processos, funcionalidade e experiência de utilização, sempre com foco na relevância e na qualidade.
É essa capacidade de evoluir de forma consistente que tem permitido à marca continuar a afirmar-se como uma referência no setor.
Podemos esperar mais inovações no segmento “eady-to-cook ou mesmo novas categorias dentro dos frescos embalados?
O segmento ready-to-cook é uma área em que acreditamos muito e que está totalmente alinhada com aquilo que temos vindo a desenvolver na Vitacress. Este ano, além do Espinafre Baby com embalagem apta para micro-ondas, lançámos também os Brócolos Vitacress com esta funcionalidade, o que demonstra que não se trata de uma aposta isolada, mas de um caminho de inovação que queremos continuar a explorar.
A nossa ambição é desenvolver soluções frescas que tornem a alimentação mais simples, prática e acessível, sem comprometer qualidade, frescura ou versatilidade. Sempre que identificarmos oportunidades para acrescentar valor real à categoria e responder melhor às necessidades do dia a dia do consumidor, esse será um território onde queremos continuar a evoluir.
“Imaginamos um linear de frescos cada vez mais orientado para soluções, mas também mais transparente, mais responsável e mais ligado à origem dos produtos. No futuro, o consumidor procurará não apenas conveniência e facilidade de utilização, mas também maior confiança sobre de onde vem o que compra, como foi produzido e que impacto tem ao longo da cadeia de valor”
Como imaginam o linear de frescos daqui a cinco a dezanos e que papel pretende a Vitacress assumir nessa transformação?
Imaginamos um linear de frescos cada vez mais orientado para soluções, mas também mais transparente, mais responsável e mais ligado à origem dos produtos. No futuro, o consumidor procurará não apenas conveniência e facilidade de utilização, mas também maior confiança sobre de onde vem o que compra, como foi produzido e que impacto tem ao longo da cadeia de valor.
Acreditamos que haverá uma valorização crescente de formatos mais práticos e adaptados às diferentes ocasiões de consumo, mas sem perder de vista pilares que continuarão a ser centrais: frescura, qualidade, sustentabilidade, origem e rastreabilidade. O linear tenderá a evoluir para uma proposta de valor mais completa, em que o produto não é avaliado apenas pelo que é, mas também pela forma como chega ao consumidor.
A Vitacress quer ter um papel ativo nessa transformação, liderando a inovação dentro da categoria de uma forma equilibrada: desenvolvendo soluções mais convenientes, mas também reforçando uma produção cada vez mais alinhada com práticas responsáveis. O nosso objetivo é contribuir para um linear mais relevante, mais informado e mais próximo da forma como as pessoas vivem, escolhem e consomem.








