As vendas de atum com certificação sustentável em Portugal registaram um crescimento recorde no último ano, ultrapassando as 900 toneladas no canal retalhista. Segundo dados divulgados pelo Marine Stewardship Council (MSC), no âmbito do Dia Mundial do Atum, o volume comercializado de atum com Selo Azul MSC aumentou 153% face ao exercício anterior, atingindo o valor mais elevado desde o início da série.
O crescimento reflete a consolidação da sustentabilidade como critério de compra no sector alimentar e acompanha a forte presença do atum entre as espécies de pesca selvagem mais consumidas pelos portugueses. Ao mesmo tempo, o mercado nacional assistiu ao reforço da oferta de produtos certificados, à expansão das referências disponíveis e a uma maior aposta da distribuição em soluções associadas à rastreabilidade e à origem sustentável.
As conservas continuam a representar a maior fatia do mercado, concentrando cerca de 80% do volume de atum MSC vendido em Portugal. Ainda assim, a certificação tem vindo também a ganhar espaço no segmento do pescado congelado e no balcão tradicional de peixaria. Um dos exemplos destacados pelo MSC é o do Continente, que passou a disponibilizar atum descongelado certificado ao balcão, aproximando a sustentabilidade certificada do consumo quotidiano.
Entre as espécies comercializadas, o atum-gaiado destacou-se pelo forte crescimento, com o volume vendido a triplicar face ao ano anterior.
O aumento da procura é acompanhado por uma maior adesão da indústria e da distribuição. Cadeias como Lidl, Aldi, Continente e E.Leclerc, bem como marcas como Frime, A Poveira e Dr. Oetker, estão entre os principais operadores a disponibilizar produtos certificados no mercado português.
A dinâmica estende-se igualmente aos mercados internacionais. Atualmente, conservas portuguesas de atum com Selo Azul MSC chegam a países como Austrália, Alemanha, Dinamarca, França, Itália, Países Baixos e Suécia, através de cerca de 20 marcas e aproximadamente 100 referências exportadas.
Portugal poderá reforçar ainda mais o seu posicionamento neste segmento sustentável. A frota da Madeira dedicada à captura de tunídeos encontra-se em processo de avaliação para obtenção da certificação MSC, o que poderá transformar-se na segunda pescaria nacional certificada e representar um importante impulso económico para a região.
A nível mundial, o MSC refere que mais de metade das capturas globais das principais espécies comerciais de atum já provêm de pescarias certificadas, totalizando 3,1 milhões de toneladas desembarcadas em 2025. O cenário confirma uma transformação gradual do mercado, onde sustentabilidade, rastreabilidade e controlo da cadeia de fornecimento assumem um peso crescente nas decisões da indústria e dos consumidores.







